Ele anda por uma avenida deserta logo após deixar sua garota em casa, acende um cigarro e repara como noites alegres não foram raras quando esteve com essa garota. Hoje pode chamar de "sua garota", mas antes disso, muitos obstáculos foram superados e muitas mágoas foram jogadas no baú de inutilidades que a alma guarda, aquele que é como um buraco negro onde tudo o que não presta é jogado, e ali some no sentimento, mesmo que não vire poeira na lembrança.
Nesse baú foram colocadas promessas não passaram do estágio em que os olhos brilham frente à um novo começo. Atos arrogantes em função de mágoas de outros amores. Descontroles emocionais provocados pela presença um do outro. Imaturidade de ambos, o que provocou diversas rachaduras na certeza que tomava o coração.
Ao analisar os fatos à sangue frio que se percebe que os dois sempre foram um do outro, mesmo que sem saber, pois mesmo depois de tudo isso, nunca perderam o contato, mesmo que comprometidos com outras pessoas, mantiveram seu compromisso consigo, com seu subconsciente, com o sentimento sempre latente, que se fazia presente e incandescente quando se viam.
E mais uma vez, juntos, sem nada pra atrapalhar, quiçá irão fazer durar...
E ele chega no ponto de ônibus, apaga seu cigarro, e vai pra casa, escrever sobre como tudo é fácil de se entender quando transcende-se a barreira da ilusão.
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