terça-feira, 16 de dezembro de 2014

EGO


Sempre em uma linha tênue
na corda bamba das contradições
as vezes ingênuo ao acreditar 
as vezes insultando ao cedo julgar
mestre em se perder nas ilusões
sigo me equilibrando no meio-fio da vida
pra que minha voz siga rugindo
pesando meus atos para que não me sigam
repensando as falas que sejam repreensíveis
vivendo tão vivo
que ás vezes me esqueço que tudo é supérfluo
e o ser é infinito
sou um mero sonhador
que não espera mais nada de ninguém
e se surpreende se alguém dá
mais que um vintém
um abraço
um traço
um relato (mesmo que escasso)
já me serve pra sorrir
sou algo necessário para o porvir
sou desses de alma larga
que abraçam o mundo sem farda ou credo
o amor é o certo
(em todas as suas nuances)
e que se foda o resto.
R.C.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ouroboros 1


Entorpecido
para esquecer
por um tempo
a dor de um amor perdido

perdido pois mal utilizado
se tornou terreno de más tendências
e agora o que me resta
é decretar ausência

e vacância
vou recordar a infância
abrir os baús do que conheço
sobre a felicidade
esquecerei da saudade
de ser o que era
feliz e despudorado
quando o assunto era ser bem humorado

e do amor
não serei mais um mártir
serei enfim
um amante em pele de querubim
serei o perfume do jasmim
que permeia a noite
apenas sentido
mas não visto.

guardarei o meu mimo mais sagrado
para quem se ponha ao meu lado
pronto para um entardecer
ou uma ida ao solo sagrado

para quem não recuse um afago
para quem não me afogue
em pranto internalizado
em razão de mentiras e trâmites
erros e esconderijos
que deixariam qualquer um desnorteado
pois de baque e quebra estou saturado
por deus e os orixás
pelos santos e tudo mais de bom que há!
só quero ser devidamente amado
não pela metade, não enjaulado
quero realidade concreta e palpável
sem medo de ser taxado
ao me entregar para o sentimento
não mais amor de relento.

 R.C.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sobre o que todos procuramos.

o que é o amor?
é o querer desmedido ?
é o toque que incendeia?
é o beijo que adormece os problemas?
é o calor dos corpos que cala o mundo?
é o riso que mareja os olhos?
são os teus olhos de lua cheia?
são os meus encantos com teu olhar?
é o querer viver do lado para todo sempre?
é o nutrir para brotar árvore que perpetua
com frutos que correm pela casa desengonçados?
é o se libertar de todo o conceito pré -estabelecido
e se abrir para um novo sol que entra pela janela?

ou é simplesmente
o amor?
pacífico e maleável
a chama que acende
e consome o ser
a cisão com as pragas humanas
e ascensão para o céu
sendo apenas luz
em meio à escuridão?

ou é simplesmente
o amor?
indescritível, indefinível
querência interminável
de corpos que se contraem
em dor que tanto se sente
que queima se tanto ressente?
infindável quando entregamos
amor...

Descrição


O combustível do poeta , do escritor
dentre outras coisas
é a dúvida, a vivência
o desamor
as anedotas da cidade grande
as grandes epopeias
dos humildes viajantes

uma tarde ensolarada n'uma praça verdejante
um pôr do sol com uma família hippie itinerante
uma mesa de bar carteando e falando de vida
e adiante
uma garrafa de vinho acompanhada de haxixe
como em conflito com o mundo que muito exige
a cara limpa para que a mente processe
o que a boemia tratou de em fogo gravar
no peito do poeta
há uma vida para se amar

há uma menina para se apreciar
se descobrir e deslumbrar
com a mulher que vem a se mostrar
há no homem alguém para também beijar
se apaixonando pela voz doce e rouca
há na noite uma amizade que nunca mais verá
uma companhia findável n'uma rua de luar

tudo vira verso
desde sentimento até stress impresso
o xingamento da metrópole
a indignação com os estábulos dos prédios
a repulsa com os navios negreiros sobre rodas
que não diferem mais cor e discricionam para quem abrem portas

o poeta é a cisão com o imaginário popular
o que percebe a podridão e se dói com o mundo
carregando nas costas , essa marca do absurdo
esse grito calado , que nos dedos se perde
e vira verso bem rimado
ou nem tanto dependendo do estrago

tudo é inspiração
só cabe o poeta , acertar na descrição.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Escrevo...



Escrevo , pra ver se me deixo no eixo
pra ver se desse mundo me esqueço
pra ver se alguém que eu conheço
em mim se reconhece
e concorda com algumas ideias aleatórias
que brotam em consonância com as memórias
derivadas das histórias e ideologias teóricas
filosofias de vanguarda
sou também o que vigia a retaguarda

vigia!

pra ver se o mundo se toca do que cria
crianças violentadas pelo veneno da mídia
adolescentes tocando sua vida em monotonia
se adequando a estereótipos que só se veem na telinha
plim plim! moldando sua vida!
e aí, o que cê me diz minha filha?

escrevo, pra ver se algo muda
se alguma alma se salva junto com a minha
como se minha semente fosse também minha salvação
tenho a impressão de que a humanidade precisa de orientação
relembrar do que já foi falado
ao invés pregar na cruz quem prega o amor
e não o ódio do diabo, que sorri com tanto rancor

eu só dou o alerta, santidade pra mim tá longe
to na busca do pão pra seguir adiante

olhar pra si antes de olhar o sapato
olhar pra si antes de olhar pro carro
olhar pra criança sem comida no prato
olhar pra vida sem tanto apego com o tato

sem tanto apego com o bem fungível
acabamos por perder a vida no fogo do dirigível
o ar quente que nosso suor exala nos ônibus
- o chicote do século vinte e um
nos escravos anônimos

cada eleição  cava a sepultura de mais alguns
 pretos periféricos
 trajados de ecko ou marcas afins
que por se enquadrarem no tipo
são alvo do homicídio
triste fim
assistido e ordenado pela classe dominante
esses que só se importam com os diamantes no final
afinal
a conta bancária alta espanta o mal
os muros altos da cidade fazem o seu papel
mostrando o que não se pode ter
sem abrir mão do céu.

escrevo, pra ver se muda alguma coisa
pra que eu não seja mais uma alma agoniada
nessa imagem-ditadura
e talvez se juntem alguns verdadeiros nessa luta
que tenham a visão de que de uma mudança se precisa
e de uma reação pelos poderosos imprevista
o pleito é
por paz na jornada
e igualdade de oportunidades
nessa meritocracia mentirosa que de verdade
 só tem alarde.

R.C.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ô, Pai!

ô pai! me aceita
sem pompa de me achar demais
sou poeta
só sinto o que aflige os demais!

certa feita você me disse pra eu ser gente
gente já sou
mas como ser eu se já julgam quem sou?
de que vale inteligência tamanha
se tenho que me aliar com gente tacanha?
prefiro não me adequar
já diria Nando Reis,
- Eu não vou me adaptar!
Não que eu não tenha tentado
mas esse crime que eu viria a cometer
é o suicídio da alma amarga
mas eu prefiro viver comigo
mesmo que simples e pobre
melhor sorrir terno do que tentar ser ovelha esnobe

eu não vou me adaptar!
dogmas foram feitos para nos afastar
política e a educação como temos
foram feitas para nos adestrar
e a tevê... pra nos condicionar
consumir e não protestar
contra esse todo sujo estranho que temos
contra todos esses venenos
mentais, físicos e psíquicos
que somos obrigados a engolir de domingo a domingo!

Olha, Pai!
Sou rebelde com causa, mas sem arma
meu estandarte é a palavra
não se avexe, seu filho ainda é aquele
que o coração esmaga
pro outro sorrir
mas eu também sou aquele
que quer mudança, mudar o porvir!


R.C.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Vou-me embora...


Vou fugir pra estratosfera
talvez lá do alto não seja tão ruim
talvez lá no alto não tenha tanto sofrer
lá as nuvens são harmônicas no conviver
deixam a outra ter o seu espaço
lá no alto tem espaço
pra crescer pro infinito
se espargir pelo céu-recinto
sem o que temos aqui
essa gana pelo diferente ser extinto



não tem sociedade corrompida
não tem lixo eleitoral-moral
não tem pastor que prega o bem e faz o mal

tem ventos que sopram pra todos os lados
não existe nuvem reacionária
no máximo ela está cheia de água
como a gente fica quando devia chorar
pro ódio, melancolia, tristeza escoar
e se a nuvem enche de elemento
chove , clareia
ao invés daqui
que tudo se destrói
e nada de duração secular se semeia
pois o progresso tudo justifica
e nada que humaniza traz tanta renda , logo...

vou-me embora para o céu
talvez lá tenha algo doce, algo de mel
pelo menos um espaço tão livre pra criar algo melhor
do que utopias no papel
melhor do que aqui
terra de todos à venda
metro quadrado privado pra quem tem como pagar
e pra morar? tem a calçada pra ficar
pra criar? só tem a margem pra se deliciar
mas
se quiser,
 trabalhe, produza, esqueça do coração que pulsa
não reclame e tenha essa vida amedrontada e reclusa
de mesquinharias e julgamentos tantos,
onde nos esquecemos do que é ser humano.


R.C. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sobre o "atraso"

Faz tempo que não escrevo um texto, tenho comigo uma certa ideia de que pra se escrever um texto é necessário conhecer à fundo uma história , seja uma criação do pensamento, seja acontecimento do mundo real; talvez um sentimento, esse que bom ou ruim lhe corrói e queima por dentro. Por isso me acostumei com a poesia, ela tende a ser mais concisa, traduzindo os sentimentos e causando sentir enquanto os olhos correm pelas linhas, são impressões reproduzidas, pensamentos ou volúpia ativa!  Ao menos essa é a minha intenção, minhas poesias são partes de impressão, vindas de maneiras de coalizão que crio ao tentar explicar o meu viver social , minha visão do real.

Bom, nesse texto vou falar do atraso. Esse acontecimento precioso quando sucedido nos segundos encontros, quando um dos encontrantes porventura esquece o guarda-chuva, mas que é uma perspectiva de ser deixado só onde deveriam estar dois, nos primeiros encontros em toda parte planeta - claro, se esse encontro valer mesmo a pena. Esse atraso que é ruim pras entrevistas de emprego,  essas que não se importarão pelos imprevistos que possam haver ocorrido na sua chegada. Esse atraso que num encontro de amigos é tido como natural e até motivo de boas piadas.

 Esse atraso que também, infelizmente, está presente na mente de muitas pessoas, com ideias retrógradas e desumanas, que fecham os olhos pro mundo em que vivem, e preferem dizer pro filho que gays não tem vez nessa terra que eles vivem, que são racistas e idiotamente discriminam até o nortista, desses que se pudessem (e coragem para isso tivessem), seriam agentes da barbárie manipulada, do extermínio do diferente, desses com instinto de manipulação e dominação, controladores, ditadores do arquétipo e donos da estética que acham (ora pois porque é subjetivo) ser a mais bela. São os que atrasam todo o progresso, o verdadeiro peso morto mantenedor do pensamento que incrivelmente o desumaniza. Uns desses acabam por se resignar e manter isso pra si, remoendo seu ódio interno. Outros viram extremistas faladores de excreção (ou excremento).
- De que nos adianta o diálogo se vivemos em tanto atraso?
 Uma sociedade heteronormativa que adora a violência. Defende-se uma família que, insisto, não sabia e continuo não sabendo que estava em perigo. Vive-se num regime de qualificar o seu valor , o valor do (e de) ser humano. Se você não trabalha , não produz, não produzindo dinheiro você não tem mais importância que um avestruz na savana. Se produz, lhe é enfiado goela abaixo a necessidade de cumprir o contrato social e se por em função da sociedade, estudando para fazer sua parte - assim dizem. Ou então estudando pra ganhar sua parte nesse mundo cheio de oportunidades.

 Doce ilusão criada para a ovelha que sempre vai querer chegar lá. Alienada sem perceber. Sabe, sem entender que nessa pseudo democracia está mais perto de privação. Digo ovelha pois a ideia dos coletivos - ônibus,trem e metrô - no Brasil me dá a ideia de rebanho de autômatos, programados para agir como ovelhas.

Uma sociedade que não lhe deixa sair do convívio, se não tem nada -  que compres! , tudo agora é de alguém.

 Disse no começo que é preciso conhecer do tema. Eu conheço o atraso,costumo atrasar-me mas isso é assunto pro outro parágrafo. Eu vim e tento andar por todos os lados, ver muitos prismas do mesmo fato, de uma certa forma muitas vezes as reviravoltas da vida me chacoalharam, não por sempre afetarem minha vida em si, mas por afetarem a vida de outros conterrâneos como assim vi, li. Vi com os olhos o que muita gente não se presta pra ver, um judiciário que é ineficiente e de soluções de problemas é ausente, possuidor de um processo penal estranhamente brando com uns e ; uma polícia que gosta de maltratar e amedrontar qualquer adolescente não congruente com uma visão de vida que sai pela tangente do saber conviver, sim falo do maconheiro, mas também são costumeiramente perseguidos o artista de rua ou não, o morador de rua, também do bandido que é morto sumariamente como se ainda fosse a ditadura; defendo que a vida se humanize. Que se olhe pro indivíduo que nem pra se viver dignamente tem o necessário.

Do atraso eu sou íntimo porque costumo me atrasar pra certos compromissos diários ou esporádicos, é sempre uma possibilidade chegar no horário, mas existe todo um mundo a ser contemplado, uma nuvem a ser reparada, uma paisagem a ser demoradamente apreciada. Existe gente interessante com história pra contar, existem tantos museus para se visitar, tanta coisa pra se estudar , tanta instrução pra doar! Existem cidades milenares que podem ser visitadas. A vida é tanta possibilidade!
Então qual a racionalidade de eu viver dentro de uma certa racionalidade quando existe um mundo no qual eu sou pequeno demais e à mim só cabe ser benéfica parte ?

Não há, mas como fui cerceado e condicionado por todo uma ditadura de moral intrínseca nesse mundo , ainda mais atrasado por estar no Brasil, e até impelido por uma exigência silenciosa do capitalismo, devo me estabelecer como parte de um grupo menor, um núcleo-país, um todo que é pouco perante o mundo; devo arranjar um emprego para que eu produza, mesmo que minhas aspirações sejam outras, entretanto estou num país que -pasmem e fiquem tristes - não incentiva as artes e muito menos aceita pensamentos que tentem acender a vida intelectual ou política da referida sociedade. Mas nesse meio tempo cultivo os pequenos prazeres, gosto das paisagens que posso observar, reparo das histórias que me contam, para que possa repassar - se elas forem gloriosas como me descrevem.

 Vivo, antes de ser tudo o que me obrigam, me iludem dizendo que posso ser feliz, mas da vida eu já digo de antemão que não fiz o que quis. Já que eu não posso transitar livremente pelo mundo sendo itinerante, vou ajudar meu semelhante ,sendo nômade de vez em quando, e quando inserido na sociedade serei mudança, de pronto, lutando aliado com as palavras contra esse todo-tolo! Entretanto, nesse meio tempo, pretendo sim ser feliz na medida que me deixaram ser. Pretendo ver toda a beleza que me for proporcionado ver. Digo sim pra vida antes de querer ter, e escolhi também parar de julgar qualquer coisa sem pagar pra ver, conhecer. Por isso o atraso de vez em quando, me desculpe, estou pensando e deglutindo - não engulo informações, estou admirando as belas construções, os montes ao longe, ou me perdendo em coisas que apenas os loucos vem se importando .

R.C.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Crítica à ovelha de rebanho metropolitano

- queria eu
ser ferramenta de mudança instantânea
para como em mágica mudar essa estranha constância
de política desumana, polícia que estranha
o cidadão que na insignificância se entranha
perdendo assim o tino do que é importante
trazendo pra si o que só teria mais adiante
esquecendo-se no presente o que seria estandarte
mas

- ah! Política é só uma parte que nem adianta , hoje essa ferida não mais se estanca.

bobo!
política também é arte
arte do teu dia-a-dia
tua vida em relação
influência certa em toda parte
não sejas  ignorante de imaginar
uma vida restringida ao teu umbigo
és muito mais do que família e círculo de amigos

poderia ser muito mais
que teu emprego-prelúdio de inferno
do que tua pompa traduzida em oneroso terno
nessa vida cheia de nada que se prolongue pelo tempo
tudo que adquire é finito e não definha lento
mas o bem que se priva de dar ao todo por preguiça
no mínimo consideraria com esse todo praticar injustiça
proveniente desse senso comum incutido na ovelha que aceita o papel
sendo martirizada ao deixar-se coisificar no dia-a-dia
enquanto lhe prometem o céu sorrindo e apertando sua mão
quando passam em tua casa em ano de eleição
te acalentam quando falam na televisão
você insiste acreditar que sua vida há de melhorar
se você apenas continuar quieto, ao tempo se entregar

mas você ainda é oprimido por uma polícia agressiva sem razão
é chicoteado nos ônibus lotados que eles disponibilizaram
entra nos trilhos que construíram até a metade, deixando você
metropolitanizado em sua rotina pro trabalho
indo pro centro todo dia e de cansaço só aumento
de impostos lhe arrebentam e na bebida você procura alento
ou então na religião que não te deixa ao relento
de qualquer forma
você se acovardou e se acostumou com o tempo
à essa ilusão de vida que dão pro cidadão de terceiro mundo
resignado e revoltado com tudo o que te cerca
cheio de preconceito saindo pela tampa da cabeça
apinhada de tanta merda que te fazem processar
homofobia, xenofobia, corporativismo e aversão à esquerdismos
você não entende que você é o retrato do que te enoja
você é quem ajuda a perpetuar essa corja
muda brasileiro,
teu senso comum te endurece e torna burro feito porta.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Rotina na Paulicéia desvairada


Dias nublados em que a rotina enche
só não transborda por ser irrelevante o presente
como n'uma encenação cansativa
nos coletivos os mesmo semblantes
de quem vive a vida de paliativos
pequenos prazeres
talvez justificando sem razão
essa sensação de privação
que lhes acomete todo dia
como se a alma soubesse o que nega a mente
tudo à nossa volta é contradizente
e os dogmas que iluminam e deveriam acalentar
servem para adornar paredes de salas de estar

disfarçando esse mal-estar diário
que traduz-se comodidade
o meio-termo do menos pior
conciliando os vícios e opiniões escusas
sobre o menor que , sem educação
se vê sem saída e solução
e ao crime recorre, pra ver se logo morre
 ou choca e algo muda
essa tragicômica bela fuga
pelas ferramentas não dadas.

O preto pobre sem estudar, pode roubar
o branco abastado, estudando, droga-se
financiando assim a roda da morte
que sustenta político e consórcio
desse sisteminha ilógico
de alienação e segregação de pequenos grupos
que entristece o coração de quem sabe que não é mole não!
faz o povo virar a cara pra não ver e adorar a seleção
e dizer a frase feita da ovelha alienada em questão
"é, porque político é tudo ladrão
lugar de bandido é na prisão!"
como se o dano não fosse social
e o fodido não tivesse direito à ressocialização.

R.C.

Como ser em tanto ter ?


Nessa história de sermos quem nos propomos a ser
nos perdermos e nos fazem perder-nos
no meio do termos coisas demais
nos tornamos nossos próprios chacais
pensando que somos tão demais
pela roupa, óculos, carro que destoa e atrai à nós
olhares comedidos de desejo contido

e o ser nessa  história?
ficou no meio das epopéias dos grandes escritores
nas filosofias de grandes pensadores
hoje somos redes de conhecer que desaguam no caos
pessoas que sofreram influências de inúmeras formas e meios
com informação pra vida inteira contida na tela virtual
hoje em dia, somos apenas pequenos atores de nós mesmos
nos disfarçando pelos pequenos grandes grupos
para não sermos taxados de arrogantemente resolutos
pois se disséssemos tudo o que sentimos e queremos falar
nos jogaríam em manicômios ou isolaríam-nos em alto-mar
ou uma vala desconhecida, cavada pela polícia seria o final destino.

então vejo meus pares sendo sinceros em mesas alheias
repletas de cervejas vazias e muitas mais a chegar
uma cena interessante e um tanto irrelevante
pois no outro dia tem que trocar de roupa e botar a máscara
de proletário bem adestrado, como ovelha feita pra rebanho de Estado,
porque cerveja não se paga com poesia e ideologia
ou mudança utópica e necessária, se paga com papel tingido e timbrado
marcado com suor ou sangue de empregado.

Sorria e luta! Pois é da meritocracia o sofrer,
ou a ilusão de que alguma mudança venha a ocorrer
com essa passividade que agonizamos solitários em humanizados anseios.

R.C.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ocasionalmente
em partes do dia
todos os dias
tua silhueta
me povoa a mente
me destoa
deixa ausente
me range o dente
esse
desejo
latente

amor,
transmutado
em volúpia indecente.


R.C.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Desnudo


Abriria mão dos vícios puídos 
dos bares e dos maus serviços 
apenas para poder respirar o mesmo ar 
ao teu lado todo os dias poder acordar
pra dizer o que você tem que saber 
só 
pra 
poder
declarar todo meu amor por você
todos os dias 
sem esmorecer.

R.C.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Autorretrato

Há muito
já se esperava tal atitude
é de se espantar
que de um dia pro outro alguém mude
completamente do vinho pra água
pois na boemia a alma sofria calada

decidiu o peso do mundo nos ombros
parar de carregar
pegou todos o seus escombros
reciclou e refez,
reconstruiu-se para amar pleno
sem rebelo.



R.C.

Ressurja de si


É tempo de novas filosofias
ouça o que dizem Buda, Jesus e Krishna
sua alma é mais que os defeitos morais
caráter é como um muro,
sem fundamentação
rui perante as coisas banais.

Mesmo que não sejas religioso
entenda que há mais do que tua racionalidade limitada
não seja tolo
há mais forças que lhe auxiliam e atrapalham a caminhada
aceite sua pequenez e trate de viver
pois se perder na mesquinharias só vai lhe fazer sofrer
e a paz que se almeja não se acha na tevê
ou nas coisas que comprou pra impressionar
quem não gosta de você.


R.C. 

Releitura

No mundo das aparências
resigna-se em ser essência.

Uma alma velha que contempla a noite
calmamente ciente das forças que o cercam
protegendo para que não seja filho do excesso

vibrando luz e paz

cuidando
para que nunca falte iluminação
onde porventura brilhe a alma de um irmão
que em sua dor busca salvação.


R.C.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sinceridade

Sinceridade consigo
antes de vaidade
sem deixar toda essa
desvairada ansiedade
latente em toda a parte

e que os outros aceitem
o que você deu nessa viagem
ninguém sabe pra onde está indo
todo mundo de passagem
só tentamos tocar com o melhor
sem se importar com o nosso pior


erro.


Se é pra ser mudança
sejamos em todo o hábito na sociedade
começando por si
antes de espargir
pro todo-tolo

e ah,

Que se ouça em toda parte
política rima com verdade.

Mulheres


mulheres
que falem de ideias
não de superficialidades materiais
não falem de dinheiro
somente quando necessário
e isso ainda ressalvado

mulheres que tenham seus objetivos
e deixam claro que não abrirão mão
que façam de você parte da vida dela
e não o centro, fazendo a vida de vocês prisão.

mulheres que não se adequem aos arquétipos que criamos
mulheres que são água quando se é fogo
mulheres autocríticas e de sábias palavras
essas
que são ignorância quando você porventura
vacila e cede às ideologias machistas que lhe circundam
e vira estorvo
mulheres que sejam o que elas precisam
antes do que nós, seus simples parceiros
precisamos
pois elas já nascem sabendo nos dar
 o amor que necessitamos.


Mulheres,
que admiramos.


R.C.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Descrença

Feliz ou infelizmente,
quem procura, acha.
as meias verdades distorcidas são vistas desnudas
o pedaço indefinido e não contado, exposto
trazendo gosto amargo de "outra vez isso"

Ingênuo, aspirava compromisso.

Está começando a achar que perdeu o juízo
enquanto, a alma diz em uníssono
-deixa disso, abre mão do orgulho-entulho,
seja mais, o passado é comida pra abelhudo

A razão diz, você sabe como termina essa história já contada, já vivida , rapaz
você sabe do que te apraz , atormenta e desfaz
pode ignorar e ser inconsequente de tentar;
ou ser do teu amor guardião e afastar
a mentira diminuta e a mágoa pequena que acumula
e pouco a pouco envenena a certeza que antes vislumbrava novo horizonte, serena.

Vê-se a cadência atual das palavras-espelho já ditas aos de outrora...

Mas o que fica é a pergunta
como lidar com a insurgente descrença?

R.C.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Das paixões.

Pra falar de paixão todos tem seu jeito. Uns são melosos, uns gostam das frases de efeito, uns gostam da descrição , uns gostam de tudo isso junto num mix divertido, outros adoram as figuras de linguagem. Eu sou dos que gostam da descrição. Acredito que ao dissecar o sentimento conseguimos achar a chama, o sentido.

É se atendo ao efeito do sorriso da pessoa em questão que nota-se o desejo de abrir mão do mundo e do tempo-espaço, só pra continuar por mais tempo naquele momento, apenas olhando-a sorrir; ou quando longos momentos se passam sem que um som distinguível se faça, onde as respirações são a cadência dos olhos perdidos no outro, nas suas curvas e seus detalhes - suas dezenas de pintas ou aqueles sensuais furinhos no quadril; ou ainda quando acordas e tens a claridade da manhã banhando o quarto e a pele perfumada do tal alguém, de modo que a pele parece feita de matéria gasosa, como névoa ...

Estes momentos explicam a paixão no sentir, mas não a chama. Concluo então que paixão não se disseca pra achar uma soma de fatores que culminaram na combustão. Você espera acontecer ,por entre os muitos casos efêmeros - e quando acontece, se vive, sem achar raiz, já que nesse caso a chama é espontânea e alimenta-se de si...

R.C.

domingo, 27 de julho de 2014

Contemporâneo


A esperança de grandes amores míngua dia-a-dia
como histórias de estandartes
decidi seguir a vida como quem paga por estadia
e nem por isso entristeço a face
passei a amar e entender porque meu povo ainda não é sociedade...

Civilizados? Não, militarizados
condenados à meia-democracia dos endinheirados e armados
mas ainda assim vivendo seu sorriso , com sua fé irrefutável
tenho admirado aqueles que se desencontram do arquétipo posto
que tem por suas linhas delineadas em ídolos de outro rosto
que não se submetem às ideias alienadas do todo
subjugados na consciência elitista da rede globo
que tem pra si um senso apurado se justiça
que não se traduz em leis, traduz-se em sede de igualdade
basta à todos os tipos de abusos de autoridade !

Corrupção por parte dos políticos faz rarear o pão na mesa
o tratamento logo após a ocorrência, a ressocialização do que esteve na cadeia;
se temos direitos civis e políticos, então que eles sejam respeitados ...
militar mata e joga corpo em mata, morro, represa
e quem sai rindo é o empreiteiro superfaturado
no cotidiano o cidadão é assaltado, enquanto esses estão no ar
com seus helicópteros carregados de cocaína, livremente a voar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Espera



Se eu falasse com qualquer deus
pediria pra na semana fazer menos frio
pedia pra ficar um dia menos vazio
quando você não está nos braços meus

e falaria pra ele
que no final de semana
poderia fazer frio de montanha
que nos lençóis a gente se espalharia
enquanto se estranha, se entende e se entranha;

você e eu num espaço-tempo, diferente
de todo esse povo que não vive e pensa que é gente
mas esquece dessa gente que não sorri
e vem cá me lembrar de repente
que não existe tempo quando é chama ascendente.

R.C.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ave-caso !


Sou desses que vivem de ar sonhador
continuamente em busca de certo calor
certas curvas , de forma que encaixem e aconcheguem
fazendo suspirar ao deitar no peito quente

sou desses que busca os braços certos
que envolvam completamente minha totalidade,
desses que buscam dedos que saibam acariciar
e percorram minha mudança com êxtase
da mesma forma que os meus percorrem suas curvas
[ em riste voluptuoso;

sou desses que busca sorrisos que signifiquem mais do que alinhados dentes brancos
e olhos que digam mais do que sentimentos rasos
por isso procuro tanto, por isso todos os casos
só não gosto de quem tem sentimento escasso,
que vai dosando e podando a verdade de si,
se dando à meias-verdade que nada representam, enfim,
 me causa desgosto essa coisificação de nós...

O que busco está rareando
são pessoas que ainda estão à margem de tudo que vai se alienando,
de sinceridade nos lábios, generosidade em grandes mostras
e capacidade para amar além das palavras.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Infértil


Morto e enterrado em mim mesmo
vivendo dias como se fossem filmes de uma vida antiga
observando o mundo como quem não é daqui
onde tudo parece atuado de tão absurdamente descompassado.

Andando e respirando automaticamente, sem rumo
como que possuidor de exoesqueleto,
a poeira que resseca a pele é a mesma que torna infértil'alma.

Não deixa brotarem nem os fungos do ódio.
Teorias e informação de modo à trazer significado
distraindo-me do problema que trago pela simples existência
o próprio viver me incomoda, a rotina sufoca
e o que alivia são as margens e minorias
costumeiramente reunidas em bares, ruas do centro e periferias
o que alivia são as conversas das margens
comumente divididas entre amaldiçoar a dominação explícita
e cuspir no chão ao falar da PM homicida.

Falta ação pra se ter ideologia.

Uma busca sem razão pelas tantas razões que existem no mundo
deveras complicado e fatigante, essa coisa de ser incessante.

Mas do gelo infértil que me tornei, morri.

Morto e enterrado em mim mesmo
só razão,um corpo(oco).


R.C.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Inumano

Metade de mim depende de poesia.
Uma parte ínfima que nem se faz importante
sobrevive de carícias
e a outra metade sobrevive de loucura
produzida pela necessidade de se provar
sempre
um
pouco
mais.
como se fosse uma verdade irrefutável
seria eu feito de certo material abominável?
um sujeito alterado em sua essência
modificado de modo à absorver e se adaptar
e testar, exigir, adoecer, ressurgir, vomitar
até que um dia seja demais pra suportar?

R.C.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Diálogo.



Uma mesa de bar. Toca Cartola nos falantes de som ambiente.

- Para onde vai ?
- Não sei.
- Vai, mas não sabe pra onde?
- Exatamente. - respondeu, olhando o céu como que voando.
- Mas qual a racionalidade de ir pra um sem-número de lugares possíveis?
- Toda, por ser um sem-número de lugares, posso ir à todos esses , e mais tantos que quiser.
- E a vida , como fica? e o trabalho? A rotina?
- A vida vai comigo, no trabalho serei facilmente substituído... e a rotina acabará, o que definitivamente me faz sorrir.
- Tá, mas e o sorriso de quem fica? vai contigo?
- Não espere que eu te convide, se quiseres venha comigo.
- Mas são muitas coisas a serem pesadas para uma decisão dessa magnitude.
- Medo é inerente ao ser humano, mas covardia é defeito moral. Cuidado com a linha tênue entre esses.
- Não é medo, é costume. Não é covardia, é um meio que já é meu. Mudar é difícil pra maioria das pessoas , as que não são você. Eu sou preso à mim e tudo que me cerca.
- Deveria ser alheio à isso.
-  Deixe me ir... preciso me encontrar. Lhe digo ainda essa semana sobre minhas correntes quebradas ou não.
E se foi. E o outro continuou com o cigarro aceso, devaneando liberdade.

R.C.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cansaço


É muito falar de liberdade
pouco de ser livre

é muito falar de viver
e pouco de viver

é muito falar de se doar
pouca gente se doando

muitas ideias bonitas
sendo usadas de vitrine

muita gente se adulterando

quantidade de informação impossível
pra qualquer um aglutinar ...

e geram-se as cópias
dos modelos prontos que fomos forçados a engolir

pouca gente se jogando no autoconhecimento
muita imagem sendo construída
muita marca pra adornar
o vaso que nada carrega, possui ou fertiliza

homem não se politiza
faz o terreno do belo infértil
não poliniza com outras flores
só a ditada pela onda uhf/hd
pelo canal cinco
o câncer virtual

a rede deu asas pra quem não voava sozinho
agora querem todos ser diferentes
mas são dependentes
imagens, camisetas e bótons
celulares, grupos e tudo mais
e o simulacro supera a vida real

enojado pelo quanto acho tudo isso banal
és comido dia-a-dia na tua alma , pelo chacal

e ainda vens me falar de originalidade
moralidade
integridade
ah, hipócrita sociedade...

faz-me rir.


R.C.

Alalaô Carnaval!


lalaô, alalaô
o carnaval vem chegando
chegou

trouxe consigo os foliões e os blocos
as tintas e os papéis picados
as picas e as aranhas
ansiosos por trocar fluidos nas entranhas

alalaô , alalaô
o carnaval vem chegando
chegou

vem com ele a marchinha gostosa
e aquela moça que dança formosa
aquele amigo que há muito não vê
vem pra sp só pra na putaria se fazer

Alalaô ,alalaô
o carnaval , vem chegando
chegou

as camisinhas jogadas no chão
banais e casuais
veio com ele o medo de ser pai
aquele tanto de gente junta com cêcêzão

Alalaô, alalaô
o carnaval vem chegando
chegou

os beijos tantas vezes incontáveis
os inúmeros casos fugazes
gente de vontades incontroláveis
excessos de inspirações palpáveis

Alalaô, alalaô
o carnaval vem chegando
chegou
passou.

ardor, calor
passou.
paixão,
passou.
o ano começou
dirão todos
mas vem cá,

E o que ficou?

Anaklusmos


Dizem que na falta de claridade
O que tem luz se faz valioso
Portanto audacioso penso
Importante mesmo é luz de ideia
Sinto-me aproximado da nova idade média
Onde as trevas cobrem e padronizam as artes
o arbítrio se faz lei
E a lei esconde a perpetuação de poucos
por meio de floreios vocabulares.
Nos homens mesquinhos e obscuros, na máscara de bom homem médio
que reside a culpa de ser o modelo distrativo
e o povo laborando sem parar , com a esbórnia a lhe amansar
e resignar o espírito satírico.

Sinto-me agoniado e acuado em um canto com os meus
já que na volta do mundo , o que não falta é subproduto...

R.C.

sábado, 26 de abril de 2014

O frio.


As paixões padecem de desilusão previsível
é como se nada mais bastasse
como se a capacidade de amar não mais existisse
ou um coração de  pedra tenha substituído o de tecidos
insisto
não há mais do que momentos arfantes
cujo beneficiado maior é carne.

A alma fica em segundo plano
em sua solidão assistida pelas garotas que vão e vem
todas ímpares em suas singularidades maravilhosas
mas de alguma forma falta algo, algo que maravilhe e ilumine.

já há tanto sem amar não me lembro da sensação, senão o quão sublime é esse estado
talvez falte isso, alguém que desperte a flutuação entre o céu e o inferno
que faça aquele furacão e uma limpeza em tuas mágoas
para talvez lhe causar novas, o que é um risco do jogo de amar
mas nem se pensa nisso quando nos temos sem ter os pés no chão


E de todo os dias se resumem em rotinas de fuga
por entre ruas distantes e prédios de tantas cores
talvez nos discos de uma loja antiga afogar as dores
e sorrir novamente porque viver é reconfortante
- o vento que acaricia o rosto, o olho que vislumbra o novo
tudo é belo e com cor,
mesmo sem amor.





quarta-feira, 2 de abril de 2014

Egoamor

Cheguei ao meu limite de contradições
chega.
de meio interesse
entregar-se pela metade
metade de afeto
de meio amor
de pé atrás e retesar-se.

não me valem mais os jogos bobos de elogios velados ,
do tatear às cegas à procura de uma pequena fechadura,
de modo à abrir a porta do camarim e tirar as máscaras
que permeiam o teatro dos jogos de sedução

é despido de tudo que não me é intrínseco
que voltarei à mim , um encontro à cegas
para talvez encontrar, com um novo prisma,
um novo amor. Incrível e cheio de defeitos.
muitas facetas  e um só objeto.
Eu.

R.C.