sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Rotina



Um pouco cansado do mundo e da rotina do dia a dia, Joel entra no seu carro e pisa fundo no acelerador, querendo logo chegar em sua casa, para ouvir suas músicas, para fazer carinhos em seus cachorros, pra sentir aquela solidão deliciosa pela qual ele tanto lutou. Antes de chegar em casa, tem de passar na padaria pra comprar pão, queijo, salame e maionese - ele tem o hábito de conversar com os atendentes, saber como foi o dia deles, interagir, entendê-los, se fazer presente no dia deles, deixar um pedaço seu ali.

Compra também biscoitos crocantes para seus cachorros, gosta muito deles, são como se fossem seus filhos, seus únicos filhos, seus familiares, seus amigos. Joel vive na dualidade de estar sozinho e se sentir só. Joel trabalha numa daquelas empresas que te deixam extenuado fisicamente mas deixam o intelecto intacto - como que dizendo que o homem forte não tem nada mais à oferecer do que seus músculos, e que seu cérebro não faz nada de bom além de mandar os comandos que movem as pernas, braços e mãos.

Ele não tem muito estudo, nem tanta posse assim, tem um fusca meia sete e uma moto de duzentos e cinquenta cilindradas - que usa pra longas viagens. Sua casa é alugada. Seus cachorros são comprados. Sua vida é dada. Nada é dele. O carro vai enferrujar, com a moto ele vai cair e se ralar. Os cachorros morrerão.

E ele, o que deixou ? Deixou uma vida inteira de tevê ligada depois do trabalho, passando a roupa do dia seguinte, lavando a roupa suja do dia de hoje, ligando pra mãe e pro pai, querendo saber da irmã que está no centro de reabilitação. E o que sobra pra ele ? A raspa do pão, o bagaço da laranja, a seringueira sem seiva. E o amor Joel? Aonde está o teu amor ? - Pensa ele consigo. Não sabe se responde ou se cala aquela voz que lhe pergunta, sendo que a resposta pra essa pergunta ele não tem. Minto. Tem, ali dentro ele sabe que tem. O amor.

- Aquele sentimento que sempre vem acompanhado de dor ? - Não Joel, aquele que te ensina que pra ter felicidade, qualquer dor é insignificante.

"Mas esse não conheço, não sei de onde vem e nem sei se existe."

Joel olha pra seus cachorros e sente a fidelidade deles é amor. Amor no seu mais puro exemplo. Amor na sua mais pura forma. E ele ri pensando em todas as mulheres que o chamaram de cachorro... "Ah, se elas entendessem"; afasta de si esse questionamento que só o faz perder tempo, tem que fazer comida e ver a novela das oito, depois vai dormir, pois amanhã a rotina chama e precisam de seus músculos, e não de seus questionamentos.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Soneto da confirmação.



Rosadas faces que sorriem para ti
olham a mim, mas sorriem apenas para ti
com a pena que transparece nos olhos
e te ruboriza as maçãs, transmitindo melancolia.

Preso à métrica, não que me prenda
ainda assim a patriarquia de uma tal vanguarda esperada
novos tempos, eternos antigos dias
pequena menina, disse-lhe que era passageiro...

Sorrir-lhe já não lhe faz sorrir
de que adianta então tanta vontade ?
Se as barreiras tuas já se levantaram contra meu estandarte.

Roubo do santo pai para te trazer a lua
Roubei da tua aurora pra tentar te amadurecer
como fruta formosa que era, acabei lhe azedando.


Mesmo que passássemos anos a fio
a bonança, nas lembranças, seria o vazio.

Soneto do conhecimento.


Todos riem enquanto o cigarro queima no cinzeiro
e nesse cigarro que queima vejo a fumaça se perder
e me comparo a ela, pois o gosto que traz
é o mesmo que se esvai. Rápido, brisa passageira.

E nisso me perco em todas as lembranças que eu tenho
lembrei do que me vinha na tarde de lágrimas
eu falava sozinho e pedia desculpas pro vento
já que quem deveria ouvir não encontrava ali, nem aqui. Nem em qualquer lugar.

Misturas de emoções, do que pensei no passado
hoje confirmações, essas se fizeram presentes
mas a vida é isso mesmo, o desafio é seguir em frente.

No que me lembra, no que me traz
é tudo intransponível, me lembra alcatraz
mas mantenho aqui dentro, viva ao que relembrais.




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Compreensão/compaixão




Vejo à minha volta muitas luzes e sorrisos
alguns até diriam que é um paraíso
discordo desses pois já sei o final disso
ao final de tudo, lágrimas pesadas como granizo

No findar todos vão ninar
em seus sonhos se perder, e achar algo, sei lá
o que procurarão, segredos velados e selados
inconscientemente deixando seus pedaços no além

Todas as vidas um dia se cruzarão
é o caos, é a paz, é o mal
é a vida normal cheia de escuridão
mas sabe se lá talvez tudo isso seja em vão

São todos parte de fatos já consumados
e você se pega olhando retratos
parando num bar qualquer para escutar um som
lembrando de como era bom viver sem pesar.

Quem nunca quis dar boa noite pra quem não estava ali?
Quem nunca pensou em largar tudo e sair daqui ?
Quem nunca dormiu com os olhos marejados ?
Quem nunca chorou e rolou de tanto rir ?

São pequenos momentos que fazem valer a pena
porque para seres pequenos a felicidade está nas minúcias
e nunca nos escapa à visão pessoas de grande astúcia
sem sorriso no rosto, olhar ao longe, e ganancioso .

Eu fecho o livro e lembro apenas dos sorrisos. E olho ao longe.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Lar gelado lar




Pássaros encantam com seu canto matutino, quando o primeiros raios de sol trazem a cor para o que há pouco era uma região sombria. Enquanto essa imensidão de pequenos eventos diários se desenrola, um alguém abre o portão da casa,na mão um par de sapatos sujos e um cigarro na boca.
Sua aparência é no mínimo curiosa, a camisa - de boa costura - está rasgada em algumas partes, sua calça preta está suja de lama, grama e batom. Seu rosto carrega um corte que deixará cicatriz, marcando assim sua testa, sob a forma de uma linha reta. Seria bucólico se não fosse interessante.

Este desconhecido sabe muito bem onde está, onde em anos passados foi o que chamou de "lar". Mas algo no lugar não está reconhecível, será que foi ele quem mudou ou o lugar está diferente?

Pensa consigo, mas está tudo igual, as árvores onde deveriam estar, a casa, desarrumada e atraente, quente, como sempre; gatos por entre os muros; até a placa que ele roubou ainda jaz ali, jogada junto a alguns materiais velhos do seu pai. Ele respira fundo e sente o vento acariciar seus cabelos longos, acompanhado de um leve cheiro de peixe, há muito não se sentia tão bem - a costumeira paz profunda de sua casa toma conta dele, e brota em seu âmago um turbilhão de sentimentos nostálgicos, em alguns minutos já terá o rosto hidratado pelas próprias lágrimas.

- É, deve ser assim que a gente se sente quando volta pra casa. Liberto.

Mas nem tudo é um mar de rosas, e a liberdade em seu lar é apenas uma ilusão, está preso num ritual, há muito estabelecido por ele mesmo. Joga sua mochila no chão e vai até a margem do lago, tira do bolso um pedaço de pão e concomitantemente acende um cigarro, e fuma, e contempla, e alimenta a vida presente naquela maravilhosa água cristalina.

E se afoga, se esvai, transborda, tira a roupa e pula na água gelada da manhã, sem nenhum medo. Se joga como quem pula de bungee jump, não temendo nada. Deixa a água lhe lavar todos os sentimentos, deixando-o vazio como uma concha, pronto para novas experiências e desprovido de amarras. Libertando-se assim da calopsia de paixões passadas e de amores que serão eternos de melancolia e sofrer.

Se renovar é se afogar e ressuscitar , é de lavar a alma.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Nu no final




Mais e mais sinto minha vida se direcionar copiosamente - ordenadamente, sem interrupções, para um suicídio onde meu sadismo é o que mata, e o pior,  sei que matará covardemente, já que meus atos voltarão pra me atormentar - esses amores inacabados,  amizades repentinas, minhas amantes voluptuosas e vazias,  palavras insensatamente ditas, minhas noites perdidas, das quais só tenho flashes como lembranças...

Não me toma de agonia, essa morte prescrita e prevista, pois a escrita me salva do medo deveria acompanhar essa certeza. Não apenas a escrita, mas meu narcisismo hipócrita, que me deixa amar o reflexo que está no espelho e odiar os pensamentos que pertencem ao mesmo, que me deixa chorar - lembrando chuva - quando ninguém está por perto, que me faz convulsionar o peito em razão de agonias intermináveis, e que me deixa criar identificações diversas - as quais ninguém verá, onde jazia pele imaculada. Medo não acompanha reflexo saudável de sorriso fácil.

Toda a certeza vale de nada. Apenas anseio que o abraço final seja real , que me traga vida, pois a morte cerebral é o sentido do viver intensamente -paradoxalmente, sendo intenso sem estar intenso, nunca tenso, sempre frouxo nas amarras da razão...

Por esses motivos enumerados de modo complexo, tenho por outrem pena por se aproximarem de mim, sem conhecer a linha tênue em que me equilibro, sadismo - tortura, além dessa certeza cega e taciturna que habita em algum canto escuro de minha alma.






sábado, 3 de novembro de 2012

Subliminarmente


Alegres pessoas - se perder
Imaginando fortalezas que lhe protegem sempre
Despedindo da santa - mandando beijo pra nega
Saindo de canto pra apoia uma tal de legalização

Hordas de pessoas que vem em peregrinação
Intendências são designadas pra entender o que acontece
Verídico que isso só acontece raramente, o problema é quando se faz real.

Responsáveis por mais de mil transcendências
Impossível aproveitar sem ninguém por perto
Por isso aparecem vadias, poetas, poetizas e meu manos.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Transcendência



Uma figura anda por uma estrada
uma figura passa atrasada
desertos de sol à pino
na parede da mente que se auto torra

De tanto relembrar e reviver
tudo se mistura e sai do lugar
as estradas se cruzam e o sol vira lua
lua essa que ilumina o dia todo e refresca

Tempo e espaço são conceitos inexistentes
tudo é coisa da cabeça de alguém que quis rotular
um mal passado que não tinha mais nada pra fazer
um novo surreal está vindo pra macular todos os puritanos

Mentes serão portais para transcendência
sem mais banalidades irreais ou coisas superficiais
chega de contar as horas, contar quadrados e ladrilhos
chega de tudo isso, a energia será uma só.

Transcenderemos, preparem-se.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Epopeia de um Eu.



Há muito tempo
feliz no silêncio
tomava tento de seus atos
buscando queimar cartas e retratos

Se deixou levar por fatos já conhecidos
sem deixar que fossem levados por um rio
assim esquecidos com corrente sem vertente
mas assim adjacente, foi o sentimento irreal

Chegando perto, bem perto pra analisar
percebeu que de nada sabia do amar
resolveu reformar, botar barragem no rio
conservar cartas e só guardar retratos

Libertou seu eu em uma cadeia de acontecimentos
que culminaram no seu próprio julgamento
no qual o juiz era sua consciência
e seu advogado era o diabo

Nessa epopeia, o júri eram lembranças
o tribunal, lugares que deu suas andanças
absolvido por si, agradeceu o diabo, pagou-lhe e disse adeus
"não tenho deus, mas tu também não me serve mais"

Libertou-se e pousou.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mundo paralelo






Levantou-se do sofá porque já não se aguentava de melancolia, esse mundo que ele se insere todo final de noite, precisava se libertar da rotina que já foi estabelecida para ele, por ele mesmo. Pensou em como seria esquecer quem é, seu nome, suas lembranças, o que o moldou. Talvez pra saber se realmente é uma essência, uma chama viva, uma alma de outrora, pra saber se a solidão que se abate nele desde sempre - sempre que deita na cama, é real, é dele, ou é fruto de alguma ideia inconsequente que se arraigou em sua mente...

Abriu a porta da cozinha, com um maço de cigarros e um isqueiro, para lhe deixar mais perto de seu desejo eterno de enfim beijar a morte. Não tem a coragem de suicidar, nem a vontade do mesmo, por isso talvez fume, esse pensamento lhe ocorre desde que pôs o primeiro cigarro na boca, mas ultimamente tem lhe ocorrido mais do que o usual.

"Só se dá razão a quem morreu" - pensa consigo enquanto dá a primeira baforada para poluir o seu entorno, criando assim uma neblina cinzenta de cheiro acre, como era de seu agrado nessas noites enluaradas, estreladas e geladas... Gostava de se sentir protegido pela fumaça, criando assim um mundo paralelo e pouco durável, como um deus secundário, capaz de criar mundos mas não uma vida.

Ele se senta em uma pilha de tijolos empoeirados, seu pulmão já tem dado sinais de que não passa bem, tem dado umas pontadas aqui e ali, esporadicamente, "nada com o que se preocupar " - ele pensa. Nada mesmo, se tudo o que pensa desde que tem consciência é no encontro que findará sua existência, deixanddo tudo o que conheceu, realizou e deixou sobre as costas de Gaia...

Termina seu cigarro e entra pela porta que deixou aberta, pois seu mundo evaporou-se e amanhã tem de fazer coisas que não lhe condizem.






quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Palavras


Palavras nunca são apenas palavras, podem ser pequenas, mas nunca palavras apenas. Palavras ferem, palavras convencem, palavras enebriam e podem criar um outro mundo quando bem usadas, fazer o bem quando bem colocadas, mas há o contraponto.

Palavras podem ser adagas afiadas, direto ao peito onde fazem morada, deixando a vida agoniada, e de palavras somos tão ricos, mas de respeito tão pouco, de palavras somos tão ricos, mas ainda assim fazemos de tudo um circo. Palavras são conforto em horas cruéis, podem ser artifícios para meretrizes.

Palavras são antes de tudo, vivas, intensas, cada sílaba exalando sua paixão pelo expressar, palavras são atores que se moldam de acordo com o texto de seu roteirista, você.

Palavras enfim, nada mais nada menos que a maior arma do homem e o amor maior do poeta.

Pousar, enfim.



Ele anda por uma avenida deserta logo após deixar sua garota em casa, acende um cigarro e repara como noites alegres não foram raras quando esteve com essa garota. Hoje pode chamar de "sua garota", mas antes disso, muitos obstáculos foram superados e muitas mágoas foram jogadas no baú de inutilidades que a alma guarda, aquele que é como um buraco negro onde tudo o que não presta é jogado, e ali some no sentimento, mesmo que não vire poeira na lembrança.

Nesse baú foram colocadas promessas não passaram do estágio em que os olhos brilham frente à um novo começo. Atos arrogantes em função de mágoas de outros amores. Descontroles emocionais provocados pela presença um do outro. Imaturidade de ambos, o que provocou diversas rachaduras na certeza que tomava o coração.

Ao analisar os fatos à sangue frio que se percebe que os dois sempre foram um do outro, mesmo que sem saber, pois mesmo depois de tudo isso, nunca perderam o contato, mesmo que comprometidos com outras pessoas, mantiveram seu compromisso consigo, com seu subconsciente, com o sentimento sempre latente, que se fazia presente e incandescente quando se viam.

E mais uma vez, juntos, sem nada pra atrapalhar, quiçá irão fazer durar...

E ele chega no ponto de ônibus, apaga seu cigarro, e vai pra casa, escrever sobre como tudo é fácil de se entender quando transcende-se a barreira da ilusão.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Liberdade assistida.


Ele tem pensado muito em relação à morte. Como ela define a vida, como sem ela tudo que somos seria um ciclo sem fim, peça de quebra-cabeça sem encaixe. Não tenho medo de morrer, tem medo da incerteza que lhe brota em não saber quando e onde. Não sabe se é coisa da própria cabeça mas já viu a própria morte em sonhos, ao atravessar a rua, ao andar por becos que não conheço, de diversas maneiras, inclusive apenas ao ir dormir.

 Mas não morreu, continua vivo, mas espera a morte pra abraçá-la com prazer, não sabendo se anseia por isso, mas aceitar a mesma lhe traz uma sensação de liberdade indefinível.

Liberdade talvez inconsciente e ao mesmo tempo consciente e inconsequente. Ao decorrer das doze badaladas, esperando encontrar a morte, toma um copo de whisky e fuma um cigarro, anseando enfim que ela venha lhe envolver em seus braços sombrios.

02/05/2011 - Longínquo embora tão recente.


Me sinto perdido,com medo,como em um suspense,onde o mocinho tem uma maré de azar onde se vê obrigado a virar vilão,onde deve botar todos seus conflitos em um baú,e correr pro horizonte,onde a salvação estará.Mas será que o horizonte guarda a salvação? No final do arco-íris há a cura? Espero que sim,pois um dia decidirei transcender,  e por todas essas provações deverei passar,tenho a certeza que todas serão de bom proveito,pois sempre há algo de se tirar como lição,pois nossa condição humanóide permite isso. Portanto erremos,aprendamos,mas nunca repitamos o erro, pois sempre há o castigo para o inconsequente,seja ele imediato ou não, a justiça é cega,porém consegue estender-se a qualquer lugar, independentemente do tempo que leve.

Refletindo sempre me pergunto qual meu propósito aqui,por onde andei,de onde trago tanta soberba,agressividade e narcisismo ,porque insisto em me achar melhor que todos,se sei que todos nós somos iguais,se defendo este ideal. Minha personalidade seria hipócrita assim? espero que não,pois me orgulho de ser imparcial e extremamente amável com quem me trata bem.

A juventude é uma época com muitos problemas,sempre achei que iria pular esta fase,como eu já fiz em relação a tantas outras,mas sim,ela me pegou,assim como a fase do "patinho feio" e a de estar tudo errado,querer mudar o mundo e de ser dono da própria vida.

E assim se segue a vida (ou morte).


Não sou normal, carrego em mim um eterno assassino serial, que por entre olhares encontra suas vítimas. Não seria anormal se fosse um simples assassino serial, assassino todos em meu íntimo, deixando toda gota de dor imaginável se desprender daqueles rostos que sorriem pra mim na rua, em festas, no sexo... Deixo se estrebucharem, agonizarem e pedirem clemência perante uma platéia lotada de pessoas iguais a mim, com o mesmo mesmo rosto, porém de diferentes personalidades, todos aplaudindo a maestria de minha crueldade.

E assim durmo e acordo feliz, com o mesmo sorriso solitário e feliz de matar todos e ao mesmo tempo não matar ninguém a não ser eu mesmo.

E assim se segue a vida (ou não-vida).


Não sou normal, carrego em mim um eterno assassino serial, que por entre olhares encontra suas vítimas. Não seria anormal se fosse um simples assassino serial, assassino todos em meu íntimo, deixando toda gota de dor imaginável se desprender daqueles rostos que sorriem pra mim na rua, em festas, no sexo... Deixo se estrebucharem, agonizarem e pedirem clemência perante uma platéia lotada de pessoas iguais a mim, com o mesmo mesmo rosto, porém de diferentes personalidades, todos aplaudindo a maestria de minha crueldade.

E assim durmo e acordo feliz, com o mesmo sorriso solitário e feliz de matar todos e ao mesmo tempo não matar ninguém a não ser eu mesmo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pequenas coisas, felicidade sóbria.






Ele estava atrasado, não gostava de se atrasar, metódico como era, estar atrasado e ao mesmo tempo sorridente era algo raro. Estava andando rapidamente sob o sol paulistano. No seu pensamento, um beco sem saída, muitas palavras amontoadas sobre apenas um só propósito, um nome, o dela. Ou delas. Nunca soube como dizer, como identificar, como viver o momento. Pensava no futuro, planejava seus passos, mas ao tentar executar, sua reação era diferente, seus olhos o denunciavam. Botou seus óculos escuros.

Passava andando, sorrindo por entre os transeuntes apressados, que com toda a certeza estavam se preocupando com coisas irrelevantes, como trabalho, dinheiro, aluguel... Ele pensa consigo como o mundo é mesquinho e ninguém mais se importa em ver o outro sorrir... Vinícius doa uma moeda pro mendigo e troca algumas palavras, de atitude nobre e sem peso, o garoto bem arrumado dá um abraço no morador da casa dos carros. Sai sorrindo e vai em direção ao parque central, uma exposição tem início no outro lado da rua, bandeiras, cavaletes, estilos variados, pessoas novas, novos rostos, novas histórias.

Adentrou, olhou pro lado - olhou pro outro e viu bancos -, sentou, fumou um cigarro esperando a ligação, pra dizer onde estava pra talvez a musa de uma nova canção. Esperou, atendeu a esperada ligação, falou e relaxou, esperou.

Ela chegou, ele sorriu, ela enrubesceu. Ele pensava o quão linda ela era. Como qualquer roupa se encaixa, qualquer gesto se faz próprio, qualquer brincadeira, quaisquer que fossem os atos, desmedidos ou não, cabiam nela como peças de quebra-cabeça. Se sentia encantado pela beleza despreocupada que ela possuía, ele se jogava no mundão só pra ver aquele olhar e chamar ela de "cabeção" enquanto resistia à todos os impulsos que lhe tomavam. "Deixa ela falar,deixa eu olhar, me deixa admirar", pensava consigo mesmo ao lutar consigo mesmo...

O sol estava no seu ponto mais alto, conversaram, riram e beijaram-se, como de praxe, decidiram ir a outro parque, cansaram, ela reclamava de tudo, contava de tudo, mente aberta mas extremamente fechada,  um contraponto interessante, equilibrado, encantador. Ele passa demorados momentos a estudar as expressões dessa garota, em suma, interessante.

Enfim chegam ao parque,  deitam na grama, a grama causa coceira, ele está sem camisa em razão do calor infernal que se instalou na capital, ela está tentando derrubá-lo a cada tentativa que ele faz pra se levantar...
Ele repara em tudo nela pois não pode deixar escapar nada, precisa guardar cada gota desses momentos que a vida proporciona, pois em verdade vale a pena...

Patos a encantam e ele se encanta por tal encanto... Ele vê a chama do amor arder onde existia uma fortaleza de gelo; poderia ficar horas admirando aquela energia positiva que ela exalava, era como um perfume cheio de nuances, ela é uma nuance ambulante. Encantadora nuance de pequenos humores, pequenos rumores, grandes olhares, deslumbrantes gestos e um andar de tirar o fôlego. Sorri pro horizonte pensando como o mundo é pequeno e as pessoas ás vezes não percebem os diamantes que têm nas mãos...



Agonia interna



Sou apenas um coadjuvante nessa tragédia 
um mero observador de todas as eras 
condensando em palavras digo que não sou 
o ser comum que pensou, sou louco, ágil 
tudo o que pensou, eu já fiz, seus sonhos 
minha realidade, fora de supervalorização do ego 
mas quem dita as regras é o idi... 

Energizado por filtros brancos, vermelhos e verdes 
abro meus horizontes pra melodias e corpos 
mexo por entre meus cabelos pensando nos de outrem 
reviro minhas memórias pra ter o que passar pra frente 
tenho de legar algo ao futuro, não serei mais um... 
Oh! Não! 

Para um ídolo.



Numa noite de frio nasceu
se tornou um brasileiro
ilustre menino-homem que come

Causando admiração em cada ouvir de canção
obrigado pela sustentação, pela otimização
hoje faz parte do meu show

Come vida, come letra
vira lenda, sem legenda
não gosta de agenda, mas o tempo não pára

Ideologia pra viver, teve, teve vida até não poder
lidou com a vida sombreada pela morte iminente
Vai foder, você descansa quando morrer.


















Não morreu de overdose, mas é meu herói.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Morte


Alguém talvez importante
ou alguém que não fosse ninguém
alguém que tenha amado
se deixado voar

Hoje é estrela findada , persona non grata
sendo uma alusão quando a dor quando é citada
nem o pôr do sol deixa de ser pousada
pra lembrança ser novamente amargada

Sombra de indecência velada
como vultos de outrora
do que talvez incandescência um dia foi
brilho dos olhos de alguém, um refém.





De lembranças somos muitos
de coragem somos necessitados
de cobiça estamos carregados
mas o que importa,afinal, são os centavos.

domingo, 30 de setembro de 2012

Educação no Brasil - minha visão.




 Não estamos mais formando cidadãos, estamos criando massa de manobra, robôs de escritório, malandros de marca maior.

Não há mais a preocupação com o real aprendizado - vide a progressão continuada - dos alunos, o indivíduo em processo de formação de seu "eu", aprende desde pequeno, que não importa como concretizar, o que importa são notas, metas a serem alcançadas - nada relacionado à seu crescimento intelectual ou desenvolvimento de seu senso crítico, apenas números a serem abatidos. Aprende-se que mesmo não seguindo normas de ética - como "colar" em provas ou copiar trabalhos , ele vai se sair bem, pois o que importa é a nota final, não os meios usados pra conquistar a mesma.

Criamos pessoas desprovidas de ética ou moral cívica, onde no seu ser, só importa o que vai ganhar pra si, moral cívica se esvaiu do processo de aprendizagem, onde é importante na formação da personalidade. Depois vemos nos veículos de mídia, "jovens roubam, jovens matam por dinheiro..." , e a sociedade ainda se pergunta "como isso pode acontecer?", é simples, olhem pra onde as crianças e jovens passam a maior parte de seu florescer intelectual, a instituição de ensino.

Falo isso em relação à maioria, acredito que que alguns se salvam por um senso crítico desenvolvido no âmbito familiar - total mérito dos pais - ou social - influências atípicas em quando o indivíduo se forma intelectualmente.

Temos inúmeras questões que brotam desse tema, mas as majoritárias já foram expostas, destrinchar todas não cabe a mim.

Pra finalizar, precisamos de mais exemplos, em principal na sociedade civil, e é nesse âmbito que devemos nos focar, investir na formação de senso crítico e moral civil - devo insistir nesse ponto ,  pois ao investir nesses pontos, teremos líderes prontos para exercerem suas funções, liderar , qualquer que seja a situação requerida. Diamantes intelectuais temos aos montes, é na família e na escola onde temos de lapidá-los.

Meio.



Meias palavras
meios sabores
uma meia só

Meio a meio no gostar
meio estranho de encontrar
achar alguém meio doido

Meios de criação
meios de ação
diferentes meios, então

meios estranhos de agir
meios anormais de mostrar
afinal, meio é nada sem a metade, enfim.

Prelúdio de história?

Rápida, sem nenhuma vírgula
sem tirar, nem por, promissora.

Verdadeiramente confusa como nenhuma outra
interpretações, mil, de frases vis.

Talento pra verdade, sinceridade de ambos os lados
 mas perguntas inúmeras de um lado, que se pergunta
[se o outro lado também é dúvida total

Muito a ser dito mas também muito a ser mantido pra si
correr pra quê? O tempo é pra ser gasto no entender.




Indecisão ? Decisão de não decidir nada ainda.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sonhar é bom.



Hoje sonhei com você, de todos, foi o sonho mais incrível que tive, não porque estava em algum lugar especialíssimo, e também não porque coisas indescritíveis - palavra que não me consta em vida - aconteceram. Incrível foi por um simples motivo, estávamos nós dois, sentados na areia, de mãos dadas, você estava rindo não sei do quê... Eu lhe olhava com cara de bobo e você estava com mais cara de boba do que de costume!

Foi incrível porque pude sentir teu calor em um sonho, podia sentir o calor e a brisa de final de tarde - aquela do momento em que o sol se põe, sentia a maresia povoando o ar que nos cercava, mas não sentia o cheiro do mar - como acontece quando qualquer pessoa está na praia, mas era você que estava lá - pois o teu cheiro floral e natural, fazia do meu ar o mais sublime ar já respirado por um homem de sorte.

Foi incrível sentir que tudo estava bem, que você era a companhia ideal para mim, uma companheira real, enfim, confiava que você estava ali só por nosso momento, não porque esperava uma vida inteira juntos, mas por um momento que durará uma vida inteira.

Ao acordar, tive de ler sobre Kierkegaard e Nietszchze, e refletindo após, percebi que o momento em que nos encontrávamos em sonho, era dionisíaco, me indentifiquei com tudo, nos identifiquei em tudo. No momento em que acordei, acordei sorrindo, achava que era real... Então quem dera um dia seja, pois quando estou contigo, é sempre incrível, talvez tanto quanto um fim de tarde olhando o mar de mãos dadas!

Um dia - quem sabe - eu tiro a prova e talvez te conte, se a coragem não me faltar, e a vontade de te beijar a cada vez que te vejo me dê o tempo de uma pausa para te contar - momentânea, claro, pois voltarei a lhe tirar a cor dos lábios ao pressioná-los contra os meus logo em seguida.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Espelho opaco


Palavras acariciam o ego
outras encantam teus botões
falam a tantos corações de graça.
Falar à um só faz saliva virar fumaça
Então que seja preferível o anonimato
do que falar a um só coração

Pagaria promessa de coragem pra não falar
daquelas que fazem sangrar joelho na escada
só pra roubar um espelho de reflexo opaco
adornado de rubis e sangue
onde não mostra quem sou
e sim a possibilidade de quem serei.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sabadábadagem

Em um senhor lugar, incrivelmente decorado 
adornado por todos os cantos 
estava ali, todos estavam ali 
talvez não de consciência, mas estavam 

De nada me importava as luzes 
de nada me importavam as companhias 
meus olhos eram holofotes 
iluminavam apenas teu rosto 

Pedi um pingado pra deixar o torpor passar 
achei que era de cigarro com cerveja 
mas era teu cheiro de flor de cerejeira 
me enebriou e elevou a um estágio que não mais conhecia 

Estágio, condição 
que se vista em uma tevê 
seria vista como romance de vista primeira 
mas primeira vista em muito tempo, apenas

Criou-se espontâneamente, como obra divina 
a vontade cristalina, uma voz terna e macia 
que me dizia pra correr por nós 
pra te encantas e dar nós cegos pra não mais sermos sós. 








terça-feira, 11 de setembro de 2012

Memórias

Os mínimos detalhes
a parte mais simples 
os simples olhares 
os raros entrelaçares 
tudo isso constitui 
momentos, eternamente
inigualáveis.

Memórias são doces demais pra serem manchadas por sentimentos que não correspondem à nobreza. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pessoal demais pra não ser espelho.


Fizemos uma ponte, essa tal ponte durou e fez uma ligação, do impossível ao que se esperava de contos de fada. Ação, romance, melancolia, sofrer, tudo que um grande amor merece.

Grande amor?
Foi grande,
mas não grande de amor,
grande de todo o resto,
 mas não de amor.

 Prematuros fomos ao achar que era amor. Não era, era tudo prelúdio de dor.

De que valeu?
Valeu tudo,
 valeu de tudo,
 valeu por tudo.

E o que resta? Um vazio sem razão ou explicação imaginável, só eu e meus pensamentos agudos, apontando pra frente, onde meu futuro é próspero e infinitamente melhor sem você. Obrigado por me provar que eu sempre estive certo desde o começo, ninguém - digo ninguém mesmo - é digno de ser amado como se deve hoje em dia.
Que isso seja prelúdio de um tour pro inferno mais calmo e longo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

História real


Algumas pessoas fazem trabalho social no centro de São Paulo, distribuindo alimentos e cobertores pra moradores de rua.
Depois de um tempo encontram um homem que tem consigo várias sacolas e um carrinho de mão - e dali ele tira seu sustento, quase que nulo. Tudo isso na porta de um mercado. Essas pessoas chegam no morador de rua e perguntam como ele está, como é a vida dele, o usual ao se aproximar de um excluído social.
Mas aquele cara tinha algo mais, com ele estava um cachorro, e esse cachorro estava envolvido em muitos cobertores, enquanto o morador passava frio. Perguntaram-lhe porquê passava frio sendo que tinha ali o suficiente pra se manter quente. Ele respondeu que o cachorro, que na verdade era uma cadela - ao contrário do que se pensou, havia "dado a luz" à filhotes naquela mesma semana. Portanto ele preferia passar frio a ver alguém morrer de inanição ou de frio.
Perguntam então onde está a família dele, então o morador responde, minha mulher e dois filhos estão morando na Argentina, foram pra lá quando eu e ela nos separamos... Perguntaram então há quanto tempo não via os filhos e ex-mulher.
- Tem uns dois anos...
- Sente falta deles?
- Sinto, mas eles estão melhor sem mim.
- Por quê?
- Morreram na viagem em que estavam indo pra Argentina enquanto eu trabalhava, o ônibus capotou, só os três morreram... Então acho que as almas deles ficaram por lá, e desde então sou eu e minha cachorra. Mas não fiquem com essas caras, minha família acabou de aumentar!
Então as pessoas dão os cobertores, os pães, as garrafas de suco e as rações - que carregam no caso de encontrar um morador de rua que tenha animal de estimação.
E se foram, com lágrimas nos olhos ao perceber que eles enfrentariam a morte com menos nobreza do que aquele homem de aparência deprimente, que passará o resto dos seus dias com a certeza de que quando sua hora chegar, ele irá pra Argentina.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Pô, poesia!



Poeta não é obrigado a versar, versador não é obrigado a ser poeta.
Poesia pode ser vida nova, renascimento.Exposição nua de palavras rebuscadas que definam um momento.Momento nu exposto e definido. Definição de exposição por palavras rebuscadas, quase que nuas.
Pode-se dizer que poeta é alma atormentada, de tempos passados, se reinterando do presente sempre fora de tempo. Ainda dizem que o poeta é alma atormentada, mas aquela que não pára de buscar não-sabe-se-nem-o-quê, cheio de neologismos, hipérboles e metáforas, só pra deitar enrolado em seda quem lê, pois não quer deixar entenderem que a mensagem, que é mais simples do que podem achar... Poeta define o indefiínivel, e depois o define de novo... E de novo.
Deus,paixão desenfreada,amizade, alcool, boêmia e a porra toda junta. Isso é poesia. Poesia pode ser viver ou privar-se de viver... Quem sabe o caminho não é se isolar e odiar o mundo?!
Falácea. O mundo é estranho, um estranho estranhamente belo, mas tão belo, que chega a ser estranho... E vale a pena viver nessa estranheza, ser traído, trair, se desiludir, chorar, vencer, desistir, desistir de desistir e decidir por viver tudo de novo. Tristeza, alegria, amor, ódio. Extremos mas tênues irmãos.
"Isso deve ser poesia de viver..."


É, deve ser... Mas hoje eu vou presenciar uma...

Renúncia real!


Renuncio, de toda a mágoa
Anuncio-te o esquecimento
Renuncio à sua procura
Renuncio à meu querer

Renuncio a querer você
Renuncio à certeza vindoura
Renuncio à flores e danças
Renuncio ao sorriso

Renuncio à passeios atípicos
à lugares especiais
Renuncio à minha metade
Serei metade liberta

Renuncio teu eu
Anuncio um renascimento
Re-anuncio minha partida
Anuncio vida nova

Renuncio ao mandato do sono atormentado
Anuncio pesadelo com sorriso
Renuncio, à dor
Renuncio à você, em mim.


Renuncio à escutar o coração, ao anunciar o silenciar da voz do mesmo quando se tratar de ti.



-Daqui pra frente, não quero que seja vazio, quero que seja cheio de tudo, tudo mesmo. Que tenha desde dor até torpor, passando por estrelas e constelações, não quero algo fora do comum, mais algo fora do tempo findável, algo pra toda vida.




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Discorrendo sobre o amor, ou o conceito do mesmo.


Um certo dia ouvi uma música que dizia: "Quero um amor maior, que eu".
Seguramente, não quero nada maior que eu, nada que eu não possa lidar, quero um amor sob medida, beleza medida, com frases afetuosas e desmedidas. Quero paixão destemida, um rosto que me faça sorrir em meio ao mau dia.
Que traga fogo, ferro e choro de criança. Véu, igreja e festas de arromba, quero sonho realizado. Idealização que deixe de ser ilusão.Nada maior que eu, algo pra mim, algo com um pé no chão e o outro nas estrelas, olhos marejados ao dizer sim. Sim - salabin, a palavra - quase que mágica - que traria à melancolia, um fim. Esperado fim...
Acredito que sem o cinema, contos-de-fada e suas imagens de cavaleiro em armadura reluzente, músculos definidos e um sorriso em que a imperfeição está em falta, os amores seriam muito mais reais, menos pré-concebidos, mais vividos. Hoje é preciso aprender a amar, na medida, sem nada maior que você. Você, e alguém. Seja ela ou ele, se te deixa com borboletas estomacais, é o que vale.
Vinícius já citou que beleza é fundamental, mas ele nunca especificou qual era. A exterior atrai, mas se por dentro fores um Quazímodo, não terás nada mais do que casos apaixonados que minguam em dois, três meses.
Construam-se, entreguem-se, senão, a geração mais infeliz que já pisou na terra, será a nossa.
Eu vou amar, me entregar a alguém que me transborde e precise de mim. Já vocês, aconselho que façam o mesmo... De que vale toda a beleza do mundo se é maior que você? Que seja beleza na medida e amor sob medida.

As deslumbrantes que me perdoem mas a harmonia exterior-interior é fundamental.




(Rômulo Cesco)

E é?


Só com você dancei Sinatra, descalço no piso gelado. Cheirava teu cabelo como se fosse meu ar, um banho era uma cena de um épico mundial. Até o drama era irreal.
A vida é secular, no máximo, mas já te conheço há muito mais que uma vida. Nem que seja em vão.
Always faithfull to our feeling.
Se é que ainda é mútuo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Passagem pensante



Resolvi sair dos moldes que a vida passava. Saí, voei, dancei e até vomitei. Vi o arco íris ao alcance da mão, disse amor onde só esteve o prazer, mas valeu a pena, por um momento fugaz, os corpos nada trazem senão o escárnio do gozo. Desgostoso depois fico, mas se fico gozo de novo e saio sem dizer "Adeus". Aos meu conterrâneos da terra do absoluto, deixo meu adeus absurdo, nunca mais voltarei, ou voltarei talvez. Mas mudado de um, sem vez de três , muita bagunça.


Devaneio em blues


Sentado numa mesa de bar
blues a tocar, mais um whisky na mão
vou pegar meu violão
compor mais uma de amor
nessa vida sem sabor


Vou fugir pro alabama, encontrar meu baby nas montanhas
em uma cabana fazer amor, criar meus filhos envoltos em cantos de louvor
igrejas aos domingos, a quem eu estou enganando ?

Sentado numa mesa de bar, blues a tocar
mais um copo de whisky na mão (pararadá)
vou deitar no chão

E logo digo aos amigos
"na casa da luz vermelha ali na esquina, vamos dar uma passadinha, vamos conhecer as meninas?"

Vou fazer o quê se eu gosto da boêmia, se a noite pra mim é dia
vou corrrer e ganhar meu dinheiro, gastar tudo em bebida

Mais uma noite de chuva, sem me mover, na casa de campo
Vou acender a lareira, aaaah fazer fondue
que que eu to fazendo aqui? devia estar em outro lugar
cansei da vida, tendo alguém para amar

Quero voltar pra vadiagem, pra vida da sacanagem.


Ai meu deus o meu café está frio, preenchendo este vazio
um dia nublado e o whisky no armário, esperando a mamãe sair.
cansei, vou fumar um cigarro...





Estória da prostituta sem braço.



Em suma
não suma
se assuma
pra frente que se ruma

Transborde
mas não deixa que te bordem
de bedel a menestrel
todos adoram um bordéu

Sabes disso por isso faz de coração
essa menina é aleijada
perdeu o braço no machado
dirão que tentou colar, mas deixou de lado

Foi tentar a vida como mulher
da vida
bordéu nenhuma a quis
foi pra augusta ser feliz.




Só deixa sair e rume com a corrente.


Escritos de outrora
alcançando a aurora
apenas agora
rimando na hora, sem nada chora

Entrega-se a palavras momentâneas
que fazem do poema uma constante
mas não poética, não obstante do sarcasmo
escreve como quem tem espasmo

Solta, solta, solta
rima puteiro com celeiro e acha que tá legal
publica em algum lucar pra ver se é real
sente que na palavra as pessoas se acham

Só deixa sair  e espera que entre na corrente
como um afluente desvirtuado
que seguiu seu curso ao contrário
encontra a corrente pra tentar ir pra frente

O que nasce com nada
é interpretado por alguém como tudo
função da minha escrita é deixar sair
de um sentimento do mundo à suspiros de saudades.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

De passagem pela minha terra

Perdição que se olha 
admira sem saber 
corajosa nas palavras
cautelosa nos seus atos 

Tudo é pensado 
só transpassa ingenuidade 
quando na realidade 
é mais malandra que o gato da rua 

Fala com os olhos 
a cada piscadela um sentimento imprimido 
se vai deixando seu perfume meio adocicado
meio amargo, meio luz, meio opaco 

E aí temos sotaques distintos 
e quando me fala meu nome, ah!
como me atraio por erres puxados 
fora do círculo e entrando pela porta da frente

Se quiser fazer isso durar, que seja 
vou deixar estar que ajuda ... 
a me preservar, a mais gostar 
e a menos ligar pro que venha a calhar 

Hoje eu só quero curtir 
eu, você e o mar 
sem nada mais pra pensar, deixa eu fumar 
e depois vamos nadar, sem nada pra pensar... 

De passagem pela minha terra 
vem chegando devagar, espreitando minha brecha
eu percebo, mas não me importo, quero você comigo
deixa rolar, vai que vira uma conexão duradoura
              [vai saber, tudo pode acontecer nesses dias.

Chá de gengibre

Eu vou, não sei 
não sei se estou 
se fico ou 
ou ou, nada 

É uma bipolaridade 
quase psicótica 
tanta ideia que nem sabe 
em qual gaveta botou 

Em qual armário se escondeu a palavra mais bonita? 
talvez na porta do porão 
já que ninguém nunca entra lá pra procurar nada
fica trancada, empoeirada, triste... Fechada. 

Doe lembranças, doe sabores, doe vivências
apaixone-se, viva cada segundo 
não se apresse que tudo tem seu tempo
mas sempre no tempo, deixe tempo para o amor.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tomo por gosto


Se resumem em momentos
de cheiros, saliva e apertos
se jogam pelos cantos da vida
perdidas a querer alguém que as acuda

São essas que me atraem
esses pequenos pedaços do céu
desencaminhadas do caminho para o mesmo
mas a pretensão de levá-las até lá é maior
                               [do que qualquer medo

Alguns desses pedaços se revelam casos
uns desses casos que a paixão não cabe no corpo
e beijos são nada e o suor é inevitável
o tal do esgotamento é quase obrigação nessas horas

E depois do esgotamento, um beijo, uma carícia e um café
e cigarros se elas fumarem - que é usual - e depois a repetição
inevitável repetição, calor, unha na carne e respiração descompassada
é isso que move qualquer sentimental, o ardor da paixão.


A dor resultante é apenas consequência do ciclo findado, o coração aguenta e logo recomeça esse tour por outros corpos.

domingo, 5 de agosto de 2012

A juízes.


Chegamos como atacado
progresso pessoal que se viveu
foi prometido e nada aconteceu
cansaram de esquecer, decidiram se erguer

Na neblina espessa que se acumula ao teto
e as paredes estão a puxar conosco
risadas aparentes e olhares ao fundo
nada melhor do que ar a preencher a vida.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Trecho de "A Quebra do espelho"



Pensa em voltar, uma jornada inversa e impossível, se bem que o impossível é apenas algo que nunca foi feito, e por isso que existe a palavra pioneiro. Ele se pega perguntando se seria pioneiro ou traiçoeiro, atravessar novamente o espelho, hoje um misto de cacos e farelos que ele mesmo deixou ali, quando macerou seus sentimentos ao descontar a raiva no que apenas refletia o objeto do qual ele sentia nojo.

domingo, 29 de julho de 2012

Poema de valia sem a mesma;

Divino sou eu
ou divino é você?
sei que nada sei
mas sei quem se encolhe é tatu

No torpor infernal que a paixão me deixou, sei que o amor real voltou.

Amor real
brotou
desbotou
desbotou meu paletó

Fiquei de peito aberto
um laço sem dar nó
me corte
me deixe só o pó

Não há nada a oferecer
em contramão tudo a dar
uma oferta sem valia?
só tal amor dirá...

Cigarro.

Beija minha boca
percorre meu pulmão
brinca pelos meus dedos
é, fumaça, companheira da paixão
mas de nada valeria
se um dia não fizesse parar de bater o coração.

Elemental, a mudança.



Que venham suas máquinas!
que venham vossas colheitas!
que sua cultura seja industrial
que desmonte sua classe

Que um novo proletariado se crie
que as chaminés predigam a destruição
que este poema nada mais seja que um lamento
que a lágrima que corre em olhos bretões
               [lave seu manchado sangue ancestral

Que sua revolução não seja apenas industrial
que seja intelectual, mental, adeus romantismo!
que venha o capitalismo, com seu grande aliado, o conformismo
roguemos para que sobre algo além da dor...

Cada qual com a máscara que lhe compete.


Cada um tem seu cada um,
cada qual com sua razão
dois orgulhosos que não mudam de opinião
onde ninguém pode ouvir a voz da razão
enregelou o coração
e nunca se viu um despertar tão tardio
mas de coração gelado nada se ama
só se apega ao calor exterior
deixa lá dentro algo a cantar na gaiola
talvez um pássaro ou leão de focinheira
máscaras são tão comuns por fora
usar uma por dentro não deve ser tão ruim...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Marcas essas, fugazes e duradouras...





Já deixei minha marca em muitos lugares
floripa, rio de janeiro
de londres à liberdade
essa marca nem sei se ficou

Tem marca de todos os jeitos
rosa, vermelha, roxa, preta, com gosto ou sem
construindo lembranças
lava sai, ou uma semana que dura

Nem entendo que tanto afluente eu deixei
nem a razão que fez o coração querer marcar
não entendo o desígnio do encontrar
talvez uma lembrança a deixar, ou nada pra se lembrar
                                        [depende do nível da embriaguez



A marca que talvez a chuva lavou
ou se prego no chão, o passo no cimento
a bituca no relento, o beijo roubado, o chupão acizentado
tem gente que fala que noite não tem final, mas até marca da gente é usual.

Ferro, fogo e paixão.







Eu voltarei...


"Lê cantando... "


Eu vou voltar a ser maloqueiro,
 que é assim que eu gosto, ultimamente tá difícil
, to vivendo só no ócio.
Ocioso não dá pra ser,
assim não dá pra vencer, eu to aqui pra ver,
 alguém mais iludida que você
Melhor que cê não vai acha
mas vo deixa cê procura
mas na hora que cê volta,
já vo ta em outro lugar
outro lugar, outro rosto, outro corpo outro posto
posto de decolagem rumo ao céu sem miragem
já diria mano brown a vida é loca e sem massagem.

Tu chorando e eu sorrindo,
e eu vo chega, cê não tá com o teu mino?
ce vai fala que ta, mas que tá infeliz, e vai na hora me fala o que já sei é um chamariz

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Memórias

E o que mais machuca é o pesar, de não ter feito antes, de não ter levado adiante, de não ter sido constante. Não arrependimento, não há como voltar, mas que poderia ser diferente esse jeito de amar, disso dúvida não há. Mas o que sobra são pensamentos embaralhados, rostos endiabrados, e lágrimas nos assoalhos.

Memórias que não me saem da cabeça, cordas soltas desse nó que ficou por aqui... Pesar.Repensar.Voar.Pousar.Aí, contigo. 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ode à tristeza que se transforma em fodacionismo.



Eu tô cansado de falsa moralidade
falsidade, tristeza sem aplicação
se tivesse até poderia, pensar em uma ação...
mas vo pensar em quê? (esse verso 2x)

Venha a mim todo o resto !
todas são assim, nenhuma se respeita...
então não vamos respeitar!

Arriba! e tira !
tudo  que por !
arriba! e tira!
pudor!

Então hoje eu decidi,vo pro cabeleleiro
depois vo pro puteiro, se eu beber como o planejado
 a próxima parada é o coveiro!

Arriba, arriba!
e tira!
A vida!
Arriba! arriba! e desce!
desce não! aqui é quermesse!

é saia? nem precisa! é paulada na virilha!


Então hoje eu decidi,vo pro cabeleleiro
depois vo pro puteiro, se eu beber como o planejado
 a próxima parada é o coveiro!

Diálogo do diabo!

‎- Vamos lá, acende um cigarro. 
- Não agora, que diabo! 
- O quê falaste? 
- Não! 
- Não, depois.
- "Que diabo?"
- Porquê me chamou sendo que já estou aqui?
- Você é o diabo?
- É, eu sou.
- Ué, mas esse é um diálogo mental, como pode?
- E quem disse que eu sou um ser sobrenatural? Estou dentro de cada um.
- Ah, agora entendi. Mas ora pois, o cigarro não é coisa sua?
- É que achei que você era crente.
- Ah sim! Explicadíssimo.
- Mas você é o quê?
- Nem eu sei, só que você é mais um estado de espírito do que um ser palpável. O senhor dá licença que eu vou fumar.
- Vai com deus.

Ânsia

Ânsia
a cada tragada
ânsia
a cada mordida

Ânsia
a cada passo de distância
ânsia
está fazendo lambança

Cada trago
uma ode à autoflagelação
cada trago
libertação de sua maldição

Cada mordida
um problema que se vai
Cada mordida
um lábio que sangra

Ânsia de deixar de ansiar
ansiando deixar o anseio pra lá
A ânsia que vem e vai
só a terra que gira pode dizer

Nego nagô da noite de lua nova
bate palma pra dizer que já ta chegando
Seu cigarro em brasa de canto na boca
deixa queimar, tragando e vivendo é que vai matar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Pontas soltas!/?


Gente demais, supérfluo demais
companhias demais 
oito é cíclico
música boa, companhia indecente

Encontra, sorri após
e sai
Encontra, sorri após sair
"mais uma idiota"

Uma promessa que outrora foi feita
nem se põe em prática
só quando tem mulher feia
provar o quê? pra quem?

Mas elas são tão fugazes
são cheiro, cabelo e cerveja
olhos afiados ao olhar enluarado
a neblina nefasta as faz fantasmas de grife

A bateria toca
na batida da bateria eu te toco
uma batida leve e eu volto a mim
essa não é minha boca
-    vou trocar

Trocar de vida , de despedida
demente você, desmente a mim
despindo meu olhar, me dando seu sorriso
roubo, devolvo, furto e você nem sabe

O quanto eu quero
o quanto imagino, o quanto te quero
desminta agora, a mentira que fiz
                                  [só pra você...
mentira verdadeira.


As preliminares passadas, lábios vindouros
desconstruindo a verdade e inserindo itens de luxo
essa situação incômoda.
- A cerveja aqui é cara, meu caro.
- Cara, caro é ali no cara. Aqui é careca.
Só falácea
desmentindo a verdade já dita
construo uma verdade que nem foi real
caio no mundo do talvez, hipoteticamente;

Pontas soltas.

Pequena amarração


- Mas se quer me matar de prazer, pra quê não me deixar tocar em você?

 Amarrar meu vão mental ao seu abismo de medo. Junto a gente forma uma ilha de incertezas, lindas, apaixonantes, provocantes incertezas.
Sorrisos e mordidas nos lábios, nada mais que provocação incorporadas pela personagem que toca o "foda-se" no final e pula um muro. Sabendo que ali tem cachorro. Mas sabe o que quer. Quer sua bela ilha com seios do amanhã e uma veia pulsante no dia seguinte. A madrugada da confusão anuncia a aurora de um novo sentimento. O que ninguém viu estava acontecendo no vão. A ilha tá ficando perto. Embarque no meu barco em águas turvas, brotando sentimento de cintura alta.
- Quero ir onde ninguém nunca foi, nela; o que ninguém viu, o que outros dedos não sentiram. Quero unha quebrando na carne, quer tudo e mais um pedaço de pele rasgando carinhosamente seu passado fantasioso e mal-interpretado.

A ligação intelectual é a ponte de duas pessoas, aponte sua pessoa pra longe da ponte.



Deixa firmar.


Deixa, afirmar-se mutualidade. Reciprocidade.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Silenciosamente


Silencionamente
sinto tua voz me cortar o peito
em consequencia
sinto a lágrima escorrer
Silenciosamente
tristemente, a ilusão se esvai
caio de baque na realidade fluída
o rio que permeia meus pensamentos
era feito de sua essência
E agora está tudo seco
seco, nordeste,norte, de tão seco
e o que farei agora?
Silenciosamente
me coloco à soleira da minha porta
e bato a porta, às minhas costas
Silenciosamente
o sol me conta que não é a última vez que
                                     [ isso vai acontecer

Silenciosamente, eu concordo
e silenciosamente, eu ando pela calçada
observando como a vida é linda e renovável.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Poema da mudança, ou algo similar.


Pegar carona neste cometa
de olhos fechados
sem saber pra onde ir
sem querer saber pra onde ir

Só fechar os olhos e acelerar
soltar as rédeas
se ver sorrir
o coração é o lar

Não de outro
o teu, o meu, o do mundo
o amor é teu
o outro é complemento

Amor pra sempre
é conto de fada
amor pra sempre
é a mãe natureza

Brinde sua vida com o máximo de empenho
em viver, em sorrir
que isso baste pra tudo ser teu, pro mundo ser sua morada
não se limite por espaços, seja livre. Voa. Flutue. Vá.

Mais uma de escrita




Vozes que só se esvaem quando são transcritos. Psicografia do próprio pensamento. Personagens que gritam suas dores dentro de você. E você só pára de agonizar depois do último ponto de exclamação, depois da última dor transcrita, depois da mágoa apaziguada, depois de libertar seu obssessor. Isso é inspiração. Transe total, vozes de todos os lado e nem saber de onde vem o que guia sua mão, morder lábio, cortar dedo, sem sentir. Escrever com sangue, se preciso, isso é amor.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Turva-me as águas da paixão, dizendo-me que nada é de valia neste momento. Espaço-tempo dividido entre pós e após este dito. Flutuação. Lágrimas. Libertação. Indiferença.

Incentivo



Formação



Tens pernas
olhos, que olhos
consigo ver teus olhos em meus "o's"
é quase alucinação

Mel de "o"
quase uma forma de vida
aqui na frente
alucinação da saudade

Alucinação de estupidez
mel é saúde
você é minha saúde mental
eu sou tua alucinação



Reconhecimento




Deixe de lado essa maquiagem
foge
De todos
Foge

Foge dos paradigmas que te prendem
do namorado que não aprende
da vida que lhe foi reservada
do mundo que nada surpreende

Ganha o mundo, estufa o peito
cospe na cara dos idiotas
idolatra os humildes
e por fim, não se esqueça do idiota, aquele que nunca aprende.


Não se esqueça, o idiota vai estar te esperando
idiota esse que não se dá por vencido
o destino escreveu e vai cumprir seu desígnio
o idiota segue sua sina de carregador de malas.


Medo

Seria esse medo empecilho
Medo esse que impede
esse que apaga chama
que sufoca carinho
medo maldito que
guarda pra si o amor...

Amor, quadrado amor.



Sou uma  eterna ambiguidade
me falta sagacidade pra expressar
circulo pela cidade
junto a mim, saudosa saudade

Tempo longínquo que já não volta
volta tarde, volta sempre, lembrança é vivência
vivência é momento, momento é tudo
tudo é momento, tudo é eterno


Viver numa espiral sentimental
explosão de guerra no quarto miserável
pisar na sarjeta traz a mutação necessária
contendo assim uma vida mal vivida
                                                           [inacabável


Enquanto a luz celeste brinca nos teus fios
brinco de viver sorrindo, viver sonhando
com uma locomotiva com destino à eternidade
venha Vênus, venha reger minha vida.



Entre um cigarro e outro
eu volto às tuas graças
suas mãos e suas bocas
tudo teu, está em todo lugar

Explicação - ou não.



Dá pra apresentar peça, poema, extirpando assim todo o sentimento que tenho, esse sentimento de mundo que brota de meu âmago, meu cerne. Brotando na alma secundária que todo poeta maldito tem consigo, divide o corpo com um ser atormentado que surge nas horas mais sombrias, lançando luz às suas próprias divagações. Coisa que nem passava por aquele corpo, palavras enebriantes, perdidas por entre estoques de informação mental, toda essa receita de caos sai do nada que habita o lado escuro do poeta, a alma negra, oriunda de outros tempos, de outras dores. É uma alma só, dividida em milhares de partes, vagando e pegando habitat com almas pequenas que nascem da piedade do divino. Essas sim, agraciadas, talvez, com um dom que é a maldição do homem moderno. Misturadas as almas, pequena e sombria, evoluem à uma grande, sagaz e aberta pra vida, uma solução peculiar que traz consigo, as dores e sentimentos de todos, as experiências de poucos. Resulta-se assim, o pensar profundo.


Um par de seios


Um par de seios

vira a cabeça
de um garoto

Um par de Seios

sensualiza a mal amada
erotiza seu despudor

Um par de seios

felizes ao toque
excitantes observados

Um par de seios

normalmente assoviados
nada demais para iniciados

Um par de seios

Já foi motivo para
virar mente, corpo e alma de muitos homens.

Homem - Peixe


 Três pessoas que andam pela praia se espantam.

Pessoa 1 - Que porra é essa?
Pessoa 2 - Obviamente um peixe gigante, ué, será que é um mutante?
Pessoa 3 - Corre gente!
Pessoa 3 faz menção de correr mas pára, ao perceber que os outros dois estão imóveis, curiosos ao invés de paralisados de medo, como seria o normal.

Pessoa 2 - Tá com medo?! Credo, achei você era mais corajosa.
Pessoa 3 - É UM PEIXE GIGANTE, EU TO COM MEDO, CARALHO.
Pessoa 1 - Relaxa pessoal, vamo dá uma olhada, parece que ele ta andando.
Pessoa 3 - Ah, vão vocês, vou esperar ali no píer.

Pessoa 1 e 2 vão até o limiar areia-mar, vêem que o tal peixe gigante tá andando, penso para um lado, tem pernas. Mas a cabeça é de peixe, gesticula pois tem mãos, mas tem a cabeça de peixe.
Peixe-homem  - Ruídos de sucção e grunhidos.

Perto da areia, mas ainda no mar, aparece uma criatura com corpo de homem, que no final as pessoas iriam perceber que se tratava de um sereiano.

Sereiano - Vocês dois aí!
Pessoas 1 e 2 - Nós?!
Sereiano - Obvio! Podem jogar meu irmão de volta?
Pessoas 1 e 2 - Esse monstro é seu irmão?!
O sereiano sente-se ofendido.
Sereiano - EI! É sim, não falem assim. Ele é especial. Ou você acha que só no mundo humano que existem pessoas especiais? Ele tem a síndrome do corpo invertido.
Pessoas 1 e 2 - Ah tá! Assim sim.

E jogam o Peixe-homem de volta.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Poetas, poemas e afins


Falar sobre o ato de escrever é algo delicado, digamos que o pensamento flui tanto quando a energia do cosmos está presente no ser. Se não me fiz entender fica aqui a súplica pelo perdão de quem não entendeu.

O poeta nunca sabe ao certo o que está fazendo, em suma, retrata o que seu âmago lhe propõe, e a medida do que lhe é proposto por ele mesmo, traz à tona uma tonalidade ímpar de sentimentos que usualmente tem seus pares.Normalmente impulsionado por vinho e cigarros.

Alguns falariam que são gênios incompreendidos, apenas rotulo-os como pessoas de extrema sensibilade e sentimento, não podendo guardar, tentam mensurá-los em palavras, mostrando ao mundo como são, como se sentem.
Mas assim como o vento frio das palavras soltas sopram na face - de quem ouve/lê, causando torpor ou admiração -, ele passa e as pessoas, com medo de que o vento frio possa vir de novo e do que possa acarretar, colocam seus sobretudos e cachecóis de estereótipos - vorazes moldados por uma sociedade vã, protegendo-se assim, do sentimento real.

E no final o poeta é mais um espectro que vaga por uma terra orvalhada, pensando o porquê seus demônios são os dele somados aos do mundo. 

Em um momento
tudo foi entendido
poucas vezes se fez tal claridade
 sem foto
não há lembrança concreta
mais fácil de se esquecer
mais fácil de se conviver
sem dor, sem sabor
sem dessabor.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Uma salva de palmas.


Viva a sociedade lixo
que fazem mortos viverem
para dar lucro apenas
mas eles procuram um motivo

Sugeri um dia que olhassem as estrelas
olharam para a televisão e estagnaram
criaram raízes, e a exemplo de tarzan
viraram reis da floresta que habitam

Nem preciso dizer que reis de nada são
se não conhecem a floresta, não hão de se encontrar
hão de se perder da forma mais bizarra e impensada
típico das máquinas que perdem a utilidade.



Um copo cheio
nada dentro
cheio de merda
com base de cimento

Um copo cheio
nada dentro
olhar perdido
fumando ao relento

Um copo cheio
nada dentro
ele vai, ela vem
pra quê tanto sofrimento?

Um copo cheio
nada dentro
ela vem, ele pede arrego
isso é arrependimento?



Sinto a noite como sinto a fumaça que sai de meus pulmões - como que um tributo ao agente da morte. Essa noite, a exemplo de outras, abriu meus olhos. E ainda assim, me deixou dor; dizem que só se tem uma vida pra viver, então viva várias e foque no agora... Essa já foi uma filosofia plausível, mas hoje, nada passa de besteiras que se mostraram enquanto eu pensava em argumentos para provar a exatidão da teoria. Não sei se infeliz ou feliz, mas vou vivendo e levando como deveria, faço o que me der na cabeça e nada mais. Raro pensar em outrem, mas não é esse o ser humano? Eu sou humano, errado, cruel, egocêntrico e sarcástico, pois é assim que todos deveriam ser, ao menos um pouco, me privo dos estereótipos mas imponho barreiras.

Prelúdio

Uma garota na soleira, acompanhada de um amigo, conversam animadamente, tão animadamente quanto seu estado permite... Seus nomes? Tina e Nico. 

Três dias se passam. 

Um sofá poído e uma tevê empoeirada, no chão dois corpos inertes, cortes, mordidas e batom, muito batom. A perícia fica imaginando o que teria acontecido ali, já que haviam sinais de mais pessoas no recinto além dos dois cadáveres, marcas de pés e digitais que não constavam em autuações. Tudo isso seria um grande mistério se não fosse apenas por uma questão: Sem arcada dentária e digitais, é bem difícil de se identificar alguém. 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Viagem


Todas as vezes que pisco, me vejo longe de todos, não sou daqui, estou aprisionado num invólucro mortal, nada mais, nada menos que fraco. Humano é cruel, humano é triste, humano não sabe o que é liberdade. Felizes são os pássaros, que selvagens deixam seu instinto lhes guiar, não tem regras a seguir, sua vida é viver em função da vida, papel não existe, ideias revolucionárias não existem, cores de olhos, cores de peles, nada influi em seu modo de vida, são todos iguais, comem a mesma comida e viajam pelas mesmas rotas, são um... Seria melhor ser passarinho que ser feliz... sutilmente ascendo à tristeza.

Apenas é.


É nicotina com gosto de menta
é alcool com gosto de limão
é sexo com gosto de ocasião
é gente com gosto de solidão

É vida sem gosto de exatidão
é viela sem gosto de direção
é desamor com gosto de coração
é sangue com gosto de perdão

É  vermelho pelo gosto de revolucão
é música sem protesto ou proteção
é proletariado sem patrão
é problema, é irmão matando irmão


É papel que deveria ir ao fogão
é metal que deveria ser latão
é cobertor de papelão
é a realidade dessa sociedade de cusão.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Aviso



Uma névoa que encobre o que deveria ser o horizonte, ele senta, procura seu maço no bolso interno do casaco, transforma o ato de acender um cigarro em um ritual, no qual ele se perde em divagações no pequeno interim em que a chama ainda não faz contato com o tabaco, um pequeno tempo para o tempo humano, mas muito tempo pra quem não tem mais, tempo.

Ao puxar a verdadeira razão da sua lenta degeneração para seu pulmão, sente dores e pontadas, talvez em razão do arrependimento que lhe toma depois de quase vinte anos sem pensar no amanhã, talvez pelo fato de ter acabado de saber que a quimioterapia não fizera mais efeito... Seu câncer era terminal, seu pulmão, inválido. Sua vida, cinzas de uma fênix extinta.

Saíra do departamento de oncologia já como um cadáver, com olhares de pena que lhe cercavam, com tapinhas no ombro que em seu interior machucavam, machucavam nem ele sabia o quê, pois morreu no momento em que sentiu um prazo, sem mais a certeza do amanhã para lhe incentivar, sem destino pra depositar sua fé... Decidiu então, com uma lembrança feliz, a única que lhe trazia real felicidade, a única que foi pura, que lhe trouxe felicidade sem exaustão, degradação ou êxtase, apenas uma lembrança, de um velho pé de romã, na encosta do morro onde se criara.

Entrou no carro, não olhou pra trás, não se arrumou, colocou um casaco, não avisou a família, simplesmente partiu... Preferiu aproveitar-se do frio que fazia no morro, na companhia do agente da morte - o cigarro, esperando-a como um filho que espera a mãe buscá-lo na escola, onde aprendeu lições importantes e que quiçá, não fará novamente... Se é que existirá novamente. E assim se foi, vazio - sem nada de importante a compartilhar, careca, quase como veio ao mundo, não fosse por uma cueca, regata, calça, casaco e um câncer que havia originado-se no pulmão, que lhe consumiu o corpo, e agora tomava o que restava, a alma e a vontade de viver.

Será que suicidas conservam sua essência?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ambiguidade



Na batida da cidade todos se encontram como aliados e adversários ao mesmo tempo que abraçam, plantam provas no casaco do "amigo". Essa é apenas mais uma situação corriqueira, um quadro comum na sociedade atual, falsas amizades que tem por objetivo apenas prejudicar ou tirar proveito do outro.

Mas nada devemos fazer quanto a isso, apenas nos resguardar de tal mal, mais que isso é se igualar a tal indivíduo malfazeijo. O que não teria utilidade para uma pessoa que procura manter-se íntegra em meio à multidão.

Não nos é dado o poder de julgar ou punir ninguém, o que nos cabe é concluir com louvor cada meta que traçamos em nossa vida, quando outrem joga as próprias metas no lixo, é só mais um fraco que ficou pelo caminho, deixe que a vida pune, o mundo gira e o universo mantém seu equilíbrio. A natureza tem um jeito de se corrigir.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Algo pessoal.

Certas palavras invocam uma energia tão forte que seu âmago grita em apoio ou desprezo à tal invocação... No meu caso, a palavra "anjo" traz lembranças tão numerosas e fortes como a quantidade de sal do Mar Morto, decerto algumas amargas como o sal do objeto da analogia, mas nada supera lágrimas que caem em súplica por dias melhores. "Anjo".

Portas


Entendo muita coisa mas sei de nada. É assim que tem que ser, na perseguição da verdade podemos perder o contato com algumas virtudes importantes. Não seria a ignorância um caminho fácil para a felicidade? Mas como dizem, "é grande a porta da perdição", então não seria esse caminho fácil para a felicidade, um atalho para o caminho dos perdidos? 


Na verdade a felicidade verdadeira só é fruto de luta, pois sem ela não há honra, sem dor não há real felicidade, é como luz e trevas, um não existe sem o outro.

sábado, 21 de abril de 2012

Adianta?


São espelhos pela sala
cacos aos seus pés
mãos que pingam
ninguém conhecia a que foi assassinada

O mundo o sufoca
machuca a si quando é pra lutar
e luta quando não é
Ninguém conhecia aquele que se jogou da ponte

Borrões na multidão
o mundo se resume a você e mais ninguém
quem merece viver já vive
ninguém conhecia o que morreu no acidente

Borrões na multidão
a sociedade em constante mutação
prega o pastor para que ninguém mate o irmão
ninguém se importa porque ninguém tem face

Fé em algo que não se vê
gosto pra bocas impulsionadas por toxicidade
sexo desenfreado para saciar a carne
ninguém sabe de mais nada além de si, a quem também não conhece.

De quê adianta tudo?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Animais

Noite feliz, noite de amor - mas sem senhor, sem senhor e a felicidade, não está lá ao contrário do que acham. Não nasce ninguém, mas poderia daqui nove meses. Sem dor ou rancor - dor só em razão da fricção.

No vai e vem mecanizado  -pautado por arranhões e gritos selvagens- não são um e sim dois indivíduos longínquos que se embatem em um cruzamento quase herege. Sem carinho ou apreço, quase que famintos por uma carne que preencha um vazio que fluido algum irá fazer, apesar do que esperam.

Não hão de encontrar realização onde nada mais se espalha além da podridão, o mal cheiro das paredes mofadas e da cama abarrotada de outros corpos. Não sabem os nomes um do outro, nem de onde vieram, suas histórias. De que importa? Se os seios estão no lugar e o pau é grande.

Onde a carne clama o amor não alcança.  Só dois buscando êxtase, sem amor ou transcendência, após, trocarão.

Só dois

Acorda com beijo do meio-sono que estava,em razão do fogo que se desprende da epiderme, brota o suor lentamente, fazendo regar cada parte do peito iluminado pelo luar. Seguindo cada gota que se desprende da nuca e peito, rumando para o lugar mais esperado do corpo humano, despertando o imaginário de quem lê e as lembranças de quem já viveu... Calor.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Imortalidade

Alguns se vão pelo caminho torto
mas quem há de dizer que não é certo?

Outros seguem tudo que lhes dizem
e o ganham é uma fila para jazigo público

Sem mais nem porquê
apenas mais um nome entre muitos

Enquanto outros se põe no risco
a linha de frente honrosa

Louros são apenas para ganhadores
mas ganhar é uma possibilidade dos que tentam

Todos morrem, isso é fato
a imortalidade depende do interim.

terça-feira, 27 de março de 2012

Sem mais.

Ninguém sabe pra onde vai ou de onde veio, assim, de pronto. Mas sempre temos a esperança de traçar o nosso futuro baseado nos conceitos - as vezes mal interpretados - de amor, aspirações e estima para consigo e para com outrem. No final, somos todos grandes incógnitas elevadas ao infinito. Todos temos grandes espaços não preenchidos. Temos de confiar no destino, se é que existe algum - a lógica diz que deve existir senão por inúmeros acasos, todos somos grandes coincidências sem sentido.
Mas esse não é o barato da vida? A dúvida? A grande busca por algo maior, que nos preencha de todas as formas? 
Perguntas não respondidas estão por aí, cabe a nós ter gana de procurar as respostas, talvez no profundo de nosso ser. 
Ás vezes ter todas as respostas pode ser mais prejudicial do que tentar responder mil perguntas. 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Quebre suas cadeias.

Somos todos ovelhas, zebras, porcos? Animais domesticados para o uso de outros animais? Tanto que somos etiquetados para não nos perdermos do rebanho, temos números de identificação, nome próprio... Isso lhe faz um cidadão, direitos e deveres ou um escravo da constituição? Que só tem afazeres? O ideal anarquista se aproxima da utopia de felicidade, conceito longínquo até como utopia...
Felicidade é momento, sorriso não perdura por mais de cinco minutos, piadas nojentas, satíricas e ridículas hoje fazem rir.Amanhã não esboçará nem um sorriso...
Ser humano, o que seria ser humano? Quem é humano, o que classifica um humano? a capacidade cognitiva mais avançada que de outros irmãos de planeta? Isso os torna superior? Não gostaria de fazer parte de uma raça que se diz tão boa, sapiência que transborda mas boa parte do continente-mãe do mundo está entregue à fezes e podridão.

No ocidente, é mais subliminar, as pessoas tem medo, mensagens de que devemos ficar em casa brotam mais e mais, em nossos telejornais, nossos rádios, nossos vizinhos... Nossa vida é toda moldada para um sistema que oprime e sujeita a nós, as mais diferentes mudanças. E isso é tomado como normal por todos, corrupção é usual, a moral não mais existe, a ética é deturpada, tudo em razão de um maldito papel. O qual o Banco Central pica e incinera aos montes por estar velho.
Vale a pena matar, se matar de trabalhar, não aproveitar e  morrer em prol de todo um sistema opressor?
Se você tem esperança, transforme-a em coragem e haja. O que está por vir é único, é a seleção, os fortes sobreviverão. Faça sua cabeça antes que alguém a faça pra você. Senso crítico e colocação são qualidades a se aprimorar, ou criar, se for o caso.

Quebrem as cadeias mentais que te aprisionam no mundo pequeno construído pra você.

terça-feira, 20 de março de 2012

Abraão.

Abraão era um bom estudante, agradava seus pais, a namorada, o chefe, e ainda mais, sua amante. Abraão seguia regras, fazia de tudo por eles, por ela, mas só viva com ela. Abraão ouvia, Abraão obedecia, Abraão não dava azia, mas Abraão só dava prazer a ela. Abraão era profundo, Abraão era oriundo de outras eras, Abraão agradava sem mostrar mazelas, mas ainda assim, só era ele mesmo com ela. Ela não tinha nome, estava lá quando chamava "Ivone"! Mas sabia-se que esse não era seu nome, ainda assim, ele era seu homem. Abraão pra ela corria quando seus pais brigavam, quando a namorada implicava, quando o chefe o espancava - mental e moralmente, e ainda assim, Ivone o ouvia, consolava e sorria quando dizia "te amo" da forma mais sincera que ambos já haviam ouvido... Mas não era amor doentio, muito menos febril, era frio, contato apenas no ato, consumando o fato, de que não era dela ou dele, eram dois em um, uma vida conjunta misturada a duas, nada de mais, nada mais que o normal, o problema de Abraão e Ivone era outro, era mental.

Só mais uma data no calendário
só mais uma foto no canto do armário
só mais um garoto à ouvir seu velho rádio
enquanto na cozinha jaz um canário

Gordo, de olhos amendoados
Lindo, desses amarelos, sem vida
mas belo

Belo como um cigarro apagado
como o amor findado
como a chama extinta
como o fogo aceso da chaleira

Belo como o despertar do dia
com a neblina que envolve a matina
reflete no lago que está a interpretar
o papel de espelho, á luz sem luz, sem luar

Só lembranças de divagações
trechos de canções
tudo isso, um pedaço de um garoto
que se mistura entre multidões.

Chega

Chega de máscaras
chega de lembranças
chega de esperança
chega de esperar
chega de voar
chega de cair no auge
chega de expectativa
chega de tudo
chega de nada
chega o dia em que se vê que tudo tem que chegar ao fim, o nada é o que  - mas nada resta ou presta hoje- resta, chega.

Trague a mim, não a fumaça.


Então trague o vapor de minhas lágrimas, ácidas como nada a teu coração, trague para que haja algo em ti - que seja meu - além de mágoa. Olhe para a fumaça que sai de minha boca, proveniente de meus pulmões - com o usual ar de nojo - pensando que é por escolha minha, pensando que a degradação é arbitrária e não, inerente.