sábado, 5 de dezembro de 2015

Neogênese.

O que te dói , meu bom amigo?
É a vida que não aconteceu
as ilusões que não se adequaram aos sonhos
findaram aos poucos
os teus amores todos
por aquela que dizia ser sua ?
Talvez porque a vida não seja romance
não seja literatura
seja algo como a verdade mais dura
que já veio a saber
esmorece não?
mas afinal
O que já não sabias?
Não é o primeiro desamor
não é a primeira falta de sintonia
todos tem suas necessidades prementes escondidas
o desvendar é saber se supre ou se foge
se é verdade, orgulho, mentira ou perjúrio
se é destino ou apenas momentaneamente, bons augúrios

bem sabes que é
de uma nova caminhada que se nasce um novo olhar para o mundo
talvez algo mais profundo, que buscava e essa não pôde te dar
sei lá...
Já diria Jobim.
a vida tem sempre razão, ainda que tristonho
não saberias do futuro se o planejasse
não haveria acaso
não haveria destino
haveria apenas a vaidade do planejamento
às vezes a maré levará para melhores portos
nunca se sabe, até saber que é o momento
afinal, não existe pontualidade em São Paulo.
Logo rirás do teu eu caído
melhor só do que estragado
melhor solitário
sem as máscaras ,
do que com o coração entregue
mas a racionalidade vacilante
enlouquecendo-te a todo instante
nesses momentos,
que a tua verdade seja mais importante
porque quando o amor de ti foge
é a chance para que te regeneres.
R.C.

Nova era

Sou o conjunto de eras vividas
palavras ditas que não voltarão
erros cometidos
refletem até agora
na existência hoje vivida

algo como se ater à uma tristeza
embora o mundo seja belo

é belo
mas está errado , certo?

sentir como se houvesse contribuído
para o que é hoje
um ou vários dos fatos geradores dessa descamação do ser
que é ser , ter de pertencer

 causos tristes são o comento
desgraças são cotidianas
nossas  crenças se misturam aos preconceitos
até onde iremos?

com essa soberba insana
triturando todos os sonhos
como na ditadura
(ainda há pouco vivida
pouco lembrada
deixou lições que devemos entender )
até onde iremos com essa postura?
de conivência com os corruptos governos
de impaciência para com os movimentos
de ódio para com os extremos
para o diabo todos esses excrementos!

Onde está o incenso
que há de limpar essa tristeza?
a vela
que há de iluminar essa escuridão?
o amor
que há de povoar o mundo?

(...)

Somos tão divididos, até o cerne
só não nos rompem a alma porque não conseguiram
mas a realidade se tornou aceitável
e tal reforma seria instruturável
para um mundo de recursos escassos
como compreensão e abraços
empatia e noções básicas de educação
entender que o ser humano para ser são
é preciso mais que sangue, mente sã e pulsação
é preciso amor para que o germe nasça
é necessário que paremos de produzir nossa própria desgraça
não uma reforma, mas um recomeço da raça humana
paremos com essa mundanes
de segregar-nos todos até não restar nenhum de nós...

Precisamos
de
Um recomeço...

R.C.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Passarinho


Sonhador  estranho
meio água, meio ferro
meio terra, meio sal
embora doce,  escondo, fujo

pra quê? por quê?  do quê?
O não já existe
o buscar aprovação é irrelevante
então pra quê atormento-me pelo que trago pra mim a todo instante?
conforto seria paz consigo e com os semelhantes

sem mais arrependimentos com os erros pretéritos
passou, passaram
passarinho perdido pousou
no ninho das desavenças e andanças
com certezas que já valeriam a vida
se não houvesse tanto para se fazer
tanto para mudar

estufa o peito
ajeita o ninho pro retorno diário
na mente o templo da fuga do escárnio
na quietude interior
construir e fazer as torres
de onde se mirarão as flechas de luz
no coração de cada ser

Passarinho, guerreiro de ideia
que voando faz sombra
estandarte que não se encerra
nem se venera
se vive, regenera
não confundamos desejo de paz com ausência de guerra
voemos nessa terra, derramando um pouco da essência
para que embora passageiros, passageiro nada seja.

R.C. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Aurora dos tempos

Vivemos tempos curiosos
nada módicos
o mundo está a ver a volta de seus filhos pródigos
das bruxas queimadas
dos poetas sombrios
das almas quebradas que voltaram para suprir
o que antes lhe atormentava
o que antes não os fazia enquadrar-se
o que antes não havia chance de mudarem

Ainda hoje
tais almas vagam com uma sensação de que não são daqui
trazem lembranças de uma sociedade não-terrena
e seus atos e tormentos, espelham sua diferenciação
mas encontram seus pares por onde passam
que hoje vem aos montes
para quebrar os paradigmas
os muros, as insígnias
queimar as bandeiras
reabrir fronteiras

Viver à uma nova maneira
sem medo, sem amarras inúteis
provando que a liberdade que dizemos ter inexiste
que há muito mais a ser buscado
não precisando ser rebuscado
renovando o modo de ocupar os espaços
de olhar o outro, reconectando-se com a natureza
preservando as boas certezas
renegando o que é desprovido de beleza
rindo da ganância e cumulatividade inútil
tendo empatia e sendo útil
levantando-se como onda
contra um Estado e um regime que envergonha


Rachando as jaulas mentais
rechaçando cada vez mais
tudo o que não é compreensão
nem que pra isso seja preciso derramar o próprio sangue


É uma guerra pela paz
uma Cruzada sagaz
por valores há muito esquecidos
propagados por Buda, Oxalá e Cristo
o verdadeiro Universalismo.

R.C.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Ouroboros 3

De quê me vale a vida se não a vivo?
Sou puro improviso
não planejo, procrastino longínquos objetivos
não sonho, devaneio entre os vivos
gosto de voar mas não tiro os pés do chão
não acredito em ninguém, não duvido de tudo
um paradoxo amorfo, obscuro
adaptável porém não influenciável
pensador de alma saudosista, quase depressiva
embora escuridão, ama a luz do dia
se apaixona pelos erros dos outros
pela psique quebrada, pela desilusão, pelo estranhamento
aprende, encanta, desencanta desanimado, desdenha do sentimento escasso
renasce e renova o traço
toma forma nova e se sente fênix!
surpreende-se com a própria força
mas ó... cai.

Por uma palavra ouvida, pelo desapontamento pessoal
pelas expectativas desmedidas
fraco quando é forte, forte quando é fraco
dualidade complexa, sair de casa com sorriso
quando queria mesmo era nem sair
sorri nervoso, a mente se trai
embriaga pra não lembrar a frustração que é
possuir sede de conhecimento, de renovação
sendo incapaz (no momento) de abrir mão
da crítica social que o afasta da acensão

Atormentado, enfrenta o silício calado
uma dor que inexiste de pausa, de parada, de parágrafo
não existem reticências para um espírito encarnado
o sofrimento está lá, é seu amigo
a consciência está lá, é sua juíza
condenando-o a reconhecer o ser quase
prelúdio do que deveria ser
apenas o começo do novo
apenas meio ouroboros
apenas uma águia que não quebra mais o bico...

Mas não! Dentro do mais fundo, do mais antigo que há
[na essência
algo surge, uma luz, um farol, uma chama crescente
que não permite o esmorecimento, que faz das conquistas diárias
um bálsamo ao tormento incessante
que impulsiona as mudanças, fazendo dos erros, acertos.

Não seria afinal, isso o viver?
este ciclo tempestuoso, com suas fases e obstáculos
de memórias vergonhosas e jubilosas?
Reconhecendo que o importantante
é a perseverança de não aceitar-se como é
de moldar-se, deixar ade ser amorfo
estando além de seus valores basilares
estes que consituem sua raiz forte
seus juízes corretores,concedentes de penas alternativas.

Decide não mais lamentar-se
não será mais uma alma deformada, não integral.

R.C.

sábado, 10 de outubro de 2015

Despido


Removendo escombros que sufocavam o sentimento
fiz de mim novos e belos augúrios para um novo tempo
motivado por um amor findo - ou em voga
hoje sou quem escolhi ser  e não de algo, cópia
- como outrora

Escolhi inúmeras vertentes para acalmar minha alma que jazia desamparada
escolhi meditações que acalentavam minha caminhada
escolhi companhias que me engrandecem em cada estada
decidi que para mim, nada do que está posto basta
e para meu futuro, somente o meu melhor será a resposta

Queimei as fotos, exclui as fotocópias digitais
mas não há como cauterizar feridas que se abrem
com pensamentos descuidados como crianças travessas
que não sabem os perigos a que se expõe ao correrem entre quinas

Senti por todo um tempo que valeu a eternidade
uma estranha saudade
do teu respirar, do aroma de tua pele
 da textura de tua epiderme
de cada sorriso que me brindaste
mas não de todas as lágrimas que derramaste
talvez por isso me resigne
a ser um meio ser que exprime
todo o pesar que é um amor sublime
findado por meninices.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Ouroboros 2


Não tenho escrito muito por aqui pelo simples fato de não ter mais tanto tempo, mas é tanta coisa pra dizer que prefiro o silêncio, tanto problema pra diluir que só sobraria lamento, tanta felicidade pra semear mas isso precisa de solo fértil e tempo. Intento? Possuo, de veracidade e alma tenaz, nessas qualidades eu me incluo, e subo, para a sinceridade dos dias áureos, sou mais um que abre a cabeça, o coração e a cada dia fica menos otário. Já fui, da imagem do mundo reflexo, com todos os vícios morais, da droga ao sexo, mas aí, por isso não critico ninguém. Pra fugir dessa máxima tem que querer ser alguém melhor - afinal ainda luto todos os dias contra o meu pior, não melhor pros outros mas melhor pra si, eu ainda aprendo todo dia como faz bem sorrir. 
Mesmo com uma sensação de que não está nada bom por aqui, eu tenho que fazer de mim um refúgio para os tempos do porvir. Refúgio para a minha paz, resgatando toda a minha essência de luz e convicção, de que tenho de que fazer algo por aqui e minha vinda não é em vão. Missão? Ainda não sei qual é, mas ficar parado sem contestar, só sei que isso é "migué", de "mané", que não quer botar a cara a tapa, por isso agora eu boto, e assumo as ciladas, que eu mesmo plantei para mim, enfrentarei, das loucuras que eu cometi, das opiniões que influenciei, dos rancores que deixei, mudei! Por isso estou aqui, aceitei a minha essência, por isso todo dia minha alma grita de amor pela minha atual consciência. 


R.C. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Um velho


Dentro de mim, existe um velho
que olha o mundo com ares de quem vê tudo novamente
que vê os homens cometendo os mesmos erros
vendo as sociedades que muito mudaram
em seu modo de produzir e monetizar
e os homens que pouco se modificaram
morrem vivos à procura de uma vida repleta de luxo e comodidade
adornos de modo a justificar uma existência vazia
juntando-se em seus grupos sociais que constituem zonas de conforto
mistificando e julgando uns aos outros
sem entender que o vazio que sentem e procuram suprimir ou ignorar
 não mudará com seus julgamentos
com suas tochas levantadas, com suas panelas batidas
ou com seus preconceitos injustificados
aliás
justificados com tanta baboseira...

amor, minha gente
é mais do que se relacionar com alguém de outro gênero ou do mesmo
é mais do que o conceito de família, o sangue que nos liga
temos as mesmas origens, mesmas aspirações
todos sentem alegria, tristeza, felicidade, raiva, nostalgia
nos falta entendimento, de olhar que somos um
o outro sou eu refletido em águas mais limpas ou mais turvas
pois a vida de todos tem seus desvios e curvas
mas no final, somos a mesma coisa
queremos paz, um bom lugar para viver, teto pra dormir
sem medo de morrer, vida em plenitude para sentir que vivemos
mas os homens aceitam o protótipo robótico que foi obrigado a viver
trabalho, fábrica ou escritório, estudo - faculdade pra trabalhar, vida nisso
onde há?
Dentro de mim há um velho que vê os mesmos erros sendo cometidos
barbaridades em nome de um Deus
atrocidades em nome dos desejos
maledicência quanto à vontade de recomeços
 - e falta de recomeços

amor , minha gente
é perceber que só alcançaremos a paz que almejamos
quando ninguém mais tiver fome
de comida ou de alimento espiritual
dores para serem sanadas
conceitos morais inúteis feitos para nos apartar
religiosos, políticos ou influenciados por uma tela - hoje
olhemos com olhos de unidade
não de estereotipamentos
sejamos
um
em muitos corações.

R.C.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Crise dos 20


Eu tenho vinte anos de idade
vinte anos de imagem
vinte anos de opressão midiática
vinte anos de  probabilidades perdidas
vinte anos de ilusões vívidas
vinte anos de buscas e apreensões
vinte anos de baús de lembranças em meus porões
vinte anos de relutância em dar importância aos tostões
vinte anos de fascínio pela fumaça
vinte anos de uma essência dramática
vinte anos de um furacão esporádico
vinte anos de uma calmaria que é prelúdio de calvário
vinte anos de tours para o inferno disfarçados de amores
vinte anos de rancores
vinte anos de esquecimento de onde vim e pra onde vou
vinte anos entendendo quem eu sou
vinte anos
choro ou sorrio? vivo ou suicido?
o mundo é belo demais em sua natureza
e os humanos são nojentos demais
com toda a franqueza

vinte anos de vivência
de que isso vale?
em um mundo em que lealdade não existe
falsidade é produto mais consumido
do barato ao mais caro
somos todos estragados
oprimidos e enclausurados
apodrecendo em jaulas mentais
forçados a viver como animais
obrigados a esquecer nossa bondade
nossa docilidade gera personalidade atacada
onde está a volta dos índigos?
onde está o planeta em transformação ?
o fim dos tempos de dor e rancor
onde estão ?

Onde está a aurora dos dias com o novo século?
Das ideias que hão de revolucionar e libertar o viver?
Onde está a juventude que abrirá mão do supérfluo?
aprenderá a amar, aprenderá a aceitar seus pares
sem que tenhamos que nos matar, nos odiar aos milhares
nos segregar e fechar em pequenos grupos
discricionados por senhores que falam em púpitos
de batinas ou de terno e gravata
nos arrebanham e matam pela mágoa
nos despertam o mais visceral da crueldade
e nós nos aceitamos como espadachins de fé inabalável
quando deveríamos agir cada vez mais de modo afável

Perdemos nossos sonhos
nos tornamos tristonhos
a troco de quê ?
de um troco qualquer
de uma noite qualquer
de um trabalho qualquer
de uma vida sem significância
cheia de relâmpagos e tempestades
sem bonança

Nesses vinte anos
o que mais fiz foi me decepcionar
ressurgir com mais esperança
e vê-la minguar com os dias que decorreram
quero acreditar em um mundo melhor
quero olhar pro meu semelhante e encontrar mais
do que um recipiente vazio, uma alma que congelou com o frio
das relações sociais, da humilhações diárias, da dureza cotidiana
quero me libertar
 olhar o horizonte
apagar as fronteiras
quero ser feliz e rir aos montes
quero me despir do medo que faz andar com uma faca na cidade
quero me despir da malícia que faz piada de uma frase mal colocada
quero
deixar de ser sociedade
quero ser humano, só bondade

vinte anos que valeram por mil
quebra de paradigmas já tive muito por um só Brasil
vinte anos
em que
vi
os melhores
nesses vinte anos
morrendo de overdose
por se afogarem pra não ver
o mal que assola
todos os dias
de todas as formas
a mim e a você.

R.C.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Reciclo(ado)


As vezes eu flutuo
as vezes fico de cama
pelo sentir
em uma proporção tamanha
que me tira a atenção
da posição tacanha
dos homens
da política assanhada
da malemolência forjada
pra enganar multidões

me joga no abismo
com um elástico preso à cintura
como um cinto
sinto
de formas diferentes
em dias ausentes
em dias presentes
de corpo e alma
falta de calma
vontade de mudar o mundo
vontade de fechar a janela
a dualidade
em  cada linha
em cada quebra
mas
a vida segue

a humanidade caminha
rumo ao abismo
mesquinha

 eu aqui
com meus amores
findados e em curso
remanescências de um subúrbio
do amar

 meu ninho
fumando meu cigarro
sozinho
prefiro compor sobre o sentimento que tenho
sobre o escárnio que vejo
do que sobre as razões que possuo
pois minha vida é mais que racionalização
ás vezes é preciso um pouco mais de coração
senão
adormece a visão
perde-se a audição
a vida passa a ser cinza
e a cidade vira rotina
melancolia travestida de dia a dia
prefiro então ressurgir !
como lagarta do casulo
borboleta se faz
pra ganhar o mundo
e morrer logo mais

nesses ciclos de morrer e ascender
criar e transcender
digo, à rotina de ser eu mesmo
jamais me laçará
andando sem direção
à esmo
porque na lapidação que me proponho
morrer é matar o estorvo
que jaz em meu peito

e pro leigo
mato o meu medo
renasço destemido
confiante e temido
de olhar feroz e comedido
sendo um melhor amigo
uma pessoa diferente
sem deixar, em essência,
de ser eu
o jocoso
o sério
o direto
o adorno
aquele que o pão que caiu no chão
sorridente comeu,
Rômulo, o plebeu.


R.C.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sobre o amanhecer.

Todo dia, descobrimos que pode ser o recomeço. Nos perguntamos, recomeço de quê? De tudo, oras!
Recomeço, de amizades que há muito deixamos de lado por motivos fúteis, essas que uma vez ou outra nos pegamos pensando sobre. Recomeço, de uma aproximação mais amorosa com nossos familiares, pelos quais nutrimos grande afeto mas nem sempre, por diversos motivos, conseguimos ter uma convivência pacífica. Recomeço, de uma vida que sempre sonhamos, com as realizações pessoais que apenas nós sabemos que nos preencheriam, mas por inúmeras razões, decidimos procrastinar.
Todo dia é uma chance pra ser melhor do que ontem, não quer dizer que seremos diferentes e uma metamorfose total. Todo dia é uma chance pra se despir das máscaras que nos colocaram, que nós colocamos, que nós aceitamos colocar para sermos aceitos, passarmos despercebidos. A isso eu digo não!
Somos diferentes, inúmeras nuances, pequenos seres de luz que apagam a si para se adequar ao cinza da cidade. Em essência somos iguais, discordo quando dizem que o homem é ruim, como se fosse inerente. Não, somos animais, e como animais, quando acuados fazemos coisas que normalmente não faríamos, e o que não nos acua hoje em dia? Vamos abrir mão dos rótulos, dos melodramas, da transferência do peso da culpa de nossos atos, dos comentários infelizes à respeito de outras pessoas, sobre as escolhas de outras pessoas!
Garanto que se botarmos em prática, o dia em que isso acontecer será melhor que o anterior. Pois como humanos, temos a possibilidade de sermos super-humanos, comermos nossos defeitos em cada jantar, sermos mais dóceis, afáveis e atuantes em cada amanhecer.
Somos potência, deixemos cair o peso inútil que aceitamos carregar, carreguemos a cruz de trabalhar pelo amor, que por si já pesa, o resto, é passageiro.
R.C.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Promessas ao amor desconhecido

Prometo prostrar-me  de madrugada sempre que precisares, embora odeie acordar cedo ou de sopetão. Prometo estar contigo em dias chuvosos pra oferecer meu guarda-chuva que levarei à tira colo todos os dias, assim como lhe oferecer sempre que um calafrio lhe percorrer a espinha, meu casaco, pois prefiro sentir frio a ver você bater os dentes. Prometo te lembrar de que teu sorriso me encanta e que teu riso é o sol de certos dias escuros que tenho. Prometo lhe fazer entender que o meu amor vai muito além do corpo que possui, das celulites que possa e da barriguinha que possa, te farei entender que entendo seus medos e vejo beleza em tua alma, nas tuas aspirações, e amo a tua verdade, teu modo de lidar com as coisas que lhe são impostas. Pretendo nunca lhe deixar se sentir insuficiente para estar comigo, lhe mostrando que você me completa de modo que passo a semana toda pensando em você e meus dias não são completos sem o som da sua voz. Prometo não lhe deixar ceder aos maus pensamentos que lhe passarem pela cabeça, deixando claro que você é uma mulher forte e eu estarei contigo independente do que possa acontecer em sua vida profissional ou pessoal.
Novamente mostrarei que tua estética me encanta, mas o que é relevante para mim é tua doçura e teu emocional de romantismo “desestereotipado”, que assim como o meu, é cheio de enfeites e doçuras pontuais, como cartas e belos vitrais, mas nunca atitudes sexistas; e de ciúmes, o mínimo necessário, pois não o provocamos.  Lhe prometo em dias que eu acordar antes de você, lhe fazer café e lhe acordar gentilmente, talvez com uma flor recém-colhida no jardim que teremos.

Prometo-lhe ser teu companheiro, mais que teu amante, e quando seu amante, prometo ser fogo que vira labareda contigo. Prometo-lhe fidelidade enquanto formos um, e sinceridade quando deixarmos de ser. Prometo-lhe sufocante paixão quando necessitares, mas também aviso que tenho muitos dias em que na minha alma chove e eu preciso de introspecção, dias esses que pra mim, um bom dia ou uma mensagem no meio do dia já lhe fará percebera importância tem em minha vida (assim espero) . Prometo-lhe ser o máximo de bondade que puder, mas também ressalvando que meus dias ruins são de melancolia intensa, mas por ti farei que eles rareiem.

Prometo não me abster das minhas dancinhas e imitações que fazem parte da minha personalidade irreverente quando estou alegre. Prometo me empolgar no chuveiro ao ouvir uma música que me desperta essa vontade, assim como vou lhe mostrar todo o meu acervo musical em sua pluralidade e rir com as músicas que tenho vergonha de mostrar. Prometo lhe mostrar minhas bossas e composições, esperando que compreenda a mensagem que tentei passar. Prometo não me refrear diante do pensamento que você pode achar alguma atitude natural minha, estranha. Prometo levar-lhe às minhas exposições favoritas , assim como aos meus lugares de paz, também aos meus bares favoritos . Prometo fazer-lhe parte da minha família, que não é das mais normais (nem de longe), fazendo você realmente pertencer e sentir o amor que é atmosfera em nossos encontros coletivos.

Prometo ser inteiramente sincero quanto aos meus demônios, assim como aos fatos que me fizeram ser nova pessoa. Prometo falar das minhas ex-namoradas quando perguntares, apenas ressaltando como cresci com erros que cometi, assim como com erros que cometeram comigo.

Porque comigo, o lago do amor só vale o mergulho se quando se apresentar for maior que outro já visitado.  Enfim, lhe prometo um vislumbre de meus segredos e minha alma intocada, assim como um barco com manual de instruções pra navegar em mim. Pra ti, serei sempre terno quando recorreres, e desagradavelmente sincero quanto à teus vacilos, lhe mostrando o quanto tento entender tudo, até seus defeitos.

Lhe prometo uma vida normal e anormal, diferente no mínimo, eu não sei pra onde estou indo, mas se quiseres compartilhar uma caminhada atribulada e cheia de sonhos, é aqui mesmo que tens que ficar.

Não sei teu nome, mas já lhe avisei. Meu amor não é vulgar, embora muitas vezes eu já tenha sido, como já percebeu em algumas passagens que te contei.
Amo você.

Rômulo Cesco

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Ainda é cedo


Ainda é cedo
para nos mudarmos
como seres mutantes que somos
que nossa condição não seja nomos

ainda é cedo
para reconhecermos os erros
que fizemos ao longo dessa estrada tortuosa
de dias de sol e chuva, silêncio e balbúrdia
pois até que a morte lhe envolva em seus braços
você é o capitão do seu carma
o único representante da sua alma
da sua consciência que por muito tempo cegou-se
portanto
ainda é cedo
para reconhecer a pequenez
se colocar à serviço do bem
olhar para a moça que passa e com ternura olhar
sem avidez de modo a amedrontar
se apiedar do semelhante que à ti recorre
quando sobe as escadarias do transporte
maltrapilho e malcheiroso, ele também é homem
foi já um moço
ou é ainda uma criança, imagine se fosse seu filho
nascido na rua e obrigado a viver na cracolândia
enquanto olha famílias felizes à sua volta
suas noites são de alerta e insônia
sua linha já nasceu torta
pede sua esmola para que não passe fome
e de noite tem que fugir quando vê encapuzado
ou "os homi"
isso é vida, ou prelúdio de revolta?
ainda é cedo, para tentar reverter
você não é cego, então não pretenda ter torcicolo
ao virar a cara para não ver

todo vivente nesta terra pode permanecer
existir e fazer viver
basta querer fugir do dia a dia rotineiro
pois de pena o mundo está cheio
e de gente fazendo pose de bom moço
o que precisamos é de gente que não veio à passeio
eu já estou farto
e você, aguenta os maus tratos que és submetido?
o descaso do governo? o ódio que te passam?
a inveja e o falatório de vizinhança?
 a fofoca que de boato vira maldade
e você se dói por coisas que nem são verdade
foge e entra em você.

o sentir é importante
ainda é cedo para absorver o instante
chorar se necessário
ser mesmo sem religião, do bem
um missionário
entender que nada se compara ao sorriso
é mais que teu salário, mais que a benção do vigário
o bem sim é pagamento à altura
pois o mundo precisa de mais ternura

ainda é cedo
pra deixar a porta aberta
pro sol que não tem censura
pro amor que não discrimina
pra vida inteira que ilumina.

R.C.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O morador

passa tempo
tempo passa
passa o vento
passa o ônibus
passa a gente
e o invisível
ao relento
passa gente
passa animal
e ele ainda é figura usual
passa tempo
passam anos
estações e pessoas em trampos
e ele... não está mais lá
morreu, mudou de habitat ou saiu da rua?
quem liga ?
ele é invisível
passou
como mais uma fase da lua.

R.C.

terça-feira, 17 de março de 2015

Alma


Consegue sentir ?
Essa alma que grita silenciosa e resignada
dentro e você , enquanto testemunha
essa loucura que é viver

Imperiosa nas decisões mais importantes
nem tanto emanando a todo instante
tua melhor qualidade falta quando mais precisas
talvez um pouco de paciência
talvez menos euforia
talvez mais parcimônia
mais valoração do que realmente te fará bem
ou o que em uma casualidade vá te fazer não ser você

Essa alma que lhe dá a consciência
e mesmo que em lampejos
aparece de forma que lhe muda a vivência.

Alma não grita pelas sensações
grita pelo que te incomoda todos os dias
quando andas pelas ruas
apressado em sua 'cotidiania'
essa rotina que lhe transforma até o jeito de ser
(porta-se pronto para ataque, defensivo e alerta
analisa tudo se vigiando, instinto de preservação à flor da pele )
grita por deixar esse olhar ressabiado e sarcástico
um ser cansado de tanta hipocrisia
que passou a viver a sua
uma máscara defensiva
que esconde de você mesmo e do mundo
e lhe impede a melhora
tua alma grita, implora!
jogue tudo isso fora
talhe-se como és
sem  que lhe digam como ser
baste-se pelo respeito, compreensão

simpatize-se pelo mundo
entenda sua parte e para de continuar em ação
reflita um pouco, sente teu chão
essa nação que grita revoltosa
e essa alma ansiosa de glória que pulsa
ansiosa em júbilo de liberdade e amor do mais puro
sem que tenhamos que construir muros
e o nosso seja tudo, não existirão distinções

Raça, não nações
uma cor, de pele
sem demonizações venenosas
sem adequar e tentar ser imagem danosa
sem vingança incentivada pelas histórias
sempre há um erro quando se mata para uma melhora
ou por honra de uma senhora
perdão é uma parte da nossa centelha
só deixemos que o outro seja
é de carinho compreensivo que o mundo precisa
pautados na melhora pela harmonia
englobando a verdade
que todos somos um só
mais do que o que nos diferencia
o que nos une são as muitas semelhanças que aproximam
nada mais nos alicia profundamente como o amor.

(em  todos seus subtipos
são todos de luzes expressivas)

domingo, 15 de março de 2015

Suburbano


Entro no ônibus todos os dias nos mesmos horários, o sol bate do lado que eu sento, ponho os fones de ouvido enquanto observo a paisagem e penso em tanta coisa que não penso em nada. São muitas mensagens ouvidas, muitas imagens a serem observadas, existem momentos em que eu só queria fechar meus olhos e contemplar a imensidão do silêncio em meio a toda essa barulheira que é a metrópole. Sou um suburbano, por isso, para chegar no ninho de cobras, na selva de concreto - onde fardas geram tanto temor quanto motoqueiros com touca ninja, tenho que pegar uma ou mais conduções. Conforme a paisagem vai mudando, vou me deparando com a literal concretização das coisas, não existem árvores para onde estou indo, em verdade, não há vida. Só uma sobrevida cheia de asfalto, canos, vidros, como se a cidade grande fosse uma criatura gigante, amorfa, que alimenta-se de si mesma... O cigarro é necessário nessa rotina, é estressante estar sob tantos olhares enviesados nos coletivos e ao mesmo tempo ser tão invisível e insignificante como o resto das pessoas, ás vezes chego a pensar que tudo nessa vida é aleatório, mas acabo por me convencer que não, o que não significa que não fraquejo perante essa perspectiva de vez em quando.

Moro em uma cidade-dormitório, que não oferece cultura, educação ou saúde,enfim, serviços essenciais, pois como já disse, a maioria das pessoas que aqui residem, não vivem aqui. Trabalham, estudam, saem, namoram em São Paulo. Uma vez li que o subúrbio tem todos os problemas da metrópole sem ter nenhuma de suas virtudes, acho que não poderia estar mais certa tal afirmação, onde moro não temos metrô, vias bem pavimentadas, não temos incentivo á cultura, não temos saraus onde os poetas poderiam se expressar, não temos uma integração entre as pessoas da cidade, embora relativamente longe da metrópole, todos vivem no modo operante da cidade, com medo do cara ao lado, estudando tudo e todos, calculando seus passos e suas palavras, a modernidade nos roubou a espontaneidade... Temos medo de ferir  o outro, de irritar o outro, de trazer algo inesperado para nós, temos medo até de sermos abraçados por quem não temos "intimidade" - porque afinal nunca sabemos quem é o outro não é? -  entretanto, estamos prontos para transar mecanicamente com quem nos possa dar prazer no fim de uma noite, sem se importar se é desconhecida a pessoa que nos faz sexo oral. Somos hoje um grande paradoxo, fala-se de intimidade mas se enviam fotos, filma-se o sexo, falamos de amor mas discriminamos o diferente, traímos a confiança de quem nos é caro ; falamos de justiça, mas matamos por honra ou por uma palavra que mal interpretamos; falamos de democracia mas somos tiranos em nossos próprios lares e igrejas.

Mais do que paradoxo, hoje somos hipocrisia em disparada, e quem tenta fugir se situa na margem, tendo de viver sob as regras que nos aprisionam, nos deixando livres para sermos máquinas. O indignado se situa na margem, tentando fazer algo de útil e de vez em quando acendendo um cigarro enquanto olha seus semelhantes vivendo em torno de uma superficialidade patética, fala-se mal do país mas joga-se lixo na rua, julgamos de todas as formas. A humanidade seria melhor se fosse exterminada, somos animais que se acham racionais, mas na verdade só tendemos a justificar nossas escolhas erradas, enganando a nós mesmos. É nesse raciocínio que eu boto os fones de ouvido e sigo observando a paisagem, esperando para descer no meu ponto e fazer minha parte, tentando trazer algo de calor nessa sociedade friamente desalmada, como uma andorinha levando uma gota de água no bico para apagar a fogueira das vaidades...

quarta-feira, 4 de março de 2015

Prosa franca, incentivo à reformas.

Somos feito para comermos os nossos defeitos
lutar contra nossas mazelas
todas
elas
somos feito de material volúvel
mutável
indescritível e inigualável
talvez por isso somos tão cheios
de pompa
essa
que assombra
quando levada ao extremo
atua como veneno

o ciclo é interminável
nossas chances de nos mudar são diárias
só tolos se acham imutáveis
e esses serão os mais arrependidos quando o final chegar
o bem vai vencer, e quando lhe for exigido,
o que terás feito? serás o mesmo, conservando seus defeitos e qualidades
assim como os encontrou.
Terás de recomeçar, até se transformar em algo mais bonito
menos puído e pútrido
prefere esperar
ou começar agora pra alcançar teu júbilo?

R.C.

Virtude


Perdão é divindade que ser humano não reconhece
uma parte do que nos difere dos animais
que a maioria se esquece.

Nosso orgulho é instinto de autoafirmação
assim como nossa honra quando posta em cheque
nos levando à agressiva ação

Perdão é parte inerente de quem merece um lugar ao sol
pois já disseram que mal não se paga com mal
e eu digo mais, mal se paga com sorriso
para que a consciência do que esteve malvado faça seu juízo.

Somos infinidade, possibilidade
humanidade, chega de debilidade!
- moral, conceitual, habitual -
reformulação de acordo com preceitos de não-violência
aceitação e paciência
somos tão belos, temos a virtude da resiliência.

Por que não nos transformar em caridosos ao invés de absurdamente ricos?
Bondosos ao invés de escassos de tentativas de melhorar o meio?
Sábios ao invés de meros caminhantes em uma estrada desconhecida?

Cada um faz seu caminho, mas o diálogo, se melhor aceito e aperfeiçoado
melhoraria para todo e qualquer lado
mas somos mesquinhos e beiramos o ser desalmado
que só pensa em si e no seu carro...

O que é melhor, ser do todo
ou incrustado em si
guardando tudo o que há de ter, sujando o porvir?

R.C.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Viva, acordado!




Brasileiro é engraçado
quando pedem de nacionalidade
logo dão a receita do bolo de que foram feitos
alemão com indígena, italiano com negro
notei sempre a negação
a dificuldade de aceitar habitante dessa continental nação
basta! a xenofobia que trazemos conosco
como se nosso fruto não fosse tão doce
como o Europeu, como o Estado-unidense
nosso fruto é melhor minha gente
é quente !
é natureza exuberante
clima extasiante

-tropicalismo liberal
um povo que mostra como se faz aceitando o próximo
e dando real justiça e bons valores ao povo
sendo que é formado por todo o resto que há no globo?
não, queremos ser igual ao todo
correr atrás de ouro de tolo
estagnar no nosso umbigo do dia-a-dia
até quem sai do rótulo tá sendo classificado
se julgam todos diferentes
esquecem que são iscas da rotina
esquecem que somos iguais no cerne
e cabe a todos fazer o que se propõe bem feito

banal pra brasileiro
quer ser Europeu usar terno e casaco o tempo inteiro
(e ainda tem lady que usa casaco de pele pra mostrar que tem dinheiro)
Cadê as bermudas e as camisas, meu senhor ?
Ter os pudores de quem vê frio o tempo inteiro
Olha para essa imensidão de terra
Você se apegando em coisa pouca que o tempo leva
tempo, meu querido, de ideias novas pra uma consciência eterna
a felicidade tem de reinar na terra
por que não começar no brasil
a terra de encantos mil?
unamo-nos em coro silencioso
porque apenas esperar a manifestação do bem é esplendoroso

sejamos pessoas melhores pois não se pode ter crença
em qualquer tipo de amor, sem amar ao semelhante
em todas as suas nuances, seja ele ruim e desprezível
existem coisas que o levaram a ser isso
os ser humano é animal que se apanha muito tempo
fica arisco e avesso à presença e afago
raivoso por qualquer coisa que afronte a moral que defende
sendo que cada um extrai o aprendizado que entende
uma coisa simples deveríamos aprender antes de pensar em nós
que o bem comum é melhor que o bem de um
e uma mansão, uma vingança, uma mulher, uma herança
uma ruína de um prédio público, linchar quem bem acham culpado
não vale o carma que você carrega na tua própria consciência
a dita ofensa contra a honra, um elogio à tua mulher
não te levarão a nada que já não tenhas repudiado

desperte para a vida, se liberte dessas amarras
sejamos não mais esses arquétipos de traças
mentalmente limitados e orgulhosos
preguiçosos e com a verdade , cautelosos
sete bilhões de pessoas em um planeta só
faz as contas, pensar como um é melhor
tanto nacional, quanto internacionalmente
seriamos apenas uma das muitas vertentes ascendentes

nacionalidade num lugar evoluído
não seria nada mais que para lhe designar tarefa condizente
com as necessidades de você-pessoa, parentes e mundo
basta pensarmos socialmente, a larga escala nos deixa temerosos
não tenha medo de pensar que todos merecemos dignidade, boa morada e oportunidade
você só tem de fazer a sua parte
devagar a gente chega lá , sem mais hipocrisia por esporte
só o verdadeira compreensão de que nossa presença para nós mesmos
não é em vão.

R.C.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Olhar.

Não me falta repertório
de poesia pintada de desespero
e grande exaspero social
falando de feridas que não secam
não sangram
abertas abusivas a olho nu em qualquer canto

de uma cela de abuso à um sanatório agressivo
da criança que da chuva entre as marquises busca abrigo
da perda da infância inocente por culpa de crápula conhecido
dos vis que matam sem deixar vestígio

de uma ferida que é uma sociedade
que se gere pelo estrago
pois o trabalho remunerado não enobrece tanto
quanto se doar para quem merece
e se alguém tanto necessita de quem é a culpa?

dos homens que renegam sua essência
usando inúmeras desculpas forjadas
 por uma inteligência dada

Todo sistema econômico que se baseia em moeda
não favorece o amor nem o teoriza
não traz o que nos há de mais precioso na vida
a compreensão de um continuar além daqui

que engulam suas próprias línguas, os falsos moralistas !
pra uma sociedade sem amor não há vida
está fadada ao colapso
dividir e taxar em larga escala
gera desequilíbrio e discriminação
em diversas áreas

caso não houver modo de vigiar
daqui pra frente só tende a declinar
nas próximas gerações voltaremos ao tempo
do culto ao corpo despudorado nas orgias
do desrespeito e aumento exponencial de maus tratos
ao semelhante e à natureza

a cisão é sempre a mesma
alguns se corrompem pela riqueza
outros se quebram e roubam
para ter um pão e leite frio à noite na mesa
tantos morrem e enlouquecem por não poder dar fi
a esse sistema cíclico e predito

continuamos na mesma
o mundo se comendo ,ruindo em dor
enquanto em eterna tristeza
observo homens de luz governados por parasitas.

R.C.