De quê me vale a vida se não a vivo?
Sou puro improviso
não planejo, procrastino longínquos objetivos
não sonho, devaneio entre os vivos
gosto de voar mas não tiro os pés do chão
não acredito em ninguém, não duvido de tudo
um paradoxo amorfo, obscuro
adaptável porém não influenciável
pensador de alma saudosista, quase depressiva
embora escuridão, ama a luz do dia
se apaixona pelos erros dos outros
pela psique quebrada, pela desilusão, pelo estranhamento
aprende, encanta, desencanta desanimado, desdenha do sentimento escasso
renasce e renova o traço
toma forma nova e se sente fênix!
surpreende-se com a própria força
mas ó... cai.
Por uma palavra ouvida, pelo desapontamento pessoal
pelas expectativas desmedidas
fraco quando é forte, forte quando é fraco
dualidade complexa, sair de casa com sorriso
quando queria mesmo era nem sair
sorri nervoso, a mente se trai
embriaga pra não lembrar a frustração que é
possuir sede de conhecimento, de renovação
sendo incapaz (no momento) de abrir mão
da crítica social que o afasta da acensão
Atormentado, enfrenta o silício calado
uma dor que inexiste de pausa, de parada, de parágrafo
não existem reticências para um espírito encarnado
o sofrimento está lá, é seu amigo
a consciência está lá, é sua juíza
condenando-o a reconhecer o ser quase
prelúdio do que deveria ser
apenas o começo do novo
apenas meio ouroboros
apenas uma águia que não quebra mais o bico...
Mas não! Dentro do mais fundo, do mais antigo que há
[na essência
algo surge, uma luz, um farol, uma chama crescente
que não permite o esmorecimento, que faz das conquistas diárias
um bálsamo ao tormento incessante
que impulsiona as mudanças, fazendo dos erros, acertos.
Não seria afinal, isso o viver?
este ciclo tempestuoso, com suas fases e obstáculos
de memórias vergonhosas e jubilosas?
Reconhecendo que o importantante
é a perseverança de não aceitar-se como é
de moldar-se, deixar ade ser amorfo
estando além de seus valores basilares
estes que consituem sua raiz forte
seus juízes corretores,concedentes de penas alternativas.
Decide não mais lamentar-se
não será mais uma alma deformada, não integral.
R.C.
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