(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Mundo paralelo
Levantou-se do sofá porque já não se aguentava de melancolia, esse mundo que ele se insere todo final de noite, precisava se libertar da rotina que já foi estabelecida para ele, por ele mesmo. Pensou em como seria esquecer quem é, seu nome, suas lembranças, o que o moldou. Talvez pra saber se realmente é uma essência, uma chama viva, uma alma de outrora, pra saber se a solidão que se abate nele desde sempre - sempre que deita na cama, é real, é dele, ou é fruto de alguma ideia inconsequente que se arraigou em sua mente...
Abriu a porta da cozinha, com um maço de cigarros e um isqueiro, para lhe deixar mais perto de seu desejo eterno de enfim beijar a morte. Não tem a coragem de suicidar, nem a vontade do mesmo, por isso talvez fume, esse pensamento lhe ocorre desde que pôs o primeiro cigarro na boca, mas ultimamente tem lhe ocorrido mais do que o usual.
"Só se dá razão a quem morreu" - pensa consigo enquanto dá a primeira baforada para poluir o seu entorno, criando assim uma neblina cinzenta de cheiro acre, como era de seu agrado nessas noites enluaradas, estreladas e geladas... Gostava de se sentir protegido pela fumaça, criando assim um mundo paralelo e pouco durável, como um deus secundário, capaz de criar mundos mas não uma vida.
Ele se senta em uma pilha de tijolos empoeirados, seu pulmão já tem dado sinais de que não passa bem, tem dado umas pontadas aqui e ali, esporadicamente, "nada com o que se preocupar " - ele pensa. Nada mesmo, se tudo o que pensa desde que tem consciência é no encontro que findará sua existência, deixanddo tudo o que conheceu, realizou e deixou sobre as costas de Gaia...
Termina seu cigarro e entra pela porta que deixou aberta, pois seu mundo evaporou-se e amanhã tem de fazer coisas que não lhe condizem.
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muito interessante.
ResponderExcluirótima leitura.
parabens!