quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Energia diferente

Na sala desarrumada
perfumada pelo cheiro amadeirado
do violão cansado, deixado de lado
apoiado no sofá, cena de se admirar

Sentindo a lua como sua amante
energia de vida constante
mutação de tristeza pra leveza
raro de se notar que alegria é conhecida

Pula e abraça a noite
conecta-se, sente a relva orvalhada
seus pés são raízes de mogno
é um velho num corpo jovem, pula!

Pula para alcançar as mãos da lua
que com sua eletrecidade branca o tem
quase constrói um foguete para alcançá-la
mas lembra que a idéia é mais aconchegante
                                                       [que a realidade com outrem

Ainda assim mantém sua admiração
olhos fechados e peito aberto
uiva como lobo que busca sua matilha
mas essa já se foi, assim como seus pares e suas cantigas

Mas a solidão é boa pra manutenção
deste coração incessante no viver
amar é muito mais que prazer
hoje está em falta alguém que mereça tal querer

Mas noites são curtas e pesadelos longos
guiando por entre vielas e pesados troncos
bloqueando a vida  deixando no breu
mas é ele quem conduz, traz consigo no cajado, a luz

É mais um semeador de vida, de alegria
quer ser companheiro,parceiro de uma outra vida
quer um amor eterno, todavia não existem contos
tudo tem um findar, o que resta é amar, aproveitar, viver e desejar.

Boa energia

Uma boa energia é uma conexão
entre mente, corpo e coração
é querer melhorar estando bom
é querer sorrir estando triste
é querer um ponto, sem bases
é estar presente quando fugirem
é estar ao lado de quem corre
demonstrar que não cansou
é estar do lado quando estão atrás
boa energia é viver
boa vibe é se ter, pleno
feliz.

Groove bom

Não lesa 
pra destressar 
pula no lago 
deixe-se envolver pela energia 

A luz do dia é o refúgio
num groove bom
a goleada do sorriso
o abraço sem compromisso

Lave a alma nas águas turvas
perca tua depressão na vastidão
na profundidade deixe cair a lágrima
e deixa a mãe natureza te refugiar

Perspicaz essa alegria que brotou
é uma fonte inesgotável
cuida pra que não seque
cuide pra que tenha afluentes

Cuide para que seja boa
cuide para que poucos dela bebam
que muitos dela se beneficiem
que tua vibe seja luz

Um brinde ao sorriso despreocupado, a cerveja no sol ardente, ao abraço desejado, ao beijo roubado, um brinde a vida vadia.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poético

Não necessito de título pra me fazer lido
limitar, procurar, definir
não sou nada
sou misto, monstro

Sou inimigo de mim mesmo, daqueles que sorriem podres
amigo dos piores, aqueles que matam o que tem de bom
conhecido da morte, essa mesma que você pensou
velho ente querido do sol, esse que ilumina, meu pai

Não sei o que dizer na noite
que me chama pra andar, dar uma volta
essa luz de tom gelado, que me banha de sereno
sereno fico quando chuto a pedra, jogo no vidro e bato até quebrar

Quero que cobras troquem de pele, balas perdidas rasguem epidermes
que rompam com o usual , com o normal
quero que o mundo seja real, nada de imagem de jornal surreal
quero sentir-me vivo como outrora, que seja apenas um "terra a vista", uma nova aurora.

Madrugada produtiva


É estranho sentir-se leve e pesado ao mesmo, ser um paradoxo de dor e felicidade, morte e vida, loucura e sanidade. Estranho é ser normal nessa sociedade escrota, estranho é amar um semelhante. Feio é sentir que uma vida se esvai a cada lufada de ar que preenche meu pulmão, feio é tristeza no olhar na hora de acordar. Feio é amar e não estar pleno, é ouvir o sermão e não compreender, é ver palavras vazias num ar poluído. Sujo é sorrir mesmo podre por dentro, parecer lindo destruído. Pulmão enegrecido pelo cigarro, um aparelho ligado, uma linha separando... É lindo morrer... 

Mas aí a respiração no travesseiro, acompanhada daquele cheiro da manhã neblinada, os olhos de pupilas dilatadas ao perceber a luz penetrando no quarto, trazem a sensação de que tudo isso deveria ter sido verdade, a morte seria libertadora. A vida não é bela de se viver se você tem deveres que ninguém cumpre, a cumprir, fé que ninguém acredita, pra ter, dinheiro que todo mundo gasta, por você, sorriso que todo mundo tira,de você, o abraço que o mendigo seria mais digno de receber, que o cara que chefia você! ...







sábado, 10 de dezembro de 2011

Somos

Somos centelha de um maior
a um passo da verdade
um conjunto de cópias baratas
tudo vira lata

Somos mitologia, oxalás e cristos
a um passo da salvação
um monte ergue as mãos pra escuridão
Ovelhas prontas

Somos educados e moldados, modelos e conceitos
a um passo de acordar do sonho?
mete o pé e vai na fé
Revolução na sua porta

Somos Brasil, conjunto do mundo, mix de vida e morte
Moribundos na calçada, mortos nos carros, vivos nos bares
paradoxo de vida e morte comum no louco
Espero para observar, e rir se  você se matar, se é que viveu

Tá tudo muito longe do que tomamos por sonho
mas quem sabe o sonho pode ser de olhos abertos
pique "origem" num quarto estágio
eu tô voltando pro mundo real.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Não fumo
fumei cigarros

Não bebo
entornei até secar

Não sou feliz
e sorrio

Não sinto
mas choro

Não sinto falta
queria teu abraço

Não tenho vontade
tua companhia...

Não amo
amei você.
E se furou
mudou corte
mudou sorriso
mudou jeito

Mudou companhias
mudou estilo de vida
mudou objetivos
focou (findou)

Jura que foi
continua na mesma
chora de madrugada
aperta o coração

vestiu a máscara
tentou machucar
não é do feitio
tenta (?)

Continuou
tentou
foi (naquelas)
mas nunca mudou por dentro.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

tapa

Não convidarei, quero um gelo
arco de veneno no copo
mexer com os brios do teu eu
mirar em teus olhos como elite

Não ei de me acostumar
conosco rumo ao fundo
o ódio bate à porta
o ócio gera beleza

Na batida da cidade pacata nos geramos
sou fruto da ansiedade, tú da paciência
parcimônia é virtude, no inferno
agora não refreie, viva até a última gota de suor

Estranho como o rejeitar é calmo
o riso contido é um não verdadeiro
tira essa máscara e prova da tua forja
és tão falsa como meu amor.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Gangrenado

É um daqueles momentos
que a ânsia acomete
o estômago tem ferro e titânio

O peso é tanto que se mergulhar
não volta mais
nem boiar após o findar

Chimarrão e cigarro
pra acompanhar a torrente pensante
o fluxo mental é como da marginal, insano

Fique longe da Julieta, essa víbora
comeu teu coração e cuspiu o miocárdio
enquanto desfalece-te, ela ri

Imploro que não vá, bela rosa
arrancou-me o dedo e gangrenou-me a vida
neste findar, antes do amputamento, um último
                 [beijo nos lábios roxos, eu lhe peço.

Faça um dia valer a pena, olhe nos olhos, pegue nas mãos, acredite que  o " me desculpe" pode ser sincero. Que um entrelaçar de dedos é uma promessa de não tentar mais errar. Que o agradecimento pode ser real. Que sonhos podem ser verdadeiros. Acredite que o sonho é mais real quando se está acordado. Apenas, acredite.