(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Cansaço
É muito falar de liberdade
pouco de ser livre
é muito falar de viver
e pouco de viver
é muito falar de se doar
pouca gente se doando
muitas ideias bonitas
sendo usadas de vitrine
muita gente se adulterando
quantidade de informação impossível
pra qualquer um aglutinar ...
e geram-se as cópias
dos modelos prontos que fomos forçados a engolir
pouca gente se jogando no autoconhecimento
muita imagem sendo construída
muita marca pra adornar
o vaso que nada carrega, possui ou fertiliza
homem não se politiza
faz o terreno do belo infértil
não poliniza com outras flores
só a ditada pela onda uhf/hd
pelo canal cinco
o câncer virtual
a rede deu asas pra quem não voava sozinho
agora querem todos ser diferentes
mas são dependentes
imagens, camisetas e bótons
celulares, grupos e tudo mais
e o simulacro supera a vida real
enojado pelo quanto acho tudo isso banal
és comido dia-a-dia na tua alma , pelo chacal
e ainda vens me falar de originalidade
moralidade
integridade
ah, hipócrita sociedade...
faz-me rir.
R.C.
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Alalaô Carnaval!
lalaô, alalaô
o carnaval vem chegando
chegou
trouxe consigo os foliões e os blocos
as tintas e os papéis picados
as picas e as aranhas
ansiosos por trocar fluidos nas entranhas
alalaô , alalaô
o carnaval vem chegando
chegou
vem com ele a marchinha gostosa
e aquela moça que dança formosa
aquele amigo que há muito não vê
vem pra sp só pra na putaria se fazer
Alalaô ,alalaô
o carnaval , vem chegando
chegou
as camisinhas jogadas no chão
banais e casuais
veio com ele o medo de ser pai
aquele tanto de gente junta com cêcêzão
Alalaô, alalaô
o carnaval vem chegando
chegou
os beijos tantas vezes incontáveis
os inúmeros casos fugazes
gente de vontades incontroláveis
excessos de inspirações palpáveis
Alalaô, alalaô
o carnaval vem chegando
chegou
passou.
ardor, calor
passou.
paixão,
passou.
o ano começou
dirão todos
mas vem cá,
E o que ficou?
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Anaklusmos
Dizem que na falta de claridade
O que tem luz se faz valioso
Portanto audacioso penso
Importante mesmo é luz de ideia
Sinto-me aproximado da nova idade média
Onde as trevas cobrem e padronizam as artes
o arbítrio se faz lei
E a lei esconde a perpetuação de poucos
por meio de floreios vocabulares.
Nos homens mesquinhos e obscuros, na máscara de bom homem médio
que reside a culpa de ser o modelo distrativo
e o povo laborando sem parar , com a esbórnia a lhe amansar
e resignar o espírito satírico.
Sinto-me agoniado e acuado em um canto com os meus
já que na volta do mundo , o que não falta é subproduto...
R.C.
sábado, 26 de abril de 2014
O frio.
As paixões padecem de desilusão previsível
é como se nada mais bastasse
como se a capacidade de amar não mais existisse
ou um coração de pedra tenha substituído o de tecidos
insisto
não há mais do que momentos arfantes
cujo beneficiado maior é carne.
A alma fica em segundo plano
em sua solidão assistida pelas garotas que vão e vem
todas ímpares em suas singularidades maravilhosas
mas de alguma forma falta algo, algo que maravilhe e ilumine.
já há tanto sem amar não me lembro da sensação, senão o quão sublime é esse estado
talvez falte isso, alguém que desperte a flutuação entre o céu e o inferno
que faça aquele furacão e uma limpeza em tuas mágoas
para talvez lhe causar novas, o que é um risco do jogo de amar
mas nem se pensa nisso quando nos temos sem ter os pés no chão
E de todo os dias se resumem em rotinas de fuga
por entre ruas distantes e prédios de tantas cores
talvez nos discos de uma loja antiga afogar as dores
e sorrir novamente porque viver é reconfortante
- o vento que acaricia o rosto, o olho que vislumbra o novo
tudo é belo e com cor,
mesmo sem amor.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Egoamor
Cheguei ao meu limite de contradições
chega.
de meio interesse
entregar-se pela metade
metade de afeto
de meio amor
de pé atrás e retesar-se.
não me valem mais os jogos bobos de elogios velados ,
do tatear às cegas à procura de uma pequena fechadura,
de modo à abrir a porta do camarim e tirar as máscaras
que permeiam o teatro dos jogos de sedução
é despido de tudo que não me é intrínseco
que voltarei à mim , um encontro à cegas
para talvez encontrar, com um novo prisma,
um novo amor. Incrível e cheio de defeitos.
muitas facetas e um só objeto.
Eu.
R.C.
chega.
de meio interesse
entregar-se pela metade
metade de afeto
de meio amor
de pé atrás e retesar-se.
não me valem mais os jogos bobos de elogios velados ,
do tatear às cegas à procura de uma pequena fechadura,
de modo à abrir a porta do camarim e tirar as máscaras
que permeiam o teatro dos jogos de sedução
é despido de tudo que não me é intrínseco
que voltarei à mim , um encontro à cegas
para talvez encontrar, com um novo prisma,
um novo amor. Incrível e cheio de defeitos.
muitas facetas e um só objeto.
Eu.
R.C.
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