(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Compreensão/compaixão
Vejo à minha volta muitas luzes e sorrisos
alguns até diriam que é um paraíso
discordo desses pois já sei o final disso
ao final de tudo, lágrimas pesadas como granizo
No findar todos vão ninar
em seus sonhos se perder, e achar algo, sei lá
o que procurarão, segredos velados e selados
inconscientemente deixando seus pedaços no além
Todas as vidas um dia se cruzarão
é o caos, é a paz, é o mal
é a vida normal cheia de escuridão
mas sabe se lá talvez tudo isso seja em vão
São todos parte de fatos já consumados
e você se pega olhando retratos
parando num bar qualquer para escutar um som
lembrando de como era bom viver sem pesar.
Quem nunca quis dar boa noite pra quem não estava ali?
Quem nunca pensou em largar tudo e sair daqui ?
Quem nunca dormiu com os olhos marejados ?
Quem nunca chorou e rolou de tanto rir ?
São pequenos momentos que fazem valer a pena
porque para seres pequenos a felicidade está nas minúcias
e nunca nos escapa à visão pessoas de grande astúcia
sem sorriso no rosto, olhar ao longe, e ganancioso .
Eu fecho o livro e lembro apenas dos sorrisos. E olho ao longe.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Lar gelado lar
Pássaros encantam com seu canto matutino, quando o primeiros raios de sol trazem a cor para o que há pouco era uma região sombria. Enquanto essa imensidão de pequenos eventos diários se desenrola, um alguém abre o portão da casa,na mão um par de sapatos sujos e um cigarro na boca.
Sua aparência é no mínimo curiosa, a camisa - de boa costura - está rasgada em algumas partes, sua calça preta está suja de lama, grama e batom. Seu rosto carrega um corte que deixará cicatriz, marcando assim sua testa, sob a forma de uma linha reta. Seria bucólico se não fosse interessante.
Este desconhecido sabe muito bem onde está, onde em anos passados foi o que chamou de "lar". Mas algo no lugar não está reconhecível, será que foi ele quem mudou ou o lugar está diferente?
Pensa consigo, mas está tudo igual, as árvores onde deveriam estar, a casa, desarrumada e atraente, quente, como sempre; gatos por entre os muros; até a placa que ele roubou ainda jaz ali, jogada junto a alguns materiais velhos do seu pai. Ele respira fundo e sente o vento acariciar seus cabelos longos, acompanhado de um leve cheiro de peixe, há muito não se sentia tão bem - a costumeira paz profunda de sua casa toma conta dele, e brota em seu âmago um turbilhão de sentimentos nostálgicos, em alguns minutos já terá o rosto hidratado pelas próprias lágrimas.
- É, deve ser assim que a gente se sente quando volta pra casa. Liberto.
Mas nem tudo é um mar de rosas, e a liberdade em seu lar é apenas uma ilusão, está preso num ritual, há muito estabelecido por ele mesmo. Joga sua mochila no chão e vai até a margem do lago, tira do bolso um pedaço de pão e concomitantemente acende um cigarro, e fuma, e contempla, e alimenta a vida presente naquela maravilhosa água cristalina.
E se afoga, se esvai, transborda, tira a roupa e pula na água gelada da manhã, sem nenhum medo. Se joga como quem pula de bungee jump, não temendo nada. Deixa a água lhe lavar todos os sentimentos, deixando-o vazio como uma concha, pronto para novas experiências e desprovido de amarras. Libertando-se assim da calopsia de paixões passadas e de amores que serão eternos de melancolia e sofrer.
Se renovar é se afogar e ressuscitar , é de lavar a alma.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Nu no final
Mais e mais sinto minha vida se direcionar copiosamente - ordenadamente, sem interrupções, para um suicídio onde meu sadismo é o que mata, e o pior, sei que matará covardemente, já que meus atos voltarão pra me atormentar - esses amores inacabados, amizades repentinas, minhas amantes voluptuosas e vazias, palavras insensatamente ditas, minhas noites perdidas, das quais só tenho flashes como lembranças...
Não me toma de agonia, essa morte prescrita e prevista, pois a escrita me salva do medo deveria acompanhar essa certeza. Não apenas a escrita, mas meu narcisismo hipócrita, que me deixa amar o reflexo que está no espelho e odiar os pensamentos que pertencem ao mesmo, que me deixa chorar - lembrando chuva - quando ninguém está por perto, que me faz convulsionar o peito em razão de agonias intermináveis, e que me deixa criar identificações diversas - as quais ninguém verá, onde jazia pele imaculada. Medo não acompanha reflexo saudável de sorriso fácil.
Toda a certeza vale de nada. Apenas anseio que o abraço final seja real , que me traga vida, pois a morte cerebral é o sentido do viver intensamente -paradoxalmente, sendo intenso sem estar intenso, nunca tenso, sempre frouxo nas amarras da razão...
Por esses motivos enumerados de modo complexo, tenho por outrem pena por se aproximarem de mim, sem conhecer a linha tênue em que me equilibro, sadismo - tortura, além dessa certeza cega e taciturna que habita em algum canto escuro de minha alma.
sábado, 3 de novembro de 2012
Subliminarmente
Alegres pessoas - se perder
Imaginando fortalezas que lhe protegem sempre
Despedindo da santa - mandando beijo pra nega
Saindo de canto pra apoia uma tal de legalização
Hordas de pessoas que vem em peregrinação
Intendências são designadas pra entender o que acontece
Verídico que isso só acontece raramente, o problema é quando se faz real.
Responsáveis por mais de mil transcendências
Impossível aproveitar sem ninguém por perto
Por isso aparecem vadias, poetas, poetizas e meu manos.
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