segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Auto retrato.


Costumava sonhar
aproveitando chances
percebendo nuances
admirava o amar
admirava tudo que poderia olhar

O tempo passava depressa
assim como as experiências espessas
diluídas em água de cevada gelada
onde a ingenuidade se tornou malícia
começou a confundir burrice e astúcia

Epopeias de outrem foram suas por inspiração
a mente cria o que vê e guarda na consciência
ciente e não consciente se foi
levando consigo o que restou dos cacos ,dos infinitivos
hoje não mais amar, sonhar, apenas... admirar.

R.C.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Fora do comum.




Ela me conhecia, mas não sabia quem eu era. Nos falávamos por entre as trivialidades de um dia-a-dia em que nos cruzávamos, trocando palavras ralas de profundidade. Um pouco malcriado, carrancudo em razão do sol que queimou meu rosto aquele dia - naquela manhã ao acordar, vi que tinha um pouco de serração acima do lago, logo achei que iria ser um dia nublado. Errado.

Foi de sol, tanto que a encontrei -  percebi que só a encontrava em dias em que saia o sol, coincidência, ou era o sol que saía quando ela resolvia sair de sua toca. Entretanto, essa cara de desgosto que eu vesti escondia a admiração pelo sorriso que ela sempre levava, sempre, sem exceção - e me chamava de amor, talvez por não saber meu nome. Sei lá se isso é importante, nunca me importei como me chamam, gosto que apreciem além dos rótulos, o nome acaba sendo só mais isso - tanto que hoje tem gente que até interpreta o indivíduo pelo nome que tem. Patético.

O vestido curto e a  maquiagem pesada dela não escondia os hematomas, porém o sorriso estava ali, no seu posto fiel, tenho até compaixão por essa princesa que nunca teve lua de mel, nem castelo, nem seguidor fiel. Talvez tenha seguidor, não fiel, mas ocasional e altruísta, que admira e percebe o quão egoísta o mundo foi, e é com ela. Mas está ali, com o sorriso no metrô, mesmo depois de uma noite arregaçando a todo vapor.

Chegou na sua parada, ela desceu, não antes de dizer "Tchau amor" - Despi minha carranca e fiquei pensando: "Não me importo com o nome, antes um amor da desconhecida do que um ódio de um chegado do lado. "

Segui meu dia depois da conversa breve, desci, entrei no escritório, montei planilhas, usual; mas algo mudou, o sol tinha saído pra vê-la, talvez eu também saísse todo dia na esperança de trocar algumas palavras no metrô com aquela linda e sombria mulher, e entre as cinco estações que me fazia companhia, (antes de descer), era apenas pra iluminar meu dia, consciente disso ou não - não é paixão, é elemento novo no dia, que destoa da rotina da metrópole fria. E não é?!

R.C.