quinta-feira, 11 de abril de 2013

Três


Não sei porque me dizem assim, dizem que é rebeldia
hoje eu fumei três cigarros
correspondentes a um terço do dia

Hoje eu fumei três cigarros
o segundo simbolizando o que nunca foi dito, os amores perdidos
para sanar as dores das lembranças que me botam em grandes riscos

Hoje eu fumei três cigarros
o terceiro simbolizando o desejo, a estadia, a noitada
onde aproveito o ensejo, pra fazer findável moradia, na calada

Hoje eu fumei três cigarros
o primeiro para restaurar, a máscara de sorrisos
que visto em cada manhã, em cada respirar

Agora eu fiz três estrofes
para três cigarros iguais a mim, forma e gosto
em sua representação final, morte como posto.

Vamos voltar a conversar?


Eu poderia te levar à um café.
Onde a esquina é de vista boa.
A pauta principal seria sua vida atual.

Aonde não teria espaço para o meu ser banal.
Somente tua energia puramente doce
embaçando as janelas e forçando os que passam

a me olhar de relance, e a ti, por longos instantes



Poderemos conversar os pormenores fúteis de uma vida inútil
falar mal de sua família, de sua irmã, e lembrar de como é bom ser criança
falar de tudo que você goste e lhe traga sorriso fácil.

Não tocaria nos espinhos que agora lhe cercam a alma
te deixaria plena e segura, sem ter de zelar por si em minha presença
sem esperar estilhaços afiados em minhas palavras
ou volúpia desmedida em meu olhar
falaríamos dos pequenos que brincam no parque, a rir como bobos.
só queria te ver, sentar-me e ficar a admirar.

Vamos voltar a conversar?