sábado, 26 de abril de 2014

O frio.


As paixões padecem de desilusão previsível
é como se nada mais bastasse
como se a capacidade de amar não mais existisse
ou um coração de  pedra tenha substituído o de tecidos
insisto
não há mais do que momentos arfantes
cujo beneficiado maior é carne.

A alma fica em segundo plano
em sua solidão assistida pelas garotas que vão e vem
todas ímpares em suas singularidades maravilhosas
mas de alguma forma falta algo, algo que maravilhe e ilumine.

já há tanto sem amar não me lembro da sensação, senão o quão sublime é esse estado
talvez falte isso, alguém que desperte a flutuação entre o céu e o inferno
que faça aquele furacão e uma limpeza em tuas mágoas
para talvez lhe causar novas, o que é um risco do jogo de amar
mas nem se pensa nisso quando nos temos sem ter os pés no chão


E de todo os dias se resumem em rotinas de fuga
por entre ruas distantes e prédios de tantas cores
talvez nos discos de uma loja antiga afogar as dores
e sorrir novamente porque viver é reconfortante
- o vento que acaricia o rosto, o olho que vislumbra o novo
tudo é belo e com cor,
mesmo sem amor.





Nenhum comentário:

Postar um comentário