segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Liberdade assistida.


Ele tem pensado muito em relação à morte. Como ela define a vida, como sem ela tudo que somos seria um ciclo sem fim, peça de quebra-cabeça sem encaixe. Não tenho medo de morrer, tem medo da incerteza que lhe brota em não saber quando e onde. Não sabe se é coisa da própria cabeça mas já viu a própria morte em sonhos, ao atravessar a rua, ao andar por becos que não conheço, de diversas maneiras, inclusive apenas ao ir dormir.

 Mas não morreu, continua vivo, mas espera a morte pra abraçá-la com prazer, não sabendo se anseia por isso, mas aceitar a mesma lhe traz uma sensação de liberdade indefinível.

Liberdade talvez inconsciente e ao mesmo tempo consciente e inconsequente. Ao decorrer das doze badaladas, esperando encontrar a morte, toma um copo de whisky e fuma um cigarro, anseando enfim que ela venha lhe envolver em seus braços sombrios.

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