doído e enclausurado
muitas vezes extrovertido e endiabrado
nunca calmo
sempre mar tempestuoso
sempre vento suave que acaricia
sempre fogo que esquenta e lembra um lar
nunca terra
terra sempre foi um lugar estranho
onde os homens se esbarram sem se tocar
e trazem pra si uma responsabilidade imposta
onde as estrelas são renegadas
e as luzes supervalorizadas
onde as pessoas não se observam, não se amam
onde todas as palavras são usadas pra enganar
essas palavras tão belas, que nos poderiam fazer voar
esquecemo-nos do poder delas
e eu menino sadio e infeliz
vivo por querer entender qual o abismo que nos separa
qual a verdade que ainda não descobriram
porque todo esse modus vivendi nos maltrata
porque tenho esse choque, essa estranheza
com a vida que nos leva
o trabalho enobrece o homem, é verdade
mas outra verdade que não nos disseram
é que o tempo livre também é importante
e que pensar por si mesmo também tem seu valor
no carnaval somos todos momo, colombina e pierrot
mas as reais máscaras são aquelas que nos afetam a essência
que usamos a tanto tempo sem saber qual loucura que nos matará
qual de nós sucumbirá primeiro?
os amigos da faculdade, os da escola ou os do terreiro ?
Tudo em prol de quê, grana grana grana grana
grasnando todos em busca de fama ou comida
indo pra um abismo em fila indiana
tristeza imensa pra quem poderia ser tão mais
Se somos deuses, o que nos impede de ganhar os céus ?
essa ânsia do material nos faz esquecer das perguntas antigas
das filosofias e dos grandes iluminares
o culto ao corpo é tão grande que as almas não mais se tocam
quem somos nós hoje?
Eu ainda sou e serei fogo, água e ar
sem medo de queimar ou incendiar
pois o incêndio faz terra boa pra plantio
e pouca luz deixa a mata morrer.
Rômulo Cesco.
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