(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Carta para uma futura poeira
De nós só restará a velha casa - com nosso quarto (que pintamos logo que mudamos), o túmulo do gato amado. Nossa gigante coleção de livros, nossos inúmeros filmes - nosso prazer escondido em palavras e cenas , meus ternos empoeirados - que há muito já não uso, suas blusas e tecidos - me encantam esses tantos que são. Só restarão nossos porta-retratos cheios de memórias preciosas, nossos álbuns com o recheio de uma vida toda - podendo ser apreciado milhares de vezes pelos que deixamos por aqui, e também restará esta carta.
Que fiz somente para sentir a beleza do abraço final.
Visto que seremos pó logo que nossos corpos puídos e levemente putrefatos entrarem no forno, agradeço desde já por onde me jogarem, quiçá um lugar belo, como as praias desse nosso Brasil, talvez, não sei. Era só uma sugestão, para nossos filhos fica então a tarefa de nos entreter as cinzas, fazendo presenciar a paisagem mais bela que nossos olhos não conseguiram fitar. É, nessa vida dá pra se ver muita coisa...
E eu te vi. Isso me bastou, todo esse comum foi prazeroso demais só por te ver acordar, tu foi sorriso, me valeu a razão de viver. E agradeço que eu te vi... quem sabe não nos revejamos?
de teu amado ontem,hoje,
no fim sem nome, enfim,
Pó.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Uma ode ao arfar
A escuridão é uma das delícias do pecado
é nela , que boquetes impressionantes
sejam no escuro da balada
É nela, que os garotos de olhos vermelhos
se refugiam em toda madrugada
pois hipocrisia reina na sociedade-desespero
- Um adendo aqui pois são de maioria, desesperados, correndo depressa pra suas medíocres e egocêntricas vidas, onde doação não dá fé e sim azia.
É nela, que enfim,
os amantes iniciantes se refugiam
o primeiro orgasmo ninguém esquece
É ela também, que dá asas à fuga premeditada,
que os mesquinhos e azedos, se permitem em ciclos usuais
afinal todos romperam ao menos uma vez, a moral imposta.
Talvez uma ode não apenas à escuridão
mas ao arfar num ouvido doce, e talvez,
à todo esse bacanal velado
que seja, é bela e poética,
encantadora, essa loucura nua
e escura...
R.C
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Fiz
Fiz da mente,
o acurado maquinário das certezas
incerto de saber de tudo, decidido
mesmo cometendo faltas
Fiz do coração,
o mais belo espelho da mente
engrandecendo de beleza,
o que restasse de nobre em mim
Fiz da língua,
haste rebelde de verdades ácidas
e agente de pequenas explosões,
dessas que bambeiam pernas
E por fim fiz do todo
um misto caótico do começo e meio
sem fim
enfim
que seja, sem medo não se vive
e sem aprendizado a mesquinhez oprime
Então sente ,
agora, meu eu
ressuscita da tua alcova mal cavada
abre os baús da alma
vulgo caixa de pandora do teu eu
sofre e opere mudança
voa de supetão
mostra que é fundada a esperança
sorria, coração!
e
vai,
e não olha,
não pra trás...
o acurado maquinário das certezas
incerto de saber de tudo, decidido
mesmo cometendo faltas
Fiz do coração,
o mais belo espelho da mente
engrandecendo de beleza,
o que restasse de nobre em mim
Fiz da língua,
haste rebelde de verdades ácidas
e agente de pequenas explosões,
dessas que bambeiam pernas
E por fim fiz do todo
um misto caótico do começo e meio
sem fim
enfim
que seja, sem medo não se vive
e sem aprendizado a mesquinhez oprime
Então sente ,
agora, meu eu
ressuscita da tua alcova mal cavada
abre os baús da alma
vulgo caixa de pandora do teu eu
sofre e opere mudança
voa de supetão
mostra que é fundada a esperança
sorria, coração!
e
vai,
e não olha,
não pra trás...
Ressurja,então.
Do poço repleto de tristezas
tirei meu coração, ou o que
me sobrou do viver,
vou ensiná-lo a se localizar
no atual momento,
fazer escolhas, no certo tempo,
sem fazer tolo, o seu papel
E que siga batendo, rápido
se exigido nas farras necessárias
devagar, se tiver que estar,
que seja, saudável.
Quero saúde
pra sentimento que prospere no vazio.
R.C.
tirei meu coração, ou o que
me sobrou do viver,
vou ensiná-lo a se localizar
no atual momento,
fazer escolhas, no certo tempo,
sem fazer tolo, o seu papel
E que siga batendo, rápido
se exigido nas farras necessárias
devagar, se tiver que estar,
que seja, saudável.
Quero saúde
pra sentimento que prospere no vazio.
R.C.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Ah! O verão...
Ah! O verão...
arfante de suspiros saudosistas
lembro-me dos mais áureos dias de sol
dos beijos mais leves,
desses que levam o gosto de fel do inverno embora
Ah! o verão...
inúmeros corpos marcados por essas paixões
seja por lembrança ou cicatrizes de arranhões
a carne implora, clama por chama de prazer
nesse tempo não interessa á ninguém deixar de fazer...
Ah! o verão...
de inúmeras trilhas sonoras foi embalado
marcantes bebedeiras e conversas a fins...
com pés de areia e corpos febris, enfim...
Ah! Verão... todo ano te espero chegar, manso
sabendo que já me reservas turbilhão,
deveras ansioso...
Ah! Verão...
sem sua poesia diária, o que seria de mim?
Seria de inverno e melancolia, repleto
sem você não me exilaria d'alma , decerto,
aproveitando toda a chama que há
como que num decreto,
"O verão é pra se usar".
Clareza
Já falei pra meu botão
que cheiro de rosas no ar tem mais não,
embora nas noites dolorosas
o peito incha de remorso e intrínseco desespero...
Raro é o dia que o sol me ajuda a seguir
a estrela da luz plena, é um lembrete sádico
de doações hoje já revogadas,
por outrem, também não aceitas
Raro é o dia em que a lua me cria lembrança
repentinamente aproveitar o escárnio da vida
é uma opção,
então...
Resigna, desejo
que de vez em quando é bom
aproveitar o ensejo
e bater palmas pro destino.
Ah! O pseudoamor...
- E o que você queria me dizer?
- Que é perturbadora essa falta toda que eu sinto de você.
- Mas não seria a pele clamando, apenas?
- Parece que é mais que isso, quando você fecha a porta, o dia anoitece de repente.
- Mas ainda assim, poderia ser apenas o desejo resignando.
- Resignando e perdendo a cor? Você é mais do que desejo, é ódio. Eu odeio te querer tanto.
- Então me odeie, mas não me deixe.
- Não dá, o desejo cessa mas a chama não abrasa. Pode ficar tranquila que de desamor eu não padeço...
- Não padece mais pode padecer um dia.
- Eu reciclaria meu ódio pra transformar em amor, só pra não perder tua pele nos meus dias, e fim. Dê crédito ao que não se vê mudança, é firme; pode não ser amor. Mas é mais que desejo...
Joana
Pequena garota de olhos verdes sempre avermelhados
exaurida de pensar demais em certas vertentes
fala mansa como quem criou-se no interior
calma como quem só quer os pequenos momentos
Quase sempre compacta e sem muita substância
é quase etérea em sua essência
de súbito gosto de parar e observar
o quão grande, perante você, é minha ignorância
e com esse
sorriso inocente de gente ainda não corrompida, decente
essa menina vem trazendo o bem que estava ausente
não sei se vai ficar e se fazer presente
lhe conhecer
me fez me entender e expandir a mente
quero sua companhia,
prefiro que fique e se faça sempre...
Tirano retrato.
Engulo seco se escolhi
seguir as ditaduras silenciosas
do meu pensamento, ali
algumas maldosas
argutamente tendenciosas
como que desculpas pra entorpecer meu eu
segui de praxe as ruas esburacadas da razão
já minadas pela torrente de desconjunção
que se dá quando falta malandragem pra por o pé no chão...
R.C.
seguir as ditaduras silenciosas
do meu pensamento, ali
algumas maldosas
argutamente tendenciosas
como que desculpas pra entorpecer meu eu
segui de praxe as ruas esburacadas da razão
já minadas pela torrente de desconjunção
que se dá quando falta malandragem pra por o pé no chão...
R.C.
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