quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Opinião

Não me agrada esse empolamento todo, 
que os poemistas fingem ser necessária para poetizar. 
Não é. 
Poema é alma.
É dor. É fel.
É amor.
É pênis. É vagina.

E gozo, muito gozo.
Gozo da vida, gozo da porra da dor.
E gozo de porra.

É tudo e apenas é
não precisa de palavra grande
não precisa nem falar de boca cheia

quando recitar
só precisa falar
não precisa fingir

só deixar o pensamento
a corrente da loucura seguir
afluir

Poema é.

Sem floreio grande
sem choro de instante

Poema é
até o que eu quiser que seja
mesmo que seja eu
falando de cerveja

OU

daquela mulher cor de jambo
caramelada que só ela
que me bambeia o mundo
todo dia de pagamento

Poema é,só é.

E tudo mais que a vida puder carregar.
Tudo mais o que a mulher puder carregar no bucho.
E tudo mais que o dicionário do poema simplista pode dizer.

Samuel Simples.

(R.C.)

Reflexões de Felipe Falso

"Seguidamente sinto-me engolido pela massa, pela aglutinação de informação rasa, por muita gente rasa. Sim, todos esses rasos, não-profundos, ralos e sem cor. Iguais. Em forma de roupas produzidas em larga escala para estereótipos incutidos subliminarmente - todos vindo à tona quando piso na rua. Como se todos as palavras já ditas foram jogadas ao relento, o vento as levou para outros ares mais nobres, e eu fiquei aqui. Na submetrópole, subjugada e subnutrida de finalidade.

Somos um organismo vivo que tende a continuar cegamente no martírio diário, imposto pelo capital agressivo... E o alento? Ah... Deus salva e amortece tudo.

Entristeço, pois já não me dá esperança de continuar vivendo nesse meio-termo, nessa meia-vida, nessa limitação toda. Nessa rotulação excessiva. Nessa meia história já escrita.

Não há livre-arbítrio, apenas discricionariedade. 

Acredito que as necessidades humanas são muito maiores e plurais do que apenas viver para ser número. Para ser rebanho e parte ínfima de um certo volume pra voto. Me recuso a fazer parte dessa farsa. Mesmo que pra isso tenha que ser recluso - o que até pra isso precisarei de dinheiro, portanto, terei que trabalhar n'um emprego que não gosto, com pessoas de alma pequena, de cabeça pequena e pior, de boca escancarada. Escarraria na cara de todos se pudesse. 

Caso não venha a ser um recluso. Chegará um dia em que meus porres não mais aliviarão, que a maconha não mais me tornará mais leve. Um dia em que os livros que li me farão explodir a cabeça tranquilamente, sabendo que independente de onde vá, serei mais livre do que aqui, pois já sei que não há mais nada lá fora para mim. 
Essa é a meta. Viver, reter, repassar, aprender até cansar, e quando cansar, partir. Sem hora-extra." 

R.C.