sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Passarinho


Sonhador  estranho
meio água, meio ferro
meio terra, meio sal
embora doce,  escondo, fujo

pra quê? por quê?  do quê?
O não já existe
o buscar aprovação é irrelevante
então pra quê atormento-me pelo que trago pra mim a todo instante?
conforto seria paz consigo e com os semelhantes

sem mais arrependimentos com os erros pretéritos
passou, passaram
passarinho perdido pousou
no ninho das desavenças e andanças
com certezas que já valeriam a vida
se não houvesse tanto para se fazer
tanto para mudar

estufa o peito
ajeita o ninho pro retorno diário
na mente o templo da fuga do escárnio
na quietude interior
construir e fazer as torres
de onde se mirarão as flechas de luz
no coração de cada ser

Passarinho, guerreiro de ideia
que voando faz sombra
estandarte que não se encerra
nem se venera
se vive, regenera
não confundamos desejo de paz com ausência de guerra
voemos nessa terra, derramando um pouco da essência
para que embora passageiros, passageiro nada seja.

R.C.