terça-feira, 28 de agosto de 2012

Pô, poesia!



Poeta não é obrigado a versar, versador não é obrigado a ser poeta.
Poesia pode ser vida nova, renascimento.Exposição nua de palavras rebuscadas que definam um momento.Momento nu exposto e definido. Definição de exposição por palavras rebuscadas, quase que nuas.
Pode-se dizer que poeta é alma atormentada, de tempos passados, se reinterando do presente sempre fora de tempo. Ainda dizem que o poeta é alma atormentada, mas aquela que não pára de buscar não-sabe-se-nem-o-quê, cheio de neologismos, hipérboles e metáforas, só pra deitar enrolado em seda quem lê, pois não quer deixar entenderem que a mensagem, que é mais simples do que podem achar... Poeta define o indefiínivel, e depois o define de novo... E de novo.
Deus,paixão desenfreada,amizade, alcool, boêmia e a porra toda junta. Isso é poesia. Poesia pode ser viver ou privar-se de viver... Quem sabe o caminho não é se isolar e odiar o mundo?!
Falácea. O mundo é estranho, um estranho estranhamente belo, mas tão belo, que chega a ser estranho... E vale a pena viver nessa estranheza, ser traído, trair, se desiludir, chorar, vencer, desistir, desistir de desistir e decidir por viver tudo de novo. Tristeza, alegria, amor, ódio. Extremos mas tênues irmãos.
"Isso deve ser poesia de viver..."


É, deve ser... Mas hoje eu vou presenciar uma...

Renúncia real!


Renuncio, de toda a mágoa
Anuncio-te o esquecimento
Renuncio à sua procura
Renuncio à meu querer

Renuncio a querer você
Renuncio à certeza vindoura
Renuncio à flores e danças
Renuncio ao sorriso

Renuncio à passeios atípicos
à lugares especiais
Renuncio à minha metade
Serei metade liberta

Renuncio teu eu
Anuncio um renascimento
Re-anuncio minha partida
Anuncio vida nova

Renuncio ao mandato do sono atormentado
Anuncio pesadelo com sorriso
Renuncio, à dor
Renuncio à você, em mim.


Renuncio à escutar o coração, ao anunciar o silenciar da voz do mesmo quando se tratar de ti.



-Daqui pra frente, não quero que seja vazio, quero que seja cheio de tudo, tudo mesmo. Que tenha desde dor até torpor, passando por estrelas e constelações, não quero algo fora do comum, mais algo fora do tempo findável, algo pra toda vida.




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Discorrendo sobre o amor, ou o conceito do mesmo.


Um certo dia ouvi uma música que dizia: "Quero um amor maior, que eu".
Seguramente, não quero nada maior que eu, nada que eu não possa lidar, quero um amor sob medida, beleza medida, com frases afetuosas e desmedidas. Quero paixão destemida, um rosto que me faça sorrir em meio ao mau dia.
Que traga fogo, ferro e choro de criança. Véu, igreja e festas de arromba, quero sonho realizado. Idealização que deixe de ser ilusão.Nada maior que eu, algo pra mim, algo com um pé no chão e o outro nas estrelas, olhos marejados ao dizer sim. Sim - salabin, a palavra - quase que mágica - que traria à melancolia, um fim. Esperado fim...
Acredito que sem o cinema, contos-de-fada e suas imagens de cavaleiro em armadura reluzente, músculos definidos e um sorriso em que a imperfeição está em falta, os amores seriam muito mais reais, menos pré-concebidos, mais vividos. Hoje é preciso aprender a amar, na medida, sem nada maior que você. Você, e alguém. Seja ela ou ele, se te deixa com borboletas estomacais, é o que vale.
Vinícius já citou que beleza é fundamental, mas ele nunca especificou qual era. A exterior atrai, mas se por dentro fores um Quazímodo, não terás nada mais do que casos apaixonados que minguam em dois, três meses.
Construam-se, entreguem-se, senão, a geração mais infeliz que já pisou na terra, será a nossa.
Eu vou amar, me entregar a alguém que me transborde e precise de mim. Já vocês, aconselho que façam o mesmo... De que vale toda a beleza do mundo se é maior que você? Que seja beleza na medida e amor sob medida.

As deslumbrantes que me perdoem mas a harmonia exterior-interior é fundamental.




(Rômulo Cesco)

E é?


Só com você dancei Sinatra, descalço no piso gelado. Cheirava teu cabelo como se fosse meu ar, um banho era uma cena de um épico mundial. Até o drama era irreal.
A vida é secular, no máximo, mas já te conheço há muito mais que uma vida. Nem que seja em vão.
Always faithfull to our feeling.
Se é que ainda é mútuo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Passagem pensante



Resolvi sair dos moldes que a vida passava. Saí, voei, dancei e até vomitei. Vi o arco íris ao alcance da mão, disse amor onde só esteve o prazer, mas valeu a pena, por um momento fugaz, os corpos nada trazem senão o escárnio do gozo. Desgostoso depois fico, mas se fico gozo de novo e saio sem dizer "Adeus". Aos meu conterrâneos da terra do absoluto, deixo meu adeus absurdo, nunca mais voltarei, ou voltarei talvez. Mas mudado de um, sem vez de três , muita bagunça.


Devaneio em blues


Sentado numa mesa de bar
blues a tocar, mais um whisky na mão
vou pegar meu violão
compor mais uma de amor
nessa vida sem sabor


Vou fugir pro alabama, encontrar meu baby nas montanhas
em uma cabana fazer amor, criar meus filhos envoltos em cantos de louvor
igrejas aos domingos, a quem eu estou enganando ?

Sentado numa mesa de bar, blues a tocar
mais um copo de whisky na mão (pararadá)
vou deitar no chão

E logo digo aos amigos
"na casa da luz vermelha ali na esquina, vamos dar uma passadinha, vamos conhecer as meninas?"

Vou fazer o quê se eu gosto da boêmia, se a noite pra mim é dia
vou corrrer e ganhar meu dinheiro, gastar tudo em bebida

Mais uma noite de chuva, sem me mover, na casa de campo
Vou acender a lareira, aaaah fazer fondue
que que eu to fazendo aqui? devia estar em outro lugar
cansei da vida, tendo alguém para amar

Quero voltar pra vadiagem, pra vida da sacanagem.


Ai meu deus o meu café está frio, preenchendo este vazio
um dia nublado e o whisky no armário, esperando a mamãe sair.
cansei, vou fumar um cigarro...





Estória da prostituta sem braço.



Em suma
não suma
se assuma
pra frente que se ruma

Transborde
mas não deixa que te bordem
de bedel a menestrel
todos adoram um bordéu

Sabes disso por isso faz de coração
essa menina é aleijada
perdeu o braço no machado
dirão que tentou colar, mas deixou de lado

Foi tentar a vida como mulher
da vida
bordéu nenhuma a quis
foi pra augusta ser feliz.




Só deixa sair e rume com a corrente.


Escritos de outrora
alcançando a aurora
apenas agora
rimando na hora, sem nada chora

Entrega-se a palavras momentâneas
que fazem do poema uma constante
mas não poética, não obstante do sarcasmo
escreve como quem tem espasmo

Solta, solta, solta
rima puteiro com celeiro e acha que tá legal
publica em algum lucar pra ver se é real
sente que na palavra as pessoas se acham

Só deixa sair  e espera que entre na corrente
como um afluente desvirtuado
que seguiu seu curso ao contrário
encontra a corrente pra tentar ir pra frente

O que nasce com nada
é interpretado por alguém como tudo
função da minha escrita é deixar sair
de um sentimento do mundo à suspiros de saudades.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

De passagem pela minha terra

Perdição que se olha 
admira sem saber 
corajosa nas palavras
cautelosa nos seus atos 

Tudo é pensado 
só transpassa ingenuidade 
quando na realidade 
é mais malandra que o gato da rua 

Fala com os olhos 
a cada piscadela um sentimento imprimido 
se vai deixando seu perfume meio adocicado
meio amargo, meio luz, meio opaco 

E aí temos sotaques distintos 
e quando me fala meu nome, ah!
como me atraio por erres puxados 
fora do círculo e entrando pela porta da frente

Se quiser fazer isso durar, que seja 
vou deixar estar que ajuda ... 
a me preservar, a mais gostar 
e a menos ligar pro que venha a calhar 

Hoje eu só quero curtir 
eu, você e o mar 
sem nada mais pra pensar, deixa eu fumar 
e depois vamos nadar, sem nada pra pensar... 

De passagem pela minha terra 
vem chegando devagar, espreitando minha brecha
eu percebo, mas não me importo, quero você comigo
deixa rolar, vai que vira uma conexão duradoura
              [vai saber, tudo pode acontecer nesses dias.

Chá de gengibre

Eu vou, não sei 
não sei se estou 
se fico ou 
ou ou, nada 

É uma bipolaridade 
quase psicótica 
tanta ideia que nem sabe 
em qual gaveta botou 

Em qual armário se escondeu a palavra mais bonita? 
talvez na porta do porão 
já que ninguém nunca entra lá pra procurar nada
fica trancada, empoeirada, triste... Fechada. 

Doe lembranças, doe sabores, doe vivências
apaixone-se, viva cada segundo 
não se apresse que tudo tem seu tempo
mas sempre no tempo, deixe tempo para o amor.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tomo por gosto


Se resumem em momentos
de cheiros, saliva e apertos
se jogam pelos cantos da vida
perdidas a querer alguém que as acuda

São essas que me atraem
esses pequenos pedaços do céu
desencaminhadas do caminho para o mesmo
mas a pretensão de levá-las até lá é maior
                               [do que qualquer medo

Alguns desses pedaços se revelam casos
uns desses casos que a paixão não cabe no corpo
e beijos são nada e o suor é inevitável
o tal do esgotamento é quase obrigação nessas horas

E depois do esgotamento, um beijo, uma carícia e um café
e cigarros se elas fumarem - que é usual - e depois a repetição
inevitável repetição, calor, unha na carne e respiração descompassada
é isso que move qualquer sentimental, o ardor da paixão.


A dor resultante é apenas consequência do ciclo findado, o coração aguenta e logo recomeça esse tour por outros corpos.

domingo, 5 de agosto de 2012

A juízes.


Chegamos como atacado
progresso pessoal que se viveu
foi prometido e nada aconteceu
cansaram de esquecer, decidiram se erguer

Na neblina espessa que se acumula ao teto
e as paredes estão a puxar conosco
risadas aparentes e olhares ao fundo
nada melhor do que ar a preencher a vida.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Trecho de "A Quebra do espelho"



Pensa em voltar, uma jornada inversa e impossível, se bem que o impossível é apenas algo que nunca foi feito, e por isso que existe a palavra pioneiro. Ele se pega perguntando se seria pioneiro ou traiçoeiro, atravessar novamente o espelho, hoje um misto de cacos e farelos que ele mesmo deixou ali, quando macerou seus sentimentos ao descontar a raiva no que apenas refletia o objeto do qual ele sentia nojo.