domingo, 11 de setembro de 2016

Fundo




Respire fundo
sinta o vazio
o nada primordial
a ausência do consciente
povoando a sua mente
os pensamentos intermitentes
estão de folga por agora

respire fundo
sinta sua pele
sua boca
tua saliva
respire fundo
saúde a vida
o deus que há em você
a escuridão que te faz ressurgir

respire fundo
não se acanhe
arfe quando necessário
se não, mantenha-se calmo

respire fundo
sinta as palavras esvanecerem
sumirem e não mais se ligarem
não pense, sinta
não analise por agora
sinta-se livre por um momento
o resto está lá fora
agora você está dentro

respire fundo.

R.C.

Recorte

Perdoa!
Eu não sei o que faço
se faço de mim uma arma
ou se compro uma casa no campo
longe de toda essa confusão

se me afasto dessa sujeira que entope as entranhas
que revira o estômago
essa raiva que não estanca
não sangra
ferida aberta que gangrena
e fede!

quanto mais a gente estuda
quanto mais a gente observa
mais indignação aparece!

Essa politicagem tupiniquim
que engana o eleitor que não sabe nem fazer a conta do mercado
analfabeto funcional, alienado domesticado
- a culpa é do Estado, é claro.

Reconhece-se nos olhos quem tem o fogo da vitória
e não demora a recomeçar
o estopim já não é mais o impedimento da presidência ou não
é a certeza que tem de findar esse desgosto

esse busão apertado
esse grito enjaulado
esse esgoto não encanado
essa gente morrendo sem uma consulta médica
essa juventude morrendo sem nascer pra vida
em meio à toda essa lama propagada pela mídia

anzol
politica que te fisga pela boca
bunda, futebol

Peixinho pescado pro balaio dos poderes
leva e trás, sem nunca mudarem os pareceres
na linha de sucessão dos coronéis do Brasil
apenas olhe
e veja que a mudança não virá do comando
mas da base estrutural
greve nacional, reivindicação sem igual
povo parado, estanque, pára!
não foge, ataca em falange
e se liga, os superhomens de farda querem sempre alguém
pra fazer sangue, pra cegar, pra matar
cuidado
mas não tenham medo
não calarão mais os brasileiros
não por inteiro
essa malemolência da qual nos orgulhamos não é nossa
só na Globo que temos essa vida dengosa !

Chega dessa porcaria travestida de nação
avante, meus irmãos.

Preparem as baionetas, as bandeiras, as canetas
os grafites, os molotvs
nunca acreditei no Estado
não é agora que não acreditarei na paz
mas
não confunda
a paz só virá, quando os fatores da equação estiverem na mesma altura
sem fome, com saúde, com reforma política e na educação
não quero mais ver meu povo ao léu
merecemos sim, um bom lugar
e este poderá ser aqui
não precisamos morrer pra ir pro céu
mas tem que construir, e se preciso, destruir.

R.C.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Excerto


Poetas são pequenos filósofos
cada um que escreve
é meu sócio
mesmo que falando
de transa e cafeína
eu ainda acredito naquela escrita
creio que foi vivido
sonhado ou imaginado
diluído e depois coroado
pelos picos de sentimento que temos
 tanto pelos de longe quanto com
seres que nos fazem traço
que levam de nós e deixam  seu eu
profundo ou escasso
nos fazem lembrar de quem nós somos
nos fazem refletir sobre pequenices
política, melancólica ou alegremente
porque eles fazem parte de um mesmo plano
uma hora se encontram
afinal , o horizonte é tão longo...

- ah porque poesia só pode falar bonite
- que isse o que isse o que ô

 filosofando
o poeta não é manso
só quer discorrer em aspectos mais estranhos
que muitos de nós sentem ou sentimos
e não queremos relatar
então brinca consigo
com qual verdade falar
e saem todas juntas
sempre que houverem sementes
uma delas voltará.

R.C.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Aniversário

Um ciclo novo se inicia
à luz de um novo ser que se cria
aparando arestas, procurando harmonia
entre âmbitos e opiniões que se chocam

dentro de si
procurando equilíbrio, paz e bem sorrir
simplicidade, enfim
de uma forma que o peso do mundo
seja leve em suas costas
porque tem asas que lhe sustentam
enquanto voa mudando as rotas

novas questões surgem
quando respostas são dadas
não existe mais tanto barulho
não existe mais tanta ansiedade
não existe mais tanto torpor
não existe mais tanta raiva
não existe mais tanta flutuação
existe contemplação
existe amor , sim
existe o que lhe faz forte
existe a sorte
de estar vivo, por mais um ano
enquanto contempla a possibilidade do infinito.

R.C.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

GUERRA

Reconheço
que embora os tempos passem
mudem os governos e os enlaces
os homens permaneces similares
em sua ânsia pelo dinheiro
em sua ânsia pelo poder
sem fatia, pelo inteiro
sem almejar o crescimento
sem prezar pelo desenvolvimento
dos seus pares, de mesma classe ou não
homens em geral, idiotizados pela hipnose do umbigo
sem visão.

Minha vida é guerra
luta eterna de retirar de mim grades e amarras
pensamentos viciados e raciocínios errados
minha guerra não derrama sangue
derrama vício
derrama desconstrução de sacripanta de comício
ilumina coração de quem antes não se via vivo
redivivo finalmente, redijo como se fossem pentes
de pistola
para que cada tiro atinja um alvo diferente
tanto em mim quanto em outro ente

não se dorme calmamente quando alguém não tem dignidade
e não fecho meus olhos, não calo meus dedos, não desperdiço o sorriso
não me rendo e não me junto à massa que condena sem julgar suas bases
do comodismo e resignação com banditismo.


Rômulo Cesco

terça-feira, 22 de março de 2016

São Pecado

Deixem-me entender
a cidade do pecado
deixem-me nascer homem
continuamente integralizado
antes broto não-germinado
cada traço dispendiosamente retraçado

deixem-me confiar na bondade
conhecendo os mais profundos desejos não ditos
os defeitos religiosamente maquiados
pelas belas frases ornadas de recursos quebráveis

deixem-me observar o movimento
passar como o vento
arrasando cidades e arrancando árvores
acariciando faces e fazendo doces ondulações

deixem-me conhecer a cidade do pecado
onde o amor se mistura na alquimia das emoções
e as intenções se perdem no meio das multidões
por seus desejos de umbigo
ou de amor ao próximo parcial

me deixem, observar como todos caímos
tombam todos, até os ídolos
e assim todos, se queremos, ressurgimos
no vago e talvez vão improviso da vida

já que só sabe o que se deixa de bom, depois da partida
as lições serão aprendidas? as pessoas surpreendidas?
deixou você e levou de todos um pouco? respira...
talvez seja só mais um dia onde você se esquiva do mal

e o pecado não seja tão ruim, afinal
é valoração... pecado mesmo é inanição
desnutrição, má educação, agressão e desrespeito com os direitos
sucateamento dos salários de professores
sucateamento do ensino público
dinheiro comprando valores morais incalculáveis

deixe-me conhecer
o pecado que é viver
em uma sociedade onde para se ver o bem
é necessário crer que este jaz nas pequenas ações
porque nas aglomerações não se vê resquício de humanidade.

R.C.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Alertas morais que poderiam nos fazer bem


Procuro conservar-me cada vez mais puro
para que consiga analisar com calma
essa vida toda que me aparece
essa cor toda que precede o novo alvorecer
as boas nuances
as más
todas com cores mais vívidas

moralmente, integralizando atos e mente
sentimento presente , pensamento elevado
somos quem podemos ser
 então é um fato
ainda há vida
ainda há tato
ainda há emoção envolvida
ainda existem os problemas
a mídia
a política como é tida
a fome
as expectativas

mas...o mundo perdeu o volume
ganhei no olhar certa amplitude
percebi que
antes de tudo isso
tivemos a escolha de ser melhores
escolhemos nos diferenciar
cada vez mais
entendamos
que antes de sermos negros ou brancos
somos humanos, antes de sermos cegos ou gordos
somos humanos
então não nos cabe julgar ninguém
muito menos a de aceitar que alguém
deva não ter comida, ou ser sempre taxado no sub-emprego
graças a Deus e muitos outros atores desse processo
o ultimo tem sido cada vez menos frequente
mas ainda falta muito para estarmos todos contemplados
com a grande promessa de igualdade e irmandade
que todos dizemos professar
há de se aliarem metas antes de costumes

erradicação da fome, promoção de uma voz apenas
que compartilhemos então, a soberania da paz
entre todos os povos...

e que principalmente
nos falte o perigo da recriminação
se é umbandista, se é alto, ateu ou hippie
se é transexual , católico e chique
se é homossexual , feliz e sadio

que nós possamos entender que tanto faz
se a mulher não quer ficar contigo
ela não é seu objeto amigo
ela não te pertence e você erra (muito)
entende?

antes de falar algo, já pensou nas suas mais simples brincadeiras
e como elas podem disfarçar mentes repletas de estereótipos...
- que você propaga, e ao invés de ver onde tu erra mais feio
se preocupa em apontar o dedo.

Prezemos por todos termos uma chance de saúde
uma chance de um abraço, criança não pode usar trapo
gente nenhuma merece não comer , não morar ou não se descobrir
sem todos esses conceitos ridículos
toda essa diferenciação do indivíduo
não é possível
que entendamos que tudo pode
se a conduta moral é plausível
não importa quais as preferências
se são condizentes com o que eu penso ou não
simplesmente não importa, se elas serem quem são
e que hajamos de acordo, sigamos o ensinamento de Gandhi
sobre a integralização
temos que alcançar metas e não excluir quem nos difere da religiosidade ou falta dela
da cor de pele ou da opção sexual (ou falta dela), porque embora existam maiorias
minorias importam, antes de tudo elas existem! - e devemos saber que o respeito que professamos por nós não é completamente colocado em prática
a caridade pela que prezamos só vira mais uma página
o outro se diferencia e exclui-nos ou vice-versa
depende do grupo, do lugar ou circunstância
mas de qualquer forma
suponho que você não queira ser um hipócrita.

então antes de temer a Deus ou outra divindade
devemos ser tementes ao ódio e à indiferença
além de que, a recompensa pelo aperfeiçoamente e integralização moral
não está nessa vida ou na próxima, mas no próprio aperfeiçoamento.

R.C.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Sobre vícios e conexões em tempos escuros.


 Por inúmeras razões, desde questões mais pessoais quanto por questões de interesse público, senão mundial, podemos enlouquecer;  beber para esquecer ou liberar um lado mais descontraído , fumar um baseado para amenizar a pressão  ou cheirar cocaína para nos sentirmos vivos. Em um lugar, onde  pela mesma medida, diferentes inteligências e talentos são julgados, e infelizmente, padronizados - senão normatizados, é fácil de perder a medida de si mesmo e abrir mão, temporariamente, da própria sanidade. Fazemos isso com as mais variadas autojustificativas, ou simplesmente pelo luxo de que podemos fazê-lo. Liberdade (?).Frisando que neste texto, falo das pessoas que fazem do desfrute socializante uma fuga, a vontade do dia.

Não que sejamos indivíduos ruins, pessoas que utilizam-se de entorpecentes para conduzir-se de modo desagradável à outrem. Só fazemos mal à nós mesmos com tais atitudes, muitas vezes esquecemos que tais atitudes tornam infelizes aqueles que nos cercam, que por nós tem amor ou qualquer espécie de apreço.

Sem a glamourização de estados mentais  alterados ou de atitudes moralmente reprováveis que hoje temos pelos diferentes meios de comunicação assim como na nossa convivência social,  o que nos resta é a constatação de que padecemos de imaturidade para lidar conosco, por não conseguirmos estabelecer - em maioria - laços além dos rasos, quebradiços, como os (i) profissionais, os quais o assunto gira em torno de causos no ambiente de trabalho, mercado financeiro, discussão política rasa etecetera; e os (ii) festeiros - como tomei a liberdade de classificar, que se resumem em relações de camaradagem momentânea e divisão de contas do bar ou da droga consumida ; de modo que não conseguimos nos comunicar com outra pessoa, para que talvez essa possa nos fornecer apenas a compreensão que um não julgamento traz, a capacidade de nos fazer acreditar que existe sim, a possibilidade de isso não ter tão grande como pintamos em nossas mentes, isto é, se temos a humildade de reconhecer que algum problema existe conosco.

Em tempos como esses, onde se acham entorpecentes de qualquer natureza em cada esquina - sendo eles legais ou ilegais, conservar-se são é um ato de coragem, ainda mais que isso, de dignidade para consigo. Passando por inúmeras provações que infringi a mim mesmo, tendo a experiência de perder a confiança daqueles que me cercam, percebo hoje, mesmo que momentaneamente e de modo socialmente aceito, perder a capacidade de se autogerir de acordo com suas crenças e ideais é definitivamente doído, pois tornamo-nos simples marionetes de nossas paixões, somos o verdadeiro homem Hobbesiano, tomado pelos impulsos mais primitivos da condição humana. Entretanto, ao fazer uso de nossas faculdades intelectuais (plenas) não somos as mesmas pessoas, o que nos traz à uma reflexão muito intrincada para ser classificada nesse texto, mas embora nos justifiquemos a fim de tirar proveito do que aconteceu, a conclusão nunca é benéfica a ponto de ficarmos inteiramente felizes conosco.

Minha conclusão, de grande utilidade ou não para quem lê este texto, é que a instrução que constava na entrada do templo de Delfos, na qual se lia "Nosce Te Ipsum"(Conhece-te a ti mesmo), se faz crucial no presente. Devemos sim, antes de tudo, prezar por nós e conhecer nossas aspirações, limites e principalmente, essência; de modo à não sermos repetidamente envenenados por informações e opiniões que, em minha opinião, muitas vezes incutimos em nós sem que percebamos que estas contrariam nossos mais basilares valores. Além disso, olhar para o mundo de forma mais ampla, percebendo que ele não gira para nós, talvez faça nossos problemas diminuírem de tamanho, tornando a fuga, qualquer que seja (só citei aqui as mais graves), menos atraente.

Olhar amplamente para a situação atual, nos faz amadurecer emocionalmente,de forma que possamos desenvolver uma virtude que está em falta hoje, empatia. Para que possamos ter compaixão uns pelos outros e também, de acordo com a lei cármica dos orientais, receber compaixão nas horas que precisamos, se tivermos a coragem de tirarmos a máscara de felicidade desprovida de problemas que somos obrigados a vestir a todo instante.

R.C.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Marinheiro

Sentimentos
ás vezes motivados por emoções
momentâneas paixões
maquiadas de sementes de amores
tornados verossímeis
fruto de ilusões
talvez pelos profundos anseios e desejos
de ter algum apego

mas não faço mandinga
não peço amor pro orixá
não peço pra ninguém me juntar
de coração não espero pelo destino
não tenho mais tal romantismo
simplesmente acontece
como por mágica
acho que me cabe construir castelos
e embarcar antes mesmo de aportar o navio

me afogo!
afogo como um marinheiro bêbado
que erra o cais
pela ânsia de dormir em seu leito
para esquecer do mundo um pouco
me deito nos braços da que escolho e faço juras
juras de um tolo que  
adio mais um pouco
a partida para um voo que desconheço
no qual mudarei de asas
por um amor que talvez não me renda uma morada
somente pela estada e a chance de ser feliz
torno a solidão, segunda opção

talvez seja só mais um sonhador
que erroneamente focado no amor romântico
perde o quântico, fruto do que não se pode perceber
da elétrica no ar que há
quando se perde o ar ao encarar outro ser

Talvez deva deixar ao acaso
já que quando me empenho em amar
acabo saindo fortalecido, mas avariado
afogado!

o que há de mal em querer um bem querer
que lhe alegre e lhe devolva as cores que não consegues mais ver
outras surgiram no processo de reconstrução
mas sempre ficam algumas perdidas no limbo da cicatrização passional
afinal , sempre precisamos de alguém que nos lembre do complemento essencial.

R.C.