sexta-feira, 29 de maio de 2015

Promessas ao amor desconhecido

Prometo prostrar-me  de madrugada sempre que precisares, embora odeie acordar cedo ou de sopetão. Prometo estar contigo em dias chuvosos pra oferecer meu guarda-chuva que levarei à tira colo todos os dias, assim como lhe oferecer sempre que um calafrio lhe percorrer a espinha, meu casaco, pois prefiro sentir frio a ver você bater os dentes. Prometo te lembrar de que teu sorriso me encanta e que teu riso é o sol de certos dias escuros que tenho. Prometo lhe fazer entender que o meu amor vai muito além do corpo que possui, das celulites que possa e da barriguinha que possa, te farei entender que entendo seus medos e vejo beleza em tua alma, nas tuas aspirações, e amo a tua verdade, teu modo de lidar com as coisas que lhe são impostas. Pretendo nunca lhe deixar se sentir insuficiente para estar comigo, lhe mostrando que você me completa de modo que passo a semana toda pensando em você e meus dias não são completos sem o som da sua voz. Prometo não lhe deixar ceder aos maus pensamentos que lhe passarem pela cabeça, deixando claro que você é uma mulher forte e eu estarei contigo independente do que possa acontecer em sua vida profissional ou pessoal.
Novamente mostrarei que tua estética me encanta, mas o que é relevante para mim é tua doçura e teu emocional de romantismo “desestereotipado”, que assim como o meu, é cheio de enfeites e doçuras pontuais, como cartas e belos vitrais, mas nunca atitudes sexistas; e de ciúmes, o mínimo necessário, pois não o provocamos.  Lhe prometo em dias que eu acordar antes de você, lhe fazer café e lhe acordar gentilmente, talvez com uma flor recém-colhida no jardim que teremos.

Prometo-lhe ser teu companheiro, mais que teu amante, e quando seu amante, prometo ser fogo que vira labareda contigo. Prometo-lhe fidelidade enquanto formos um, e sinceridade quando deixarmos de ser. Prometo-lhe sufocante paixão quando necessitares, mas também aviso que tenho muitos dias em que na minha alma chove e eu preciso de introspecção, dias esses que pra mim, um bom dia ou uma mensagem no meio do dia já lhe fará percebera importância tem em minha vida (assim espero) . Prometo-lhe ser o máximo de bondade que puder, mas também ressalvando que meus dias ruins são de melancolia intensa, mas por ti farei que eles rareiem.

Prometo não me abster das minhas dancinhas e imitações que fazem parte da minha personalidade irreverente quando estou alegre. Prometo me empolgar no chuveiro ao ouvir uma música que me desperta essa vontade, assim como vou lhe mostrar todo o meu acervo musical em sua pluralidade e rir com as músicas que tenho vergonha de mostrar. Prometo lhe mostrar minhas bossas e composições, esperando que compreenda a mensagem que tentei passar. Prometo não me refrear diante do pensamento que você pode achar alguma atitude natural minha, estranha. Prometo levar-lhe às minhas exposições favoritas , assim como aos meus lugares de paz, também aos meus bares favoritos . Prometo fazer-lhe parte da minha família, que não é das mais normais (nem de longe), fazendo você realmente pertencer e sentir o amor que é atmosfera em nossos encontros coletivos.

Prometo ser inteiramente sincero quanto aos meus demônios, assim como aos fatos que me fizeram ser nova pessoa. Prometo falar das minhas ex-namoradas quando perguntares, apenas ressaltando como cresci com erros que cometi, assim como com erros que cometeram comigo.

Porque comigo, o lago do amor só vale o mergulho se quando se apresentar for maior que outro já visitado.  Enfim, lhe prometo um vislumbre de meus segredos e minha alma intocada, assim como um barco com manual de instruções pra navegar em mim. Pra ti, serei sempre terno quando recorreres, e desagradavelmente sincero quanto à teus vacilos, lhe mostrando o quanto tento entender tudo, até seus defeitos.

Lhe prometo uma vida normal e anormal, diferente no mínimo, eu não sei pra onde estou indo, mas se quiseres compartilhar uma caminhada atribulada e cheia de sonhos, é aqui mesmo que tens que ficar.

Não sei teu nome, mas já lhe avisei. Meu amor não é vulgar, embora muitas vezes eu já tenha sido, como já percebeu em algumas passagens que te contei.
Amo você.

Rômulo Cesco

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Ainda é cedo


Ainda é cedo
para nos mudarmos
como seres mutantes que somos
que nossa condição não seja nomos

ainda é cedo
para reconhecermos os erros
que fizemos ao longo dessa estrada tortuosa
de dias de sol e chuva, silêncio e balbúrdia
pois até que a morte lhe envolva em seus braços
você é o capitão do seu carma
o único representante da sua alma
da sua consciência que por muito tempo cegou-se
portanto
ainda é cedo
para reconhecer a pequenez
se colocar à serviço do bem
olhar para a moça que passa e com ternura olhar
sem avidez de modo a amedrontar
se apiedar do semelhante que à ti recorre
quando sobe as escadarias do transporte
maltrapilho e malcheiroso, ele também é homem
foi já um moço
ou é ainda uma criança, imagine se fosse seu filho
nascido na rua e obrigado a viver na cracolândia
enquanto olha famílias felizes à sua volta
suas noites são de alerta e insônia
sua linha já nasceu torta
pede sua esmola para que não passe fome
e de noite tem que fugir quando vê encapuzado
ou "os homi"
isso é vida, ou prelúdio de revolta?
ainda é cedo, para tentar reverter
você não é cego, então não pretenda ter torcicolo
ao virar a cara para não ver

todo vivente nesta terra pode permanecer
existir e fazer viver
basta querer fugir do dia a dia rotineiro
pois de pena o mundo está cheio
e de gente fazendo pose de bom moço
o que precisamos é de gente que não veio à passeio
eu já estou farto
e você, aguenta os maus tratos que és submetido?
o descaso do governo? o ódio que te passam?
a inveja e o falatório de vizinhança?
 a fofoca que de boato vira maldade
e você se dói por coisas que nem são verdade
foge e entra em você.

o sentir é importante
ainda é cedo para absorver o instante
chorar se necessário
ser mesmo sem religião, do bem
um missionário
entender que nada se compara ao sorriso
é mais que teu salário, mais que a benção do vigário
o bem sim é pagamento à altura
pois o mundo precisa de mais ternura

ainda é cedo
pra deixar a porta aberta
pro sol que não tem censura
pro amor que não discrimina
pra vida inteira que ilumina.

R.C.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O morador

passa tempo
tempo passa
passa o vento
passa o ônibus
passa a gente
e o invisível
ao relento
passa gente
passa animal
e ele ainda é figura usual
passa tempo
passam anos
estações e pessoas em trampos
e ele... não está mais lá
morreu, mudou de habitat ou saiu da rua?
quem liga ?
ele é invisível
passou
como mais uma fase da lua.

R.C.