ô pai! me aceita
sem pompa de me achar demais
sou poeta
só sinto o que aflige os demais!
certa feita você me disse pra eu ser gente
gente já sou
mas como ser eu se já julgam quem sou?
de que vale inteligência tamanha
se tenho que me aliar com gente tacanha?
prefiro não me adequar
já diria Nando Reis,
- Eu não vou me adaptar!
Não que eu não tenha tentado
mas esse crime que eu viria a cometer
é o suicídio da alma amarga
mas eu prefiro viver comigo
mesmo que simples e pobre
melhor sorrir terno do que tentar ser ovelha esnobe
eu não vou me adaptar!
dogmas foram feitos para nos afastar
política e a educação como temos
foram feitas para nos adestrar
e a tevê... pra nos condicionar
consumir e não protestar
contra esse todo sujo estranho que temos
contra todos esses venenos
mentais, físicos e psíquicos
que somos obrigados a engolir de domingo a domingo!
Olha, Pai!
Sou rebelde com causa, mas sem arma
meu estandarte é a palavra
não se avexe, seu filho ainda é aquele
que o coração esmaga
pro outro sorrir
mas eu também sou aquele
que quer mudança, mudar o porvir!
R.C.
(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
terça-feira, 21 de outubro de 2014
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Vou-me embora...
Vou fugir pra estratosfera
talvez lá do alto não seja tão ruim
talvez lá no alto não tenha tanto sofrer
lá as nuvens são harmônicas no conviver
deixam a outra ter o seu espaço
lá no alto tem espaço
pra crescer pro infinito
se espargir pelo céu-recinto
sem o que temos aqui
essa gana pelo diferente ser extinto
lá
não tem sociedade corrompida
não tem lixo eleitoral-moral
não tem pastor que prega o bem e faz o mal
lá
tem ventos que sopram pra todos os lados
não existe nuvem reacionária
no máximo ela está cheia de água
como a gente fica quando devia chorar
pro ódio, melancolia, tristeza escoar
e se a nuvem enche de elemento
chove , clareia
ao invés daqui
que tudo se destrói
e nada de duração secular se semeia
pois o progresso tudo justifica
e nada que humaniza traz tanta renda , logo...
vou-me embora para o céu
talvez lá tenha algo doce, algo de mel
pelo menos um espaço tão livre pra criar algo melhor
do que utopias no papel
melhor do que aqui
terra de todos à venda
metro quadrado privado pra quem tem como pagar
e pra morar? tem a calçada pra ficar
pra criar? só tem a margem pra se deliciar
mas
se quiser,
trabalhe, produza, esqueça do coração que pulsa
não reclame e tenha essa vida amedrontada e reclusa
de mesquinharias e julgamentos tantos,
onde nos esquecemos do que é ser humano.
R.C.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Sobre o "atraso"
Faz tempo que não escrevo um texto, tenho comigo uma certa ideia de que pra se escrever um texto é necessário conhecer à fundo uma história , seja uma criação do pensamento, seja acontecimento do mundo real; talvez um sentimento, esse que bom ou ruim lhe corrói e queima por dentro. Por isso me acostumei com a poesia, ela tende a ser mais concisa, traduzindo os sentimentos e causando sentir enquanto os olhos correm pelas linhas, são impressões reproduzidas, pensamentos ou volúpia ativa! Ao menos essa é a minha intenção, minhas poesias são partes de impressão, vindas de maneiras de coalizão que crio ao tentar explicar o meu viver social , minha visão do real.
Bom, nesse texto vou falar do atraso. Esse acontecimento precioso quando sucedido nos segundos encontros, quando um dos encontrantes porventura esquece o guarda-chuva, mas que é uma perspectiva de ser deixado só onde deveriam estar dois, nos primeiros encontros em toda parte planeta - claro, se esse encontro valer mesmo a pena. Esse atraso que é ruim pras entrevistas de emprego, essas que não se importarão pelos imprevistos que possam haver ocorrido na sua chegada. Esse atraso que num encontro de amigos é tido como natural e até motivo de boas piadas.
Esse atraso que também, infelizmente, está presente na mente de muitas pessoas, com ideias retrógradas e desumanas, que fecham os olhos pro mundo em que vivem, e preferem dizer pro filho que gays não tem vez nessa terra que eles vivem, que são racistas e idiotamente discriminam até o nortista, desses que se pudessem (e coragem para isso tivessem), seriam agentes da barbárie manipulada, do extermínio do diferente, desses com instinto de manipulação e dominação, controladores, ditadores do arquétipo e donos da estética que acham (ora pois porque é subjetivo) ser a mais bela. São os que atrasam todo o progresso, o verdadeiro peso morto mantenedor do pensamento que incrivelmente o desumaniza. Uns desses acabam por se resignar e manter isso pra si, remoendo seu ódio interno. Outros viram extremistas faladores de excreção (ou excremento).
- De que nos adianta o diálogo se vivemos em tanto atraso?
Uma sociedade heteronormativa que adora a violência. Defende-se uma família que, insisto, não sabia e continuo não sabendo que estava em perigo. Vive-se num regime de qualificar o seu valor , o valor do (e de) ser humano. Se você não trabalha , não produz, não produzindo dinheiro você não tem mais importância que um avestruz na savana. Se produz, lhe é enfiado goela abaixo a necessidade de cumprir o contrato social e se por em função da sociedade, estudando para fazer sua parte - assim dizem. Ou então estudando pra ganhar sua parte nesse mundo cheio de oportunidades.
Doce ilusão criada para a ovelha que sempre vai querer chegar lá. Alienada sem perceber. Sabe, sem entender que nessa pseudo democracia está mais perto de privação. Digo ovelha pois a ideia dos coletivos - ônibus,trem e metrô - no Brasil me dá a ideia de rebanho de autômatos, programados para agir como ovelhas.
Uma sociedade que não lhe deixa sair do convívio, se não tem nada - que compres! , tudo agora é de alguém.
Disse no começo que é preciso conhecer do tema. Eu conheço o atraso,costumo atrasar-me mas isso é assunto pro outro parágrafo. Eu vim e tento andar por todos os lados, ver muitos prismas do mesmo fato, de uma certa forma muitas vezes as reviravoltas da vida me chacoalharam, não por sempre afetarem minha vida em si, mas por afetarem a vida de outros conterrâneos como assim vi, li. Vi com os olhos o que muita gente não se presta pra ver, um judiciário que é ineficiente e de soluções de problemas é ausente, possuidor de um processo penal estranhamente brando com uns e ; uma polícia que gosta de maltratar e amedrontar qualquer adolescente não congruente com uma visão de vida que sai pela tangente do saber conviver, sim falo do maconheiro, mas também são costumeiramente perseguidos o artista de rua ou não, o morador de rua, também do bandido que é morto sumariamente como se ainda fosse a ditadura; defendo que a vida se humanize. Que se olhe pro indivíduo que nem pra se viver dignamente tem o necessário.
Do atraso eu sou íntimo porque costumo me atrasar pra certos compromissos diários ou esporádicos, é sempre uma possibilidade chegar no horário, mas existe todo um mundo a ser contemplado, uma nuvem a ser reparada, uma paisagem a ser demoradamente apreciada. Existe gente interessante com história pra contar, existem tantos museus para se visitar, tanta coisa pra se estudar , tanta instrução pra doar! Existem cidades milenares que podem ser visitadas. A vida é tanta possibilidade!
Então qual a racionalidade de eu viver dentro de uma certa racionalidade quando existe um mundo no qual eu sou pequeno demais e à mim só cabe ser benéfica parte ?
Não há, mas como fui cerceado e condicionado por todo uma ditadura de moral intrínseca nesse mundo , ainda mais atrasado por estar no Brasil, e até impelido por uma exigência silenciosa do capitalismo, devo me estabelecer como parte de um grupo menor, um núcleo-país, um todo que é pouco perante o mundo; devo arranjar um emprego para que eu produza, mesmo que minhas aspirações sejam outras, entretanto estou num país que -pasmem e fiquem tristes - não incentiva as artes e muito menos aceita pensamentos que tentem acender a vida intelectual ou política da referida sociedade. Mas nesse meio tempo cultivo os pequenos prazeres, gosto das paisagens que posso observar, reparo das histórias que me contam, para que possa repassar - se elas forem gloriosas como me descrevem.
Vivo, antes de ser tudo o que me obrigam, me iludem dizendo que posso ser feliz, mas da vida eu já digo de antemão que não fiz o que quis. Já que eu não posso transitar livremente pelo mundo sendo itinerante, vou ajudar meu semelhante ,sendo nômade de vez em quando, e quando inserido na sociedade serei mudança, de pronto, lutando aliado com as palavras contra esse todo-tolo! Entretanto, nesse meio tempo, pretendo sim ser feliz na medida que me deixaram ser. Pretendo ver toda a beleza que me for proporcionado ver. Digo sim pra vida antes de querer ter, e escolhi também parar de julgar qualquer coisa sem pagar pra ver, conhecer. Por isso o atraso de vez em quando, me desculpe, estou pensando e deglutindo - não engulo informações, estou admirando as belas construções, os montes ao longe, ou me perdendo em coisas que apenas os loucos vem se importando .
R.C.
Bom, nesse texto vou falar do atraso. Esse acontecimento precioso quando sucedido nos segundos encontros, quando um dos encontrantes porventura esquece o guarda-chuva, mas que é uma perspectiva de ser deixado só onde deveriam estar dois, nos primeiros encontros em toda parte planeta - claro, se esse encontro valer mesmo a pena. Esse atraso que é ruim pras entrevistas de emprego, essas que não se importarão pelos imprevistos que possam haver ocorrido na sua chegada. Esse atraso que num encontro de amigos é tido como natural e até motivo de boas piadas.
Esse atraso que também, infelizmente, está presente na mente de muitas pessoas, com ideias retrógradas e desumanas, que fecham os olhos pro mundo em que vivem, e preferem dizer pro filho que gays não tem vez nessa terra que eles vivem, que são racistas e idiotamente discriminam até o nortista, desses que se pudessem (e coragem para isso tivessem), seriam agentes da barbárie manipulada, do extermínio do diferente, desses com instinto de manipulação e dominação, controladores, ditadores do arquétipo e donos da estética que acham (ora pois porque é subjetivo) ser a mais bela. São os que atrasam todo o progresso, o verdadeiro peso morto mantenedor do pensamento que incrivelmente o desumaniza. Uns desses acabam por se resignar e manter isso pra si, remoendo seu ódio interno. Outros viram extremistas faladores de excreção (ou excremento).
- De que nos adianta o diálogo se vivemos em tanto atraso?
Uma sociedade heteronormativa que adora a violência. Defende-se uma família que, insisto, não sabia e continuo não sabendo que estava em perigo. Vive-se num regime de qualificar o seu valor , o valor do (e de) ser humano. Se você não trabalha , não produz, não produzindo dinheiro você não tem mais importância que um avestruz na savana. Se produz, lhe é enfiado goela abaixo a necessidade de cumprir o contrato social e se por em função da sociedade, estudando para fazer sua parte - assim dizem. Ou então estudando pra ganhar sua parte nesse mundo cheio de oportunidades.
Doce ilusão criada para a ovelha que sempre vai querer chegar lá. Alienada sem perceber. Sabe, sem entender que nessa pseudo democracia está mais perto de privação. Digo ovelha pois a ideia dos coletivos - ônibus,trem e metrô - no Brasil me dá a ideia de rebanho de autômatos, programados para agir como ovelhas.
Uma sociedade que não lhe deixa sair do convívio, se não tem nada - que compres! , tudo agora é de alguém.
Disse no começo que é preciso conhecer do tema. Eu conheço o atraso,costumo atrasar-me mas isso é assunto pro outro parágrafo. Eu vim e tento andar por todos os lados, ver muitos prismas do mesmo fato, de uma certa forma muitas vezes as reviravoltas da vida me chacoalharam, não por sempre afetarem minha vida em si, mas por afetarem a vida de outros conterrâneos como assim vi, li. Vi com os olhos o que muita gente não se presta pra ver, um judiciário que é ineficiente e de soluções de problemas é ausente, possuidor de um processo penal estranhamente brando com uns e ; uma polícia que gosta de maltratar e amedrontar qualquer adolescente não congruente com uma visão de vida que sai pela tangente do saber conviver, sim falo do maconheiro, mas também são costumeiramente perseguidos o artista de rua ou não, o morador de rua, também do bandido que é morto sumariamente como se ainda fosse a ditadura; defendo que a vida se humanize. Que se olhe pro indivíduo que nem pra se viver dignamente tem o necessário.
Do atraso eu sou íntimo porque costumo me atrasar pra certos compromissos diários ou esporádicos, é sempre uma possibilidade chegar no horário, mas existe todo um mundo a ser contemplado, uma nuvem a ser reparada, uma paisagem a ser demoradamente apreciada. Existe gente interessante com história pra contar, existem tantos museus para se visitar, tanta coisa pra se estudar , tanta instrução pra doar! Existem cidades milenares que podem ser visitadas. A vida é tanta possibilidade!
Então qual a racionalidade de eu viver dentro de uma certa racionalidade quando existe um mundo no qual eu sou pequeno demais e à mim só cabe ser benéfica parte ?
Não há, mas como fui cerceado e condicionado por todo uma ditadura de moral intrínseca nesse mundo , ainda mais atrasado por estar no Brasil, e até impelido por uma exigência silenciosa do capitalismo, devo me estabelecer como parte de um grupo menor, um núcleo-país, um todo que é pouco perante o mundo; devo arranjar um emprego para que eu produza, mesmo que minhas aspirações sejam outras, entretanto estou num país que -pasmem e fiquem tristes - não incentiva as artes e muito menos aceita pensamentos que tentem acender a vida intelectual ou política da referida sociedade. Mas nesse meio tempo cultivo os pequenos prazeres, gosto das paisagens que posso observar, reparo das histórias que me contam, para que possa repassar - se elas forem gloriosas como me descrevem.
Vivo, antes de ser tudo o que me obrigam, me iludem dizendo que posso ser feliz, mas da vida eu já digo de antemão que não fiz o que quis. Já que eu não posso transitar livremente pelo mundo sendo itinerante, vou ajudar meu semelhante ,sendo nômade de vez em quando, e quando inserido na sociedade serei mudança, de pronto, lutando aliado com as palavras contra esse todo-tolo! Entretanto, nesse meio tempo, pretendo sim ser feliz na medida que me deixaram ser. Pretendo ver toda a beleza que me for proporcionado ver. Digo sim pra vida antes de querer ter, e escolhi também parar de julgar qualquer coisa sem pagar pra ver, conhecer. Por isso o atraso de vez em quando, me desculpe, estou pensando e deglutindo - não engulo informações, estou admirando as belas construções, os montes ao longe, ou me perdendo em coisas que apenas os loucos vem se importando .
R.C.
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