quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Esperança

Estou olhando pra lá, longe ao horizonte
me sinto impelido a algo
não consigo discernir o que é
logo me encontro, acho a voz

No fundo ouço um clamor
é um de meus prisioneiros
chamando meu nome, "solte-me" grita
grito de volta " não posso, não devo"

Não devo por orgulho
nada de perdão para algo que condenei
penso como um agente prisional
esperança de mudança não pode se manter real.

E ainda assim, não calo esse detento
que grita, quebra a sua cela, e na transferência foge
corre para tão longe que o perco
não faço questão de procurar

Depois de algum tempo me fala enquanto sonhador
volta a se manifestar, mas não diz sua posição
está em paz, não há motivos para persegui-lo
esqueci de seu nome, que um dia registrei como "bondade"

"Persiga-o","deixe-o, governe a si mesmo"
conselhos diversos de urubus
grasnam como corvos animados
vêem minha aflição e dela tiram diversão

Logo descubro que meu fugitivo
fundou um estado independente que vem crescendo
e agregando muitos outros fugitivos
todos querem uma mesma coisa. O nome do lugar?

Esperança.


 De onde viria essa esperança
sentimento tal que nunca existiu
ou será que coexistiu, sempre com a dor?
sempre na alma minha, a mesma de seu criador?

Soleira

Estou sentado
na tua soleira
esperando que saias
te levarei na escola

Te buscarei na saída
te levarei ao cinema
promessas de amor
renúncia à dor

Não mais lhe farei sofrer
quero te amar
lhe ver sorrir
eu espero...

Um beijo teu me dá forças
se quiseres espero toda vida
um dia contigo já me vale o mês
um sorriso teu já me vale o dia


Espera pode ser triste
um cessar de batimentos sem o perdão
um olhar perdido pra sempre na escuridão
uma vida perdida, mais uma em vão

Mas contrariando expectativas
não há desmotivação
há forças, que brotam do chão
brotam do olhar, e lhe sigo, vigio, como um cão


Ah espero,garota
me dá barreiras contra mal alheio
me dá sustento no dia frio
me dá calor quando sentes calafrios...

Espera que pode ser triste
um cessar de batimentos sem o perdão
um olhar perdido pra sempre na escuridão
uma vida perdida, mais uma em vão

Mas contrariando expectativas
não há desmotivação
há forças, que brotam do chão
brotam do olhar, e lhe sigo, vigio, como um cão

domingo, 25 de setembro de 2011

Carcereiro

Se baseia nas palavras
daquela pessoa
"o karma vai te pegar"
e ele foge

Foge, esconde, muda
mas o karma ainda chega
a bosta é no ventilador
pega em todos nós

Mas um dia brilha
o sol, o diamante, a lua
a salvação
na visão de cada um

Vidas dentro de uma
pessoas dentro de mim
todas gritando e se debatendo
querem viver, não mais presas ficar

Prendo, crio mais vidas para encarcerar
sou um guarda prisional
nada me passa, deixo todos enjaulados
deixo sair a que já mudou em essência

Seres sem face, presos e acuados
carcereiro malvado, de chibata em punho
esperando um sinal de vida interior
para suprir em dor.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Novo

Novo, de novo
tiro o forro
num repente
estou no jogo

Volto a campo
sou substituto de idiota
parafraseando futebol
saí perneta e voltei craque

Sorrio a toa, a vida tá boa
paro pensar, não sou bobo
sei que uma hora, deprê volta
mas hoje, ela ta sem hora

Não quero mais saber
amor de araque eu não quero
contratei publicidade positiva
nada mais de fogo na minha foto.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Construção part.1

Cansei, da cidade
do mato, do asfalto
das árvores, das pessoas
queria pra mim, uma praia

Deserta de gente e de vida
apenas um lago, de bom tamanho
pra construir felicidade
um dinheiro pra gastar

Nada a me preocupar
cansei de tudo
do mundo que me ataca
do mundo que me defende

Não quero mais nada
quero fugir
mas pra quê fugir
sendo que minha vida é aqui?

Sou muito mais do que sou eu
sou amor, sou família, sou fé
mas cansei de cigarro, de putaria e cabaré
quero um amor, pra ser feliz, pro que der e vier

Caminhos estreitos

Fora, sozinho ao relento
na cara, o vento
nada de amigos
todos perdidos

Não é mais iludido
sua fé é em si mesmo
hoje em dia, só conhecidos
nada de aproximar, distância dos mortais

Perdeu a fé no mundo
política é suja
rosas são podres
lindas,encantadoras, mas podres

Caminhamos para o caos
ninguém mais se importa
o que senta ao lado
no final do dia come bosta

Pra sobreviver
pra ter o que comer
não vê sentido na vida
nada de pureza sadia

Tenta achar um caminho
mas na encruzilhada para
estradas são tortuosas
muitos desvios, nenhuma certeza

Certo que do mesmo destino todos compartilham
trilha o seu, " o que tiver que ser, será" pensa consigo
fuma,bebe,estuda,melhora,piora,some,regressa
como se nada tivesse acontecido, e a cada raiar, a máscara é colocada.

domingo, 11 de setembro de 2011

Início do fim?

O ar é tóxico
enche meu peito de rancor
meus olhos de lágrimas
o amor se perdeu quando me disse adeus

Entro na escuridão de mim mesmo
só pra aumentar a dor, um dia ela sai
quem sabe um dia
um projeto de sorriso sincero apareça

Até lá sigo vagando
em mim, na rua, na avenida
perdido em mim mesmo
pensamentos nebulosos como uma contelação embaralhada

Depressão a espreita
saio pra fumar um cigarro
a cada tragada, vai um pouco de vida
acendo e apago, acendo e apago

Sinto vontade de sair
mas logo passa
e no vazio que você deixou
eu caio

Caio de baque
vejo que é o solo
olho pro lado, por reflexo
você não está mais lá

Olho pra lua, imponente
olho pro lado
cheio de ser insolente
quero ser humilde, decente

Olho pro verso do maço
está estampado "morte"
não seria uma puta sorte?
perdi a vontade...

Mais cigarro, menos cigarro
não é comigo que me importo
vai ficar bem, talvez outro alguém
lhe apareça e lhe faça amar outra vez

Enfeitado

Terra, tênis sujo
camisas brancas na lama
cenário cabreiro
um dito puteiro

Mas só um terreno
cheio de veneno
na língua, no toque
perversidade em estoque

Calça e bermuda
ambas jogadas de lado
calcinha e cueca
e o soutien... sem par

Terceiras intenções
agora à mostra
corta caminho?
desculpa de bosta

Subitamente, um surto
de consciência
"não posso tirar sua pureza"
respeito e sinceridade, raridade

se não fosse de partir o coração
seria até romântico
mas nada foi até o final
ele é bom demais pra ser mau.

sábado, 10 de setembro de 2011

Paixão tristonha

Seria errado aceitar
esse sofrimento com humildade?
não lhe resta mais nada
nem chão ou coração

Tão doce, tão gentil
amarga e rude ficou
por sua influência
é paixão tristonha

Caíram céus, montanhas
em cabeças, mas eles ficaram juntos
como o  amor triste os segurou, ninguém entende
é muito mais do que se pode imaginar

Ele não pensa, fuma
não vive, bebe
vitalidade se esvai a cada dia
porque sabe que

A boca que beijou
a boca que disse que amou
a boca que lhe foi gentil
é a mesma que lhe disse adeus.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Dor

Acho que sou masoquista
a dor lascinante
me força a ir adiante
hoje vivo pelo instante

Fuja, louco!
é o que me falam
viva, babaca!
é o que penso

Pretendo continuar
esse sofrimento é bom
clareza de pensamento
enquanto a dor está aqui.

Clamor de um solitário

Nem sei quantos cigarros fumei
não sei o quanto bebi
perdi a conta na décima
perdi a vontade com a lembrança

Só sei que sinto tua falta
um clamor de um solitário
que vaga por entre noites
e não suporta nenhum sol

Pois ele me lembra você
devasta essa vastidão de vida
tudo a minha volta brilha
mas aqui dentro é escuro

Não sei se voltas
nem sei se quero que voltes
estais melhor assim
sua felicidade acima de minha dor

Nada pra chorar
lágrimas se confundem
com as garrafas vazias
nada mais é real, quem sou eu?

Não sei se sou pássaro
cachorro ou humano
tudo é tão mundano e insano
quero fugir e nunca mais voltar

Ver o mundo, provar até cansar
um dia quem sabe voltar
ambiguidade presente no meu cerne
quero te ver, de longe.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Andorinha

Prenda a respiração e solte
sabe o que é isso?
Liberdade
sensação pura e só tua

Pode voar, beber
acordar sedento
e depois beber mais
ninguém para prestar contas

Temos de voar, e voar
de muitas águas beber
até decidir qual a mais fortificante
mais pura e saudável para nós


Um pássaro engaiolado muito tempo
depois de solto voa sem parar
voe, voe, faça teu ninho
uma vez que cansar de voar.

Hoje, aqui, amanhã, quem sabe?

Mesmo que meu maior inimigo
seja eu
serei ainda teu Romeu
lhe farei sorrir com flores entregues

Lhe farei rir de tolices alheias
lhe darei um mundo
que ei de descobrir
com ou sem você

Se não fores comigo
voltarei para lhe dar
o mundo, todo
de presente, sem promessas

Sem terceiras intenções
só uma recompensa, por me dar a vida
de resto fará o que quiser, estarei aqui
ou lá, acolá, tens meu coração em teu peito

Não há dúvidas, te amo
mas donzela,sou bom para ti?
sou gentil para com meu amor
mas e para ti?

Mas se para ti sou tirano
cruel, mentiroso e insano
prefiro manter assim
a dor não será sua morada

De linguajar emprumado
de visão aguçada
por dentro doente
vendo o que ninguém vê

Minha busca é atrás do amor
viajante da estrada deserta da vaidade
tenho lar na dor
um dia mudo de casa, até lá, continuo vagando.

domingo, 4 de setembro de 2011

Miosótis

És tão bonita
e nem sabes
tão atrativa
a meus olhares

Furtivos e aflitos procurando-lhe 
em meio a multidão nua e sem nome
meu sobrenome desejo lhe dar 
é isso que tomam por amar?

Não sei se é paixão 
se fosse pediria extradição
rolo e não durmo no colchão 
caio de baque

Acabo por pensar no fim
compro jazigo e caixão
o fim logo chega
talvez pare o coração

O mesmo que bate
o mesmo que vive
intensamente revive
arrebatadores amores

O mesmo que sangra
que alimenta
que chora
que nos tormenta.  

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Medicação

Como reagir quando o chão
lhe é tirado quando tudo some
e fica, aquele vazio
você desvairado

Sem saber pra onde correr
saídas normais, da maioria
antidepressivos, remédios
receitados por gente sabida

Mas eu sou meu doutor
meu senhor, adoro bebida
o bar é logo na esquina
e lá também tem cocaína

Essa é a minha saída, minha medicação
alivia dor do coração
depois do porre, de ingratidão
vem a rendição? não.

Sucessivamente perdido
uma hora construo um refúgio
nada mais de fugir
a minha realidade é alternativa.