(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Descrição
O combustível do poeta , do escritor
dentre outras coisas
é a dúvida, a vivência
o desamor
as anedotas da cidade grande
as grandes epopeias
dos humildes viajantes
uma tarde ensolarada n'uma praça verdejante
um pôr do sol com uma família hippie itinerante
uma mesa de bar carteando e falando de vida
e adiante
uma garrafa de vinho acompanhada de haxixe
como em conflito com o mundo que muito exige
a cara limpa para que a mente processe
o que a boemia tratou de em fogo gravar
no peito do poeta
há uma vida para se amar
há uma menina para se apreciar
se descobrir e deslumbrar
com a mulher que vem a se mostrar
há no homem alguém para também beijar
se apaixonando pela voz doce e rouca
há na noite uma amizade que nunca mais verá
uma companhia findável n'uma rua de luar
tudo vira verso
desde sentimento até stress impresso
o xingamento da metrópole
a indignação com os estábulos dos prédios
a repulsa com os navios negreiros sobre rodas
que não diferem mais cor e discricionam para quem abrem portas
o poeta é a cisão com o imaginário popular
o que percebe a podridão e se dói com o mundo
carregando nas costas , essa marca do absurdo
esse grito calado , que nos dedos se perde
e vira verso bem rimado
ou nem tanto dependendo do estrago
tudo é inspiração
só cabe o poeta , acertar na descrição.
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