quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Augusta Lua.

como em uma tela
vou me refazendo
desfazendo-me em caminhada

Preferindo renascer a reciclar-me
no canto trevoso da alma me acho
fazendo luz em fogo, me abraço

com os ciclos da lua
refaço meus passos
pré-datados, cheios de significado
bebendo de uma felicidade inalcançável

orbitando no que culminaria
na expansão da consciência
desafio meu ser inferior em transcendência
ressignificando a existência e a arte do louvor

a língua da fatídica maledicência
da traição e da inconsequência
também é a que fala do amor
- o qual ousou, jurou explicar de alguma forma
até que, com digno pesar, humildade voltou a ter

do amor a gente é só identidade
descrição só cabe no viver
do amor é só noção simplória
por mais profunda que pareça ser

reconheço-me menino verdade
nos mistérios do percorrer
de amor e vida
passageiro atento e presente voltei a ser

futuro e passado na confluência do crescer
sendo eterno aprendiz na santidade do dever
que como intuição se mostra caminho
dizendo que a vida é larga como navio de carga
como tem de ser.

R.C.