terça-feira, 30 de outubro de 2012

Transcendência



Uma figura anda por uma estrada
uma figura passa atrasada
desertos de sol à pino
na parede da mente que se auto torra

De tanto relembrar e reviver
tudo se mistura e sai do lugar
as estradas se cruzam e o sol vira lua
lua essa que ilumina o dia todo e refresca

Tempo e espaço são conceitos inexistentes
tudo é coisa da cabeça de alguém que quis rotular
um mal passado que não tinha mais nada pra fazer
um novo surreal está vindo pra macular todos os puritanos

Mentes serão portais para transcendência
sem mais banalidades irreais ou coisas superficiais
chega de contar as horas, contar quadrados e ladrilhos
chega de tudo isso, a energia será uma só.

Transcenderemos, preparem-se.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Epopeia de um Eu.



Há muito tempo
feliz no silêncio
tomava tento de seus atos
buscando queimar cartas e retratos

Se deixou levar por fatos já conhecidos
sem deixar que fossem levados por um rio
assim esquecidos com corrente sem vertente
mas assim adjacente, foi o sentimento irreal

Chegando perto, bem perto pra analisar
percebeu que de nada sabia do amar
resolveu reformar, botar barragem no rio
conservar cartas e só guardar retratos

Libertou seu eu em uma cadeia de acontecimentos
que culminaram no seu próprio julgamento
no qual o juiz era sua consciência
e seu advogado era o diabo

Nessa epopeia, o júri eram lembranças
o tribunal, lugares que deu suas andanças
absolvido por si, agradeceu o diabo, pagou-lhe e disse adeus
"não tenho deus, mas tu também não me serve mais"

Libertou-se e pousou.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mundo paralelo






Levantou-se do sofá porque já não se aguentava de melancolia, esse mundo que ele se insere todo final de noite, precisava se libertar da rotina que já foi estabelecida para ele, por ele mesmo. Pensou em como seria esquecer quem é, seu nome, suas lembranças, o que o moldou. Talvez pra saber se realmente é uma essência, uma chama viva, uma alma de outrora, pra saber se a solidão que se abate nele desde sempre - sempre que deita na cama, é real, é dele, ou é fruto de alguma ideia inconsequente que se arraigou em sua mente...

Abriu a porta da cozinha, com um maço de cigarros e um isqueiro, para lhe deixar mais perto de seu desejo eterno de enfim beijar a morte. Não tem a coragem de suicidar, nem a vontade do mesmo, por isso talvez fume, esse pensamento lhe ocorre desde que pôs o primeiro cigarro na boca, mas ultimamente tem lhe ocorrido mais do que o usual.

"Só se dá razão a quem morreu" - pensa consigo enquanto dá a primeira baforada para poluir o seu entorno, criando assim uma neblina cinzenta de cheiro acre, como era de seu agrado nessas noites enluaradas, estreladas e geladas... Gostava de se sentir protegido pela fumaça, criando assim um mundo paralelo e pouco durável, como um deus secundário, capaz de criar mundos mas não uma vida.

Ele se senta em uma pilha de tijolos empoeirados, seu pulmão já tem dado sinais de que não passa bem, tem dado umas pontadas aqui e ali, esporadicamente, "nada com o que se preocupar " - ele pensa. Nada mesmo, se tudo o que pensa desde que tem consciência é no encontro que findará sua existência, deixanddo tudo o que conheceu, realizou e deixou sobre as costas de Gaia...

Termina seu cigarro e entra pela porta que deixou aberta, pois seu mundo evaporou-se e amanhã tem de fazer coisas que não lhe condizem.






quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Palavras


Palavras nunca são apenas palavras, podem ser pequenas, mas nunca palavras apenas. Palavras ferem, palavras convencem, palavras enebriam e podem criar um outro mundo quando bem usadas, fazer o bem quando bem colocadas, mas há o contraponto.

Palavras podem ser adagas afiadas, direto ao peito onde fazem morada, deixando a vida agoniada, e de palavras somos tão ricos, mas de respeito tão pouco, de palavras somos tão ricos, mas ainda assim fazemos de tudo um circo. Palavras são conforto em horas cruéis, podem ser artifícios para meretrizes.

Palavras são antes de tudo, vivas, intensas, cada sílaba exalando sua paixão pelo expressar, palavras são atores que se moldam de acordo com o texto de seu roteirista, você.

Palavras enfim, nada mais nada menos que a maior arma do homem e o amor maior do poeta.

Pousar, enfim.



Ele anda por uma avenida deserta logo após deixar sua garota em casa, acende um cigarro e repara como noites alegres não foram raras quando esteve com essa garota. Hoje pode chamar de "sua garota", mas antes disso, muitos obstáculos foram superados e muitas mágoas foram jogadas no baú de inutilidades que a alma guarda, aquele que é como um buraco negro onde tudo o que não presta é jogado, e ali some no sentimento, mesmo que não vire poeira na lembrança.

Nesse baú foram colocadas promessas não passaram do estágio em que os olhos brilham frente à um novo começo. Atos arrogantes em função de mágoas de outros amores. Descontroles emocionais provocados pela presença um do outro. Imaturidade de ambos, o que provocou diversas rachaduras na certeza que tomava o coração.

Ao analisar os fatos à sangue frio que se percebe que os dois sempre foram um do outro, mesmo que sem saber, pois mesmo depois de tudo isso, nunca perderam o contato, mesmo que comprometidos com outras pessoas, mantiveram seu compromisso consigo, com seu subconsciente, com o sentimento sempre latente, que se fazia presente e incandescente quando se viam.

E mais uma vez, juntos, sem nada pra atrapalhar, quiçá irão fazer durar...

E ele chega no ponto de ônibus, apaga seu cigarro, e vai pra casa, escrever sobre como tudo é fácil de se entender quando transcende-se a barreira da ilusão.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Liberdade assistida.


Ele tem pensado muito em relação à morte. Como ela define a vida, como sem ela tudo que somos seria um ciclo sem fim, peça de quebra-cabeça sem encaixe. Não tenho medo de morrer, tem medo da incerteza que lhe brota em não saber quando e onde. Não sabe se é coisa da própria cabeça mas já viu a própria morte em sonhos, ao atravessar a rua, ao andar por becos que não conheço, de diversas maneiras, inclusive apenas ao ir dormir.

 Mas não morreu, continua vivo, mas espera a morte pra abraçá-la com prazer, não sabendo se anseia por isso, mas aceitar a mesma lhe traz uma sensação de liberdade indefinível.

Liberdade talvez inconsciente e ao mesmo tempo consciente e inconsequente. Ao decorrer das doze badaladas, esperando encontrar a morte, toma um copo de whisky e fuma um cigarro, anseando enfim que ela venha lhe envolver em seus braços sombrios.

02/05/2011 - Longínquo embora tão recente.


Me sinto perdido,com medo,como em um suspense,onde o mocinho tem uma maré de azar onde se vê obrigado a virar vilão,onde deve botar todos seus conflitos em um baú,e correr pro horizonte,onde a salvação estará.Mas será que o horizonte guarda a salvação? No final do arco-íris há a cura? Espero que sim,pois um dia decidirei transcender,  e por todas essas provações deverei passar,tenho a certeza que todas serão de bom proveito,pois sempre há algo de se tirar como lição,pois nossa condição humanóide permite isso. Portanto erremos,aprendamos,mas nunca repitamos o erro, pois sempre há o castigo para o inconsequente,seja ele imediato ou não, a justiça é cega,porém consegue estender-se a qualquer lugar, independentemente do tempo que leve.

Refletindo sempre me pergunto qual meu propósito aqui,por onde andei,de onde trago tanta soberba,agressividade e narcisismo ,porque insisto em me achar melhor que todos,se sei que todos nós somos iguais,se defendo este ideal. Minha personalidade seria hipócrita assim? espero que não,pois me orgulho de ser imparcial e extremamente amável com quem me trata bem.

A juventude é uma época com muitos problemas,sempre achei que iria pular esta fase,como eu já fiz em relação a tantas outras,mas sim,ela me pegou,assim como a fase do "patinho feio" e a de estar tudo errado,querer mudar o mundo e de ser dono da própria vida.

E assim se segue a vida (ou morte).


Não sou normal, carrego em mim um eterno assassino serial, que por entre olhares encontra suas vítimas. Não seria anormal se fosse um simples assassino serial, assassino todos em meu íntimo, deixando toda gota de dor imaginável se desprender daqueles rostos que sorriem pra mim na rua, em festas, no sexo... Deixo se estrebucharem, agonizarem e pedirem clemência perante uma platéia lotada de pessoas iguais a mim, com o mesmo mesmo rosto, porém de diferentes personalidades, todos aplaudindo a maestria de minha crueldade.

E assim durmo e acordo feliz, com o mesmo sorriso solitário e feliz de matar todos e ao mesmo tempo não matar ninguém a não ser eu mesmo.

E assim se segue a vida (ou não-vida).


Não sou normal, carrego em mim um eterno assassino serial, que por entre olhares encontra suas vítimas. Não seria anormal se fosse um simples assassino serial, assassino todos em meu íntimo, deixando toda gota de dor imaginável se desprender daqueles rostos que sorriem pra mim na rua, em festas, no sexo... Deixo se estrebucharem, agonizarem e pedirem clemência perante uma platéia lotada de pessoas iguais a mim, com o mesmo mesmo rosto, porém de diferentes personalidades, todos aplaudindo a maestria de minha crueldade.

E assim durmo e acordo feliz, com o mesmo sorriso solitário e feliz de matar todos e ao mesmo tempo não matar ninguém a não ser eu mesmo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pequenas coisas, felicidade sóbria.






Ele estava atrasado, não gostava de se atrasar, metódico como era, estar atrasado e ao mesmo tempo sorridente era algo raro. Estava andando rapidamente sob o sol paulistano. No seu pensamento, um beco sem saída, muitas palavras amontoadas sobre apenas um só propósito, um nome, o dela. Ou delas. Nunca soube como dizer, como identificar, como viver o momento. Pensava no futuro, planejava seus passos, mas ao tentar executar, sua reação era diferente, seus olhos o denunciavam. Botou seus óculos escuros.

Passava andando, sorrindo por entre os transeuntes apressados, que com toda a certeza estavam se preocupando com coisas irrelevantes, como trabalho, dinheiro, aluguel... Ele pensa consigo como o mundo é mesquinho e ninguém mais se importa em ver o outro sorrir... Vinícius doa uma moeda pro mendigo e troca algumas palavras, de atitude nobre e sem peso, o garoto bem arrumado dá um abraço no morador da casa dos carros. Sai sorrindo e vai em direção ao parque central, uma exposição tem início no outro lado da rua, bandeiras, cavaletes, estilos variados, pessoas novas, novos rostos, novas histórias.

Adentrou, olhou pro lado - olhou pro outro e viu bancos -, sentou, fumou um cigarro esperando a ligação, pra dizer onde estava pra talvez a musa de uma nova canção. Esperou, atendeu a esperada ligação, falou e relaxou, esperou.

Ela chegou, ele sorriu, ela enrubesceu. Ele pensava o quão linda ela era. Como qualquer roupa se encaixa, qualquer gesto se faz próprio, qualquer brincadeira, quaisquer que fossem os atos, desmedidos ou não, cabiam nela como peças de quebra-cabeça. Se sentia encantado pela beleza despreocupada que ela possuía, ele se jogava no mundão só pra ver aquele olhar e chamar ela de "cabeção" enquanto resistia à todos os impulsos que lhe tomavam. "Deixa ela falar,deixa eu olhar, me deixa admirar", pensava consigo mesmo ao lutar consigo mesmo...

O sol estava no seu ponto mais alto, conversaram, riram e beijaram-se, como de praxe, decidiram ir a outro parque, cansaram, ela reclamava de tudo, contava de tudo, mente aberta mas extremamente fechada,  um contraponto interessante, equilibrado, encantador. Ele passa demorados momentos a estudar as expressões dessa garota, em suma, interessante.

Enfim chegam ao parque,  deitam na grama, a grama causa coceira, ele está sem camisa em razão do calor infernal que se instalou na capital, ela está tentando derrubá-lo a cada tentativa que ele faz pra se levantar...
Ele repara em tudo nela pois não pode deixar escapar nada, precisa guardar cada gota desses momentos que a vida proporciona, pois em verdade vale a pena...

Patos a encantam e ele se encanta por tal encanto... Ele vê a chama do amor arder onde existia uma fortaleza de gelo; poderia ficar horas admirando aquela energia positiva que ela exalava, era como um perfume cheio de nuances, ela é uma nuance ambulante. Encantadora nuance de pequenos humores, pequenos rumores, grandes olhares, deslumbrantes gestos e um andar de tirar o fôlego. Sorri pro horizonte pensando como o mundo é pequeno e as pessoas ás vezes não percebem os diamantes que têm nas mãos...



Agonia interna



Sou apenas um coadjuvante nessa tragédia 
um mero observador de todas as eras 
condensando em palavras digo que não sou 
o ser comum que pensou, sou louco, ágil 
tudo o que pensou, eu já fiz, seus sonhos 
minha realidade, fora de supervalorização do ego 
mas quem dita as regras é o idi... 

Energizado por filtros brancos, vermelhos e verdes 
abro meus horizontes pra melodias e corpos 
mexo por entre meus cabelos pensando nos de outrem 
reviro minhas memórias pra ter o que passar pra frente 
tenho de legar algo ao futuro, não serei mais um... 
Oh! Não! 

Para um ídolo.



Numa noite de frio nasceu
se tornou um brasileiro
ilustre menino-homem que come

Causando admiração em cada ouvir de canção
obrigado pela sustentação, pela otimização
hoje faz parte do meu show

Come vida, come letra
vira lenda, sem legenda
não gosta de agenda, mas o tempo não pára

Ideologia pra viver, teve, teve vida até não poder
lidou com a vida sombreada pela morte iminente
Vai foder, você descansa quando morrer.


















Não morreu de overdose, mas é meu herói.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Morte


Alguém talvez importante
ou alguém que não fosse ninguém
alguém que tenha amado
se deixado voar

Hoje é estrela findada , persona non grata
sendo uma alusão quando a dor quando é citada
nem o pôr do sol deixa de ser pousada
pra lembrança ser novamente amargada

Sombra de indecência velada
como vultos de outrora
do que talvez incandescência um dia foi
brilho dos olhos de alguém, um refém.





De lembranças somos muitos
de coragem somos necessitados
de cobiça estamos carregados
mas o que importa,afinal, são os centavos.