(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
domingo, 14 de outubro de 2018
Sobre amores e desejos
Hoje eu entendo Vinícius.
O amor é demais pra se falar sobre qualquer coisa que achemos sensacional
É muito mais do que a palavra suporta
Ela, mulher amada, é filha do ser da vida
é filha da mãe terra, é filha do mar
é filha das convicções que a tornam difícil e tão única
ela é a maravilha que a vida te deu
e você, tolo sonhador de ilusões
percebeu ainda em tempo , o amor que ali havia
mesmo que não amasse tanto as caras maléficas que ela fazia
Graças aos estalos epifânicos que a consciência ás vezes nos brinda
você percebeu o quanto amava aquela moça
cheia de flores no perfume e carinhos no gestual
agradeça a deus no dia do casamento
porque você... só por deus.
Rômulo Cesco
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Terra
Sempre fui poeta
doído e enclausurado
muitas vezes extrovertido e endiabrado
nunca calmo
sempre mar tempestuoso
sempre vento suave que acaricia
sempre fogo que esquenta e lembra um lar
nunca terra
terra sempre foi um lugar estranho
onde os homens se esbarram sem se tocar
e trazem pra si uma responsabilidade imposta
onde as estrelas são renegadas
e as luzes supervalorizadas
onde as pessoas não se observam, não se amam
onde todas as palavras são usadas pra enganar
essas palavras tão belas, que nos poderiam fazer voar
esquecemo-nos do poder delas
e eu menino sadio e infeliz
vivo por querer entender qual o abismo que nos separa
qual a verdade que ainda não descobriram
porque todo esse modus vivendi nos maltrata
porque tenho esse choque, essa estranheza
com a vida que nos leva
o trabalho enobrece o homem, é verdade
mas outra verdade que não nos disseram
é que o tempo livre também é importante
e que pensar por si mesmo também tem seu valor
no carnaval somos todos momo, colombina e pierrot
mas as reais máscaras são aquelas que nos afetam a essência
que usamos a tanto tempo sem saber qual loucura que nos matará
qual de nós sucumbirá primeiro?
os amigos da faculdade, os da escola ou os do terreiro ?
Tudo em prol de quê, grana grana grana grana
grasnando todos em busca de fama ou comida
indo pra um abismo em fila indiana
tristeza imensa pra quem poderia ser tão mais
Se somos deuses, o que nos impede de ganhar os céus ?
essa ânsia do material nos faz esquecer das perguntas antigas
das filosofias e dos grandes iluminares
o culto ao corpo é tão grande que as almas não mais se tocam
quem somos nós hoje?
Eu ainda sou e serei fogo, água e ar
sem medo de queimar ou incendiar
pois o incêndio faz terra boa pra plantio
e pouca luz deixa a mata morrer.
Rômulo Cesco.
doído e enclausurado
muitas vezes extrovertido e endiabrado
nunca calmo
sempre mar tempestuoso
sempre vento suave que acaricia
sempre fogo que esquenta e lembra um lar
nunca terra
terra sempre foi um lugar estranho
onde os homens se esbarram sem se tocar
e trazem pra si uma responsabilidade imposta
onde as estrelas são renegadas
e as luzes supervalorizadas
onde as pessoas não se observam, não se amam
onde todas as palavras são usadas pra enganar
essas palavras tão belas, que nos poderiam fazer voar
esquecemo-nos do poder delas
e eu menino sadio e infeliz
vivo por querer entender qual o abismo que nos separa
qual a verdade que ainda não descobriram
porque todo esse modus vivendi nos maltrata
porque tenho esse choque, essa estranheza
com a vida que nos leva
o trabalho enobrece o homem, é verdade
mas outra verdade que não nos disseram
é que o tempo livre também é importante
e que pensar por si mesmo também tem seu valor
no carnaval somos todos momo, colombina e pierrot
mas as reais máscaras são aquelas que nos afetam a essência
que usamos a tanto tempo sem saber qual loucura que nos matará
qual de nós sucumbirá primeiro?
os amigos da faculdade, os da escola ou os do terreiro ?
Tudo em prol de quê, grana grana grana grana
grasnando todos em busca de fama ou comida
indo pra um abismo em fila indiana
tristeza imensa pra quem poderia ser tão mais
Se somos deuses, o que nos impede de ganhar os céus ?
essa ânsia do material nos faz esquecer das perguntas antigas
das filosofias e dos grandes iluminares
o culto ao corpo é tão grande que as almas não mais se tocam
quem somos nós hoje?
Eu ainda sou e serei fogo, água e ar
sem medo de queimar ou incendiar
pois o incêndio faz terra boa pra plantio
e pouca luz deixa a mata morrer.
Rômulo Cesco.
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Poema para meu conhecido, espelho do espetáculo.
Você, que é meu conhecido
e almeja os louros do carro do ano
acompanhados da conta bancária
e um cartão platinado com milhas a perder de vista
e almeja os louros do carro do ano
acompanhados da conta bancária
e um cartão platinado com milhas a perder de vista
Você, que é meu conhecido
e almeja a cintura da pele bronzeada
da loira dourada que estampa a revista
sempre procurando essa mesma pessoa nas suas conquistas
e almeja a cintura da pele bronzeada
da loira dourada que estampa a revista
sempre procurando essa mesma pessoa nas suas conquistas
O que eu lhe desejo, do fundo de meu espírito
é a sorte que encontres o que tanto procuras
e que as coisas que amealhou nesse sopro que é a vida
lhe valham mais do que vou listar agora
é a sorte que encontres o que tanto procuras
e que as coisas que amealhou nesse sopro que é a vida
lhe valham mais do que vou listar agora
Mais do que a pausa do cigarro em um dia atribulado
mais do que o olhar debochado de uma criança endiabrada
que ao ouvir seu "não" lhe levará por uma dúbia estrada
onde seu riso brotará quando querias fazer cara de repreensão
mais do que o olhar debochado de uma criança endiabrada
que ao ouvir seu "não" lhe levará por uma dúbia estrada
onde seu riso brotará quando querias fazer cara de repreensão
Que valha mais do que os amigos à sua volta
compartilhando histórias, trazendo nos olhos a alegria de uma amizade real
em um boteco qualquer, desprovido do glamour dos pratos rasos
destes que levam torresmos fritados enquanto os risos ecoam no prazer do trivial
compartilhando histórias, trazendo nos olhos a alegria de uma amizade real
em um boteco qualquer, desprovido do glamour dos pratos rasos
destes que levam torresmos fritados enquanto os risos ecoam no prazer do trivial
Que valha mais do que a profundidade negra dos olhos da mulher amada
essa que é amor de navalha, que lhe rasga de dentro pra fora
a cada amanhecer, que de cara feia magoa, que quando sorriso, ecoa
reverberando em todo teu ser
essa que é amor de navalha, que lhe rasga de dentro pra fora
a cada amanhecer, que de cara feia magoa, que quando sorriso, ecoa
reverberando em todo teu ser
Que valha mais do que esses momentos estranhos
em que a gente se pega olhando o céu e odiando a vida cruel
quando logo após, n'uma epifania, tudo faz tanto sentido
que cai uma lágrima que exprime essa vida tão linda
[de sorte, árvore, rio, sorriso, orgasmo, nuvem e petrichor.
em que a gente se pega olhando o céu e odiando a vida cruel
quando logo após, n'uma epifania, tudo faz tanto sentido
que cai uma lágrima que exprime essa vida tão linda
[de sorte, árvore, rio, sorriso, orgasmo, nuvem e petrichor.
Por fim, meu querido conhecido
espero que no teu último suspiro os teus conhecidos
se recordem de ti, também com suspiros e riso no canto da boca
agradecendo a tua presença nesse sopro que é a vida
espero que no teu último suspiro os teus conhecidos
se recordem de ti, também com suspiros e riso no canto da boca
agradecendo a tua presença nesse sopro que é a vida
R.C.
Singeleza de pensar.
Ora, é útil ser díspare
em mundo dito são
ver o quadro puro
quando dizem não teres razão
em mundo dito são
ver o quadro puro
quando dizem não teres razão
oscilando entre a iluminação e a mundanez
é verdade que nós somos o restante
a raspa da excelência da criação
com todos os sentimentos conflitantes dos humanos
também com o amor e compaixão dos anjos
que compreendem a cadência divina
do cair da folha ao terremoto no japão
é verdade que nós somos o restante
a raspa da excelência da criação
com todos os sentimentos conflitantes dos humanos
também com o amor e compaixão dos anjos
que compreendem a cadência divina
do cair da folha ao terremoto no japão
sem perder a compostura
inauguramos com nossas condutas novos resgates
mas também resgatamos carmas inúmeros
com o sentimento de doação que carregamos
junto ao veneno que nos corrompe o corpo.
inauguramos com nossas condutas novos resgates
mas também resgatamos carmas inúmeros
com o sentimento de doação que carregamos
junto ao veneno que nos corrompe o corpo.
R.C.
Sobre a semana que assassinaram Mariele.
É tenebrosa
Não podemos negar
Entra ano e sai ano
Manchetes variadas pra atormentar
Povo que se entende crítico
Povo acreditando ser parte de outro ciclo
Povo maldizendo os benditos
Povo bendizendo os malditos
Guerreiros e guerreiras de pautas nossas
Doam a vida, ganham bala
E o escárnio não demora
Do brasileiro caolho a mando das cobras
De onde você vem e onde vai?
Esse futuro presente é o que prega?
Olha à tua volta, a gente se mexe
Não só na internet se faz voz
Presentes, todos os assassinados e desaparecidos
Nunca esquecidos
Por quem lhes toma como exemplo
Não nos curvaremos à exceção
Não seremos humanos
Se permitirmos essa degradação
Essa desvalorização da vida.
Todas essas pessoas tinham sonhos.
O Amarildo não apareceu
O Braga nunca mais comprará Pinho sol
A Marielle nos deixou um vácuo no cumprimento do dever de cuidado com a sociedade
E todos os outros calados sem a repercussão midiática
Nos farão falta.
Centenas, milhares nascem todos os dias
Mas vida não é matemática
Quem vai faz falta
Pra família, pro amigo
Pro contexto social
Pra um mundo do que precisa de respiro
Lembra de quando você ainda era humano?
Retoma. Não dá mais tempo, mano.
É esse o momento
Para de engolir merda ,salivar veneno
Toma pra ti esse apelo.
R.C.
Carna(e)val.
Chegou e foi
o carnaval de muitos reis e rainhas
onde os demônios de cada um
tomam suas caipirinhas
acompanham os blocos
e extravasam na pista
ora, não me leve a mal
demônio é só alguém fora do status quo
da ilusão do papel social
da sexta à quarta de cinzas
o que você menos precisa é de máscaras
e tudo o que mais se vê
é que somos feitos mais de alegrias do que de desgraças
e que o papel social, bom... ele não serve pra nada
uma festa que iguala os foliões
na pista independente das razões
é respeito às diferenças e sem maiores delongas
um carnaval é torpor de multidão
ligeiro na calada, sempre
mas vê se no sorriso de quem está do lado
há algum esgar de maldade
há alguma solução para o escárnio
há apenas a vontade de ser tudo e nada
pois depois o mundo voltará a lhes pesar todos
em uma balança nunca equilibrada
nunca benéfica para a sanidade mental
ora, porque ser apenas poucos dias do ano
quando podemos ser sempre carnaval ?
jogar as conveniências e convenções pro ar
esquecer de manismos e nojentas rotinas por um tempo
sejamos compromisso e responsabilidade
mas não algo que nos tolha a liberdade
de ser, de expressar, de viver como quem só quer amar
sem condições, amarras, cláusulas e afins .
Veloz
Se movem todos
a vida é movimento
de tempo em tempo
Sem respirar
sabem todos pra onde vão
confiantes e argutos
seguem seu caminhar -multidão
enviesando pelas veias metropolitanas
Injetam poluentes nas artérias da cidade
fazem do tempo seu inimigo
ao (tentar) conciliar obrigações e vontades
n'uma imensidão de incerteza
Buscando a terra prometida
sem que lhe dissessem onde é
buscam na escuridão do tatear
uma vida que possam se orgulhar
Flechas, bússolas, livros e minúcias
progresso para uma vida que lhe venderam
um status passageiro e um caixão certo
rumam velozes ao abismo
Não param no instante da reflexão
não buscam a si mesmos para execrar a pretensão
das máscaras que usam, ao contrário!
as vestem como quem ama o teatro
sabem todos pra onde vão
confiantes e argutos
seguem seu caminhar -multidão
enviesando pelas veias metropolitanas
fazendo de si espelho do que o mundo dá
colhem tanto sem nada semear
o fruto vazio da perdição dos tempos
é a velocidade do ganhar e perder
- tudo é passageiro.
R.C.
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