Aqueles que se dizem detentores da moral e distorcem a ética para favorecer uma visão de mundo maldita estão passando com camisas amarelas. Destilando toda sua frustração ao se agarrarem naquele que os levará ao abismo e se regozijando com a infelicidade luxuriosa que é sentir-se superior sabendo ser medíocre.
Não se iluda, eles sabem o que estão fazendo. Sabem o quão vis são suas atitudes. Eles o viram defendendo a tortura, a tortura que tanto maldizem na igreja do Cristo. Eles gostaram disso. Eles viram e veem toda a tristeza que assola a terra que pisam. Presenciam (e promovem no discurso) a desordem e desmandos que acontecem no país que eles habitam. Mas não importa. Eles gostam disso. Incentivam.
Seres rastejantes que se aglomeram em camisas amarelas para defender um país que nunca conheceram, querendo torná-lo igual ao que viram nos filmes produzidos em um país de outro hemisfério, onde a matança nas escolas é habitual. É isso que eles gostam. Sangue, terror e tragédia. Com dinheiro. Sonham com o que viram no longa-metragem e distorcem a realidade. Preocupam-se com a Itália mas não com os rincões desse país cheio diferença.
Eles não gostam da diferença. Eles gostam de ser iguais àqueles que os cercam. Sorrindo no almoço de família enquanto maldizem aquela "puta feminazi" que morreu na mão da milícia, a Mariele maldita. Querem é mais que a polícia mate aqueles que ousam incomodá-los com suas pautas.
Que se fodam aqueles cabeças chatas que não tem água. Que se fodam os que bebem água suja por não poderem pagar um filtro. Que se fodam os órfãos. Os desempregados. Aqueles encostados. Que se fodam aqueles que a vida que eles tem, afinal aqueles lá são preguiçosos, impotentes e merecem o que tem "porque eu lutei pelo que eu tenho".
Eles adoram a balbúrdia. Maldizem a democracia. Querem a ditadura que torturava, matava e estuprava filhas de Josés, Marias, Lurdes e Josefas. Gostam do horror. Mas adoram Deus. Aquele vingativo, aquele parcial, aquele que odeia. Aquele Deus que gera tragédia e peste. Esse Deus é bom.
Camisas amarelas são galinhas verdes e não tem nenhuma consciência que lhes acuse. Sua religião é a mentira. Seu Cristo é a violência. O Espírito Santo é o seu transe maléfico quando estão em bando. Sua cruz são os que não tem para onde ir, encostados na marquise, aqueles malditos pedintes. Quando vamos começar a matar esses pobres malditos mesmo? Encostados no Estado. Deixa o mercado se regular. Maldito Lula. Ninguém mais quer trabalhar. Cansei de carregá-los.
Eles querem o Brazil cheio de benesses, de tom monocórdico, de uma cor, uma crença, um sexo e uma tese. São esquizofrênicos com complexo de grandeza, os escolhidos da mãe natureza. Em suas camisas amarelo ouro querem fazer a diferença. Com brados, mentiras e maledicência. São o significado da inconsequência, do furor passional, da maldade travestida de amor patriótico. São cancerígenos e rumam ao abismo, mas não podem ir sozinhos.
Se acalmam quando ouvem o estampido do tiro de seus revólveres. Dormem com a certeza que querem que o Brazil melhore. Na verdade que ele exista. Querem que o Brazil renasça do Brasil, sob a bandeira bolsonarista e que se fodam todos aqueles que comunistas - esse adjetivo que virou carne barata, definindo todo aquele que ainda lembra e entende o que é o mínimo de democracia. Malditos comunistas.
Rômulo Cesco.
(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
quarta-feira, 6 de maio de 2020
domingo, 16 de fevereiro de 2020
Essência
Cinco virtudes essenciais
existem na vida
que nutrem a alma
ensinam e norteiam
cuidado com o próximo
em seu voluntariado
em seu respeito e aprendizado
sucesso profissional para aplacar
a necessidade de dinheiro
em um mundo de matéria vã
o que não significa fugir da vida
mas ter o suficiente pra vivê-la
de modo apropriado e ter em si
a possibilidade de ajudar os outros
anonimamente como aprendeu
poesia pra aprender a viver
família pra lhe fazer ver
e a diversão se faz necessária
porque sem humor, alegria e superficialidades
Teria a vida algo insuportável.
Rômulo Cesco
existem na vida
que nutrem a alma
ensinam e norteiam
cuidado com o próximo
em seu voluntariado
em seu respeito e aprendizado
sucesso profissional para aplacar
a necessidade de dinheiro
em um mundo de matéria vã
o que não significa fugir da vida
mas ter o suficiente pra vivê-la
de modo apropriado e ter em si
a possibilidade de ajudar os outros
anonimamente como aprendeu
poesia pra aprender a viver
família pra lhe fazer ver
e a diversão se faz necessária
porque sem humor, alegria e superficialidades
Teria a vida algo insuportável.
Rômulo Cesco
domingo, 19 de janeiro de 2020
Avistamento
Bem-vinda, aceita algo para beber? Puxe uma cadeira, antes de me contar tudo sobre você.
antes que venham as tempestades
me conte sobre os destroços da tua baía
o que fez do teu cais tão precioso que o sol até esfria
conte sobre as pedras raras que carrega no peito
quero também saber o que te impele
quero saber mais do que o que usa pra perfumar a pele
me fale sobre seus desejos, daqueles egoístas e pro mundo inteiro
aqueles que te marejam os olhos, arrepiam o pelo
vou te escutar pra te pintar num quadro em branco
bebericando do teu café, renovando a fé no santo
Santa Bárbara que me abençoe
pra captar esse furacão que tem nos olhos de besouro
linha por linha, sílaba por sílaba
cada pincelada terá o carinho e a calma necessária
pra fazer o retrato mais fiel de alguém
que só vejo de relance pela amurada
porque agora navego longe, em alto mar
e vejo esse porto no horizonte
não sei se mudo o leme nesse instante, pensando em aportar
esperando que até a âncora baixar, não tenha banco de areia adiante.
Rômulo Cesco
Sobre doçura
É um absurdo ser a doçura
considerada fraqueza
pois fraqueza é esconder-se
na brutalidade e grosseria
deixando calada
uma alma que grita
anseia por uma carícia
mas já endurecida
não pede e chora sozinha
enquanto nega um alento
que podia lhe aliviar o sono
prefere maldizer o mundo
sendo o arquiteto
do próprio abandono.
Rômulo Cesco.
Assinar:
Postagens (Atom)