Perdoa minha mansidão de tempestade
meu olhar que vai longe
que não pede aprovação
que compreende e sente dor.
Onde estive é lugar de fundura deplorável
de lá voltei mais ameno
menos amargo, mais afável
mas ainda longe de estar pleno.
Deixei pra aceitar as ideias dos homens
pra quando meus olhos fecharem pra sempre
nesse tempo que por aqui caminho
pra ver o que me espera ali na frente.
Não dá pra acreditar no que me dizem
nas notícias que leio e na vida que me ofereceram
a única coisa que sustenta meu espírito é a poesia
a verdade única da vida é a dicotomia da noite e do dia
O resto a gente se ajeita pra viver
entende e passa a crer em alguma coisa entre o céu e a raiz da árvore
os ideais são pros jovens que tem fome de alguma coisa
o que sou é guiado somente pra que ninguém mais tenha fome.
Perdoa minha mansidão
meu olhar que vai longe
que não pede aprovação
que compreende e sente dor
Eu fiz demais, já falei demais
os girassóis da cor de outro cabelo
a maré de outros olhos
vou deixar o caminho fazer sentido no final.
Agradecer a quem vier
depois que olhos se abrirem
depois de haverem fechado pra sempre
se é que você me entende...
R.C.