terça-feira, 27 de março de 2012

Sem mais.

Ninguém sabe pra onde vai ou de onde veio, assim, de pronto. Mas sempre temos a esperança de traçar o nosso futuro baseado nos conceitos - as vezes mal interpretados - de amor, aspirações e estima para consigo e para com outrem. No final, somos todos grandes incógnitas elevadas ao infinito. Todos temos grandes espaços não preenchidos. Temos de confiar no destino, se é que existe algum - a lógica diz que deve existir senão por inúmeros acasos, todos somos grandes coincidências sem sentido.
Mas esse não é o barato da vida? A dúvida? A grande busca por algo maior, que nos preencha de todas as formas? 
Perguntas não respondidas estão por aí, cabe a nós ter gana de procurar as respostas, talvez no profundo de nosso ser. 
Ás vezes ter todas as respostas pode ser mais prejudicial do que tentar responder mil perguntas. 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Quebre suas cadeias.

Somos todos ovelhas, zebras, porcos? Animais domesticados para o uso de outros animais? Tanto que somos etiquetados para não nos perdermos do rebanho, temos números de identificação, nome próprio... Isso lhe faz um cidadão, direitos e deveres ou um escravo da constituição? Que só tem afazeres? O ideal anarquista se aproxima da utopia de felicidade, conceito longínquo até como utopia...
Felicidade é momento, sorriso não perdura por mais de cinco minutos, piadas nojentas, satíricas e ridículas hoje fazem rir.Amanhã não esboçará nem um sorriso...
Ser humano, o que seria ser humano? Quem é humano, o que classifica um humano? a capacidade cognitiva mais avançada que de outros irmãos de planeta? Isso os torna superior? Não gostaria de fazer parte de uma raça que se diz tão boa, sapiência que transborda mas boa parte do continente-mãe do mundo está entregue à fezes e podridão.

No ocidente, é mais subliminar, as pessoas tem medo, mensagens de que devemos ficar em casa brotam mais e mais, em nossos telejornais, nossos rádios, nossos vizinhos... Nossa vida é toda moldada para um sistema que oprime e sujeita a nós, as mais diferentes mudanças. E isso é tomado como normal por todos, corrupção é usual, a moral não mais existe, a ética é deturpada, tudo em razão de um maldito papel. O qual o Banco Central pica e incinera aos montes por estar velho.
Vale a pena matar, se matar de trabalhar, não aproveitar e  morrer em prol de todo um sistema opressor?
Se você tem esperança, transforme-a em coragem e haja. O que está por vir é único, é a seleção, os fortes sobreviverão. Faça sua cabeça antes que alguém a faça pra você. Senso crítico e colocação são qualidades a se aprimorar, ou criar, se for o caso.

Quebrem as cadeias mentais que te aprisionam no mundo pequeno construído pra você.

terça-feira, 20 de março de 2012

Abraão.

Abraão era um bom estudante, agradava seus pais, a namorada, o chefe, e ainda mais, sua amante. Abraão seguia regras, fazia de tudo por eles, por ela, mas só viva com ela. Abraão ouvia, Abraão obedecia, Abraão não dava azia, mas Abraão só dava prazer a ela. Abraão era profundo, Abraão era oriundo de outras eras, Abraão agradava sem mostrar mazelas, mas ainda assim, só era ele mesmo com ela. Ela não tinha nome, estava lá quando chamava "Ivone"! Mas sabia-se que esse não era seu nome, ainda assim, ele era seu homem. Abraão pra ela corria quando seus pais brigavam, quando a namorada implicava, quando o chefe o espancava - mental e moralmente, e ainda assim, Ivone o ouvia, consolava e sorria quando dizia "te amo" da forma mais sincera que ambos já haviam ouvido... Mas não era amor doentio, muito menos febril, era frio, contato apenas no ato, consumando o fato, de que não era dela ou dele, eram dois em um, uma vida conjunta misturada a duas, nada de mais, nada mais que o normal, o problema de Abraão e Ivone era outro, era mental.

Só mais uma data no calendário
só mais uma foto no canto do armário
só mais um garoto à ouvir seu velho rádio
enquanto na cozinha jaz um canário

Gordo, de olhos amendoados
Lindo, desses amarelos, sem vida
mas belo

Belo como um cigarro apagado
como o amor findado
como a chama extinta
como o fogo aceso da chaleira

Belo como o despertar do dia
com a neblina que envolve a matina
reflete no lago que está a interpretar
o papel de espelho, á luz sem luz, sem luar

Só lembranças de divagações
trechos de canções
tudo isso, um pedaço de um garoto
que se mistura entre multidões.

Chega

Chega de máscaras
chega de lembranças
chega de esperança
chega de esperar
chega de voar
chega de cair no auge
chega de expectativa
chega de tudo
chega de nada
chega o dia em que se vê que tudo tem que chegar ao fim, o nada é o que  - mas nada resta ou presta hoje- resta, chega.

Trague a mim, não a fumaça.


Então trague o vapor de minhas lágrimas, ácidas como nada a teu coração, trague para que haja algo em ti - que seja meu - além de mágoa. Olhe para a fumaça que sai de minha boca, proveniente de meus pulmões - com o usual ar de nojo - pensando que é por escolha minha, pensando que a degradação é arbitrária e não, inerente.