terça-feira, 23 de setembro de 2014

Crítica à ovelha de rebanho metropolitano

- queria eu
ser ferramenta de mudança instantânea
para como em mágica mudar essa estranha constância
de política desumana, polícia que estranha
o cidadão que na insignificância se entranha
perdendo assim o tino do que é importante
trazendo pra si o que só teria mais adiante
esquecendo-se no presente o que seria estandarte
mas

- ah! Política é só uma parte que nem adianta , hoje essa ferida não mais se estanca.

bobo!
política também é arte
arte do teu dia-a-dia
tua vida em relação
influência certa em toda parte
não sejas  ignorante de imaginar
uma vida restringida ao teu umbigo
és muito mais do que família e círculo de amigos

poderia ser muito mais
que teu emprego-prelúdio de inferno
do que tua pompa traduzida em oneroso terno
nessa vida cheia de nada que se prolongue pelo tempo
tudo que adquire é finito e não definha lento
mas o bem que se priva de dar ao todo por preguiça
no mínimo consideraria com esse todo praticar injustiça
proveniente desse senso comum incutido na ovelha que aceita o papel
sendo martirizada ao deixar-se coisificar no dia-a-dia
enquanto lhe prometem o céu sorrindo e apertando sua mão
quando passam em tua casa em ano de eleição
te acalentam quando falam na televisão
você insiste acreditar que sua vida há de melhorar
se você apenas continuar quieto, ao tempo se entregar

mas você ainda é oprimido por uma polícia agressiva sem razão
é chicoteado nos ônibus lotados que eles disponibilizaram
entra nos trilhos que construíram até a metade, deixando você
metropolitanizado em sua rotina pro trabalho
indo pro centro todo dia e de cansaço só aumento
de impostos lhe arrebentam e na bebida você procura alento
ou então na religião que não te deixa ao relento
de qualquer forma
você se acovardou e se acostumou com o tempo
à essa ilusão de vida que dão pro cidadão de terceiro mundo
resignado e revoltado com tudo o que te cerca
cheio de preconceito saindo pela tampa da cabeça
apinhada de tanta merda que te fazem processar
homofobia, xenofobia, corporativismo e aversão à esquerdismos
você não entende que você é o retrato do que te enoja
você é quem ajuda a perpetuar essa corja
muda brasileiro,
teu senso comum te endurece e torna burro feito porta.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Rotina na Paulicéia desvairada


Dias nublados em que a rotina enche
só não transborda por ser irrelevante o presente
como n'uma encenação cansativa
nos coletivos os mesmo semblantes
de quem vive a vida de paliativos
pequenos prazeres
talvez justificando sem razão
essa sensação de privação
que lhes acomete todo dia
como se a alma soubesse o que nega a mente
tudo à nossa volta é contradizente
e os dogmas que iluminam e deveriam acalentar
servem para adornar paredes de salas de estar

disfarçando esse mal-estar diário
que traduz-se comodidade
o meio-termo do menos pior
conciliando os vícios e opiniões escusas
sobre o menor que , sem educação
se vê sem saída e solução
e ao crime recorre, pra ver se logo morre
 ou choca e algo muda
essa tragicômica bela fuga
pelas ferramentas não dadas.

O preto pobre sem estudar, pode roubar
o branco abastado, estudando, droga-se
financiando assim a roda da morte
que sustenta político e consórcio
desse sisteminha ilógico
de alienação e segregação de pequenos grupos
que entristece o coração de quem sabe que não é mole não!
faz o povo virar a cara pra não ver e adorar a seleção
e dizer a frase feita da ovelha alienada em questão
"é, porque político é tudo ladrão
lugar de bandido é na prisão!"
como se o dano não fosse social
e o fodido não tivesse direito à ressocialização.

R.C.

Como ser em tanto ter ?


Nessa história de sermos quem nos propomos a ser
nos perdermos e nos fazem perder-nos
no meio do termos coisas demais
nos tornamos nossos próprios chacais
pensando que somos tão demais
pela roupa, óculos, carro que destoa e atrai à nós
olhares comedidos de desejo contido

e o ser nessa  história?
ficou no meio das epopéias dos grandes escritores
nas filosofias de grandes pensadores
hoje somos redes de conhecer que desaguam no caos
pessoas que sofreram influências de inúmeras formas e meios
com informação pra vida inteira contida na tela virtual
hoje em dia, somos apenas pequenos atores de nós mesmos
nos disfarçando pelos pequenos grandes grupos
para não sermos taxados de arrogantemente resolutos
pois se disséssemos tudo o que sentimos e queremos falar
nos jogaríam em manicômios ou isolaríam-nos em alto-mar
ou uma vala desconhecida, cavada pela polícia seria o final destino.

então vejo meus pares sendo sinceros em mesas alheias
repletas de cervejas vazias e muitas mais a chegar
uma cena interessante e um tanto irrelevante
pois no outro dia tem que trocar de roupa e botar a máscara
de proletário bem adestrado, como ovelha feita pra rebanho de Estado,
porque cerveja não se paga com poesia e ideologia
ou mudança utópica e necessária, se paga com papel tingido e timbrado
marcado com suor ou sangue de empregado.

Sorria e luta! Pois é da meritocracia o sofrer,
ou a ilusão de que alguma mudança venha a ocorrer
com essa passividade que agonizamos solitários em humanizados anseios.

R.C.