segunda-feira, 20 de maio de 2013

Excerto de pensamento


Faces lisonjeiras de beleza mórbida, andando por aí e não sabendo aonde ir, onde fazer posto, algumas por desilusão, escorrem lágrimas no rosto, mas ainda sim, seguem a vida como se devesse assim ser, senso comum, vida comum, tristeza incomum, melancolia de vida pautada no um.

Rodrigo, o resignado. - 1



Rodrigo era normal, estranhamente normal, tratava à todos com a polidez de um lorde, a educação de um padre, e tinha pelo entorno um carinho maternal. Sua vida era pautada em bons modos, boas pessoas. Rodrigo era um modelo, um padrão a ser seguido.

Seus filhos eram orgulhosos - de uma maneira saudável - e patriotas, típicos garotos de classe média alta, dois carinhas interessantemente estranhos, talvez até um pouco revoltados, mas a jovialidade inerente à eles era assim associada à rebeldia, Rodrigo se resignava. Um cristão de fé e um ótimo observador, esperar e aceitar era sábio. Orientar também.

Rodrigo era constante, não se deixava estressar, nem quando seu fatigante trabalho como gerente de banco exigia dele, todas as suas forças. Nem quando a noite caía e sua mulher tinha uma súbita dor de cabeça. Resignava-se. Sua constância rotineira o deixava relaxado, era automático, sua vida era era repleta de máscaras. Mas ainda assim, resignava-se.

Um belo dia, o exemplo da comunidade, o amigo de todos, aquele vizinho que lava o carro religiosamente aos domingos, resolveu mudar. Terminou seu expediente mais cedo, comprou um bouquet de flores para sua mulher e uns doces para os filhos, além do pão usual. Comprou pra si uma nova camisa, florida, diferente. Rodrigo, o resignado, estava mudando.



Uma carta de outrora


"Nunca te falei com todas as palavras que conheço o quão encantador o teu sorriso é, como sua risada me deixa alheio à tudo que me pertence - parcimônia, batimento cardíaco, frieza, tudo isso se vai. E nem cheguei nos teus olhos, ainda me sinto aquele mesmo garoto que você conheceu, que te olhava de longe e te chamava de louca, que ria e achava você estranha por suas atitudes controversas, você continua sendo tudo isso. Louca, estranha, controversa. Mas ainda assim, instigante.
Fácil de se gostar e difícil de se lidar.
Sei de que de várias formas eu não te compreendo, sei que esse 'caso' antigo é complicado demais, sei que talvez suas intenções não sejam as mesmas que as minhas, sei de tudo isso.
Mas também sei que se não tentar, vou me arrepender. Se não me embrenhar em você, não vou nem chegar perto de te entender - nem sei se quero entender.
Não quero ver lágrima no teu olho, não mais. Não quero só ser um ombro, não mais. Sei que sou mais que isso, que posso ser mais que isso. Só queria que se livrasse desse horror que tem do entregar-se.
Queria dizer que te aceito exatamente como você é, crispando os lábios quando está de alguma forma desgostosa, olhando para o outro lado para evitar contato visual, e também a sua forma única de pedir desculpas, que nem de palavras necessita, simplesmente um olhar, e um abraço.
Queria dizer que te aceito... Com todas as histórias que circulam sobre a sua pessoa. Com todos os olhares espantados quando ando segurando sua mão pelas ruas centrais. Com todas as suas amigas duvidando de minhas intenções. Com todas as desconfianças que estariam relacionadas à você, a mim, a nós!
Talvez por isso sejamos tão compatíveis, tão estranhamente similares, peças que a fábrica jogou fora, ovelhas negras.
E também espero que saiba que o que mais gosto em você não é nada em sua aparência, é o que exala. Dizem que certas pessoas são tão boas que exalam uma certa doçura, um cheiro único. Você é uma dessas, você é doce, de todo.
E o mais triste - também belo - de tudo isso, é que nunca vai chegar a ler isso, pois a coragem me foge quando penso em lhe dizer que neste momento, o que eu mais quero é apenas sentir seu perfume.

Ps: meu fascínio por olhos só encontrou explicação, quando olhei fixamente pros teus. "