Nunca mais, eu disse
para a garota que roubou minha alma
vem aqui , eu disse
para a garota que roubou minha alma
porque você é belo e triste ?
perguntou a garota que roubou minha alma
a verdade é que não sei
oscilo na angústia de ser livre da farpa
da maldição engatilhada
sou da proteção que não dorme quando me guarda
deveria agradecer e ser júbilo de sol nascente
respondi para a garota que roubou minha alma
fez sumir enquanto acumulava conhecimento dos lamentos
de que alma não se vale no mundo do estrago
- que eu gosto, mas não me encaixo
devolve, poesia, a alma ingênua que antes me possúia
a que me destes quando fui ser gente
é deveras machucada para não ser, ás vezes, fria.
Mas não faz mal, não tem pesar
é só uma constatação que
faz esboçar sorriso e algum mal estar
disse pra poesia que roubou minha alma
pra quando quiser acessá-la
tenho que me fundir e ser um com ela
sem desculpa, sem mentiras
é amor demais pra manter o coração no lugar
a alma é ela e ela é a alma.
R.C.
(Tudo que está aqui, saiu do emaranhado de pensamentos conflituosos que permeiam a minha vida)
domingo, 17 de dezembro de 2017
Ouroboros III
no ciclo que não finda
fico preso na expectativa
de ser o que sou sem saber se serei
quando necessário for fazer vida
ser nostalgia ao invés de impulso criador
no ciclo que não finda
eu brinco com a verdade da crença
com a mentira que tenta fingir-se não dita
falo de falsidade como se não incorresse em maldade
no ciclo que não finda
acho que o quebrei e renasci
mas como ouroboros não deixo de renascer
sou feito do material que são feitos os deuses
e os homens malditos de tanto amor que carregam
sou humano, carne e etéreo.
R.C.
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Augusta Lua.
como em uma tela
vou me refazendo
desfazendo-me em caminhada
Preferindo renascer a reciclar-me
no canto trevoso da alma me acho
fazendo luz em fogo, me abraço
com os ciclos da lua
refaço meus passos
pré-datados, cheios de significado
bebendo de uma felicidade inalcançável
orbitando no que culminaria
na expansão da consciência
desafio meu ser inferior em transcendência
ressignificando a existência e a arte do louvor
a língua da fatídica maledicência
da traição e da inconsequência
também é a que fala do amor
- o qual ousou, jurou explicar de alguma forma
até que, com digno pesar, humildade voltou a ter
do amor a gente é só identidade
descrição só cabe no viver
do amor é só noção simplória
por mais profunda que pareça ser
reconheço-me menino verdade
nos mistérios do percorrer
de amor e vida
passageiro atento e presente voltei a ser
futuro e passado na confluência do crescer
sendo eterno aprendiz na santidade do dever
que como intuição se mostra caminho
dizendo que a vida é larga como navio de carga
como tem de ser.
R.C.
vou me refazendo
desfazendo-me em caminhada
Preferindo renascer a reciclar-me
no canto trevoso da alma me acho
fazendo luz em fogo, me abraço
com os ciclos da lua
refaço meus passos
pré-datados, cheios de significado
bebendo de uma felicidade inalcançável
orbitando no que culminaria
na expansão da consciência
desafio meu ser inferior em transcendência
ressignificando a existência e a arte do louvor
a língua da fatídica maledicência
da traição e da inconsequência
também é a que fala do amor
- o qual ousou, jurou explicar de alguma forma
até que, com digno pesar, humildade voltou a ter
do amor a gente é só identidade
descrição só cabe no viver
do amor é só noção simplória
por mais profunda que pareça ser
reconheço-me menino verdade
nos mistérios do percorrer
de amor e vida
passageiro atento e presente voltei a ser
futuro e passado na confluência do crescer
sendo eterno aprendiz na santidade do dever
que como intuição se mostra caminho
dizendo que a vida é larga como navio de carga
como tem de ser.
R.C.
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terça-feira, 13 de junho de 2017
Sem-tino
Tem dias em que canso
da sobreposição da razão
ao sentimento.
Reluto em fazer uma visita
aos ódios enjaulados
na prisão do perdão,
Mas ao chegar lá
estes me lembram da mais sombria realidade
que habita em mim
do afeto ignorado e do muro intransponível criado
dardos ferinos apenas resvalam no que criei
Dentro de meu controle
de minha muralha
sou rei
mas nas masmorras
é que estão os inimigos
malditos seres que ameaçam a paz do reino.
para o diabo com a honra
só os mansos de coração herdarão o reino dos céus!
-sei que escolher outro caminho já não me cabe,
no entanto, conter os impulsos e as facilidades
já não são tarefa fácil
- talvez nunca o foi, só era, o espírito, mais resoluto -
grades estão ficando gastas
e o cimento já necessita de reparos
sinto que o tempo, escasso
vem passando à galope sem estrago
por enquanto
ou restauro a harmonia dos aprisionados
ou à liberdade, lançarei os demônios
R.C.
da sobreposição da razão
ao sentimento.
Reluto em fazer uma visita
aos ódios enjaulados
na prisão do perdão,
Mas ao chegar lá
estes me lembram da mais sombria realidade
que habita em mim
do afeto ignorado e do muro intransponível criado
dardos ferinos apenas resvalam no que criei
Dentro de meu controle
de minha muralha
sou rei
mas nas masmorras
é que estão os inimigos
malditos seres que ameaçam a paz do reino.
para o diabo com a honra
só os mansos de coração herdarão o reino dos céus!
-sei que escolher outro caminho já não me cabe,
no entanto, conter os impulsos e as facilidades
já não são tarefa fácil
- talvez nunca o foi, só era, o espírito, mais resoluto -
grades estão ficando gastas
e o cimento já necessita de reparos
sinto que o tempo, escasso
vem passando à galope sem estrago
por enquanto
ou restauro a harmonia dos aprisionados
ou à liberdade, lançarei os demônios
R.C.
Duque do nada
Senhor das terras infinitas dos pensamentos
Fidalgo da tardia e inequívoca verdade
advinda do autoconhecimento
Vagabundo de noites a fio
passadas a maquinar o universo criado pelos homens
que faz do papel em branco
seu território, um tipo de feudo intransponível
Nesses limites que só a ele pertencem
relata suas descobertas
as emoções maquiadas que jazem solitárias
nos corações dos viventes
A ira do contrariado
a doçura do apaixonado
a revolta latina do jovem enjaulado
a confusão da confluência de informações
Relator das mazelas e dos momentos mais belos
que pôde presenciar
e nunca julgador do que não cabe a ele desentranhar
o Fidalgo sem terra material
faz do papel em branco seu feudo
no qual com uma pitada de zêlo
Dá sua ótica para quem quiser
como um monóculo de cores vivas
uma profusão das cores básicas
e dos sentimentos primitivos
O papel em branco é puro instinto
e o Fidalgo sabe disso.
O lago
eu sou o lago
imenso
imensamente limitado
diminuo e aqueço a superfície ao sol
mas aumento e perpetro minha frieza na chuva
eu sou o lago
não sujeito às fases da lua
sem correnteza
não vou à qualquer lugar
estático, profundo
somente ondular, quando venta.
Eu sou o lago
imutável em sua beleza gélida
lar de corpos que nunca serão encontrados
lar de vida que somente se encontra ali
sou morte e vida
eu sou o lago
enevoado à luz da manhã
espelho d'água em noite clara
reflexivo, sem identidade
eu sou o lago.
R.C.
imenso
imensamente limitado
diminuo e aqueço a superfície ao sol
mas aumento e perpetro minha frieza na chuva
eu sou o lago
não sujeito às fases da lua
sem correnteza
não vou à qualquer lugar
estático, profundo
somente ondular, quando venta.
Eu sou o lago
imutável em sua beleza gélida
lar de corpos que nunca serão encontrados
lar de vida que somente se encontra ali
sou morte e vida
eu sou o lago
enevoado à luz da manhã
espelho d'água em noite clara
reflexivo, sem identidade
eu sou o lago.
R.C.
Conselhos do amor perdido
Passamos muito tempo
esperando que a conjunção dos astros
venha a preparar o encontro
que avivará o fogo que transcende a carne e a razão
Acreditamos achar esse sentimento
quando tudo o que possuímos é dado de bom grado
em um momento atemporal
- esses momentos que duram por uma vida .
Após isso passamos o tempo tentando resgatar
e integrar à atemporalidade
as expectativas que insistimos em - infantilmente - criar.
Em dado momento a verdade nos atinge
irrefutável em sua majestosa capa de luto
dizendo - o amor acabou
Resistimos, fazemos disso uma luta
quando cada característica que antes nos encantava
hoje faz parte da loucura da adequação
Esperamos do veneno, a cura
quando não há medicina para o amor
e somente o curandeirismo do tempo
fará de nós mais belos, pacientes e sábios
Por enquanto, jovens e precipitados
vivemos dando topadas com dedo mindinho do pé
nas quinas dos tijolos de construção do amor verdadeiro
este que tanto buscamos e juramos tratar com zêlo
quando chegar
- sem levar em conta o medo que nos toma
quando sabemos que o outro nos vê desnudo
e inseguros, não deixamos a vida tomar cargo da história
antecipamos e refugiamo-nos em manismos narcisistas
de modo à assegurar a autoestima.
Tolos!
Após isso não adianta insistir...
ou deixamos, de pronto
tudo para trás e nos jogamos
no mar de intenções positivas
e sentimentos altruistamente egoístas
sem levar em conta as expectativas pautadas em nossos pontos de vista
de modo à preservar o momento que nos fez deuses
e manter o encantamento perante às peculiaridades que se apresentarão
em cada inesperado momento
ou
em súbita luminosidade, a verdade nos atingirá
irrefutável em sua capa preta de luto, dizendo que
- o amor acabou.
R.C.
Mas que coisa, não é?
Somos seres de uma imensidão, oriundos de passados cheios dos
sentimentos e conceitos que nos permeiam também no agora, amor, raiva,
competição, ódio etc. E o que me deixa perplexo é que, quereremos que o mundo
seja melhor ou coisa que o valha, sem ao menos nos conectarmos com a natureza,
deixarmos de agredi-la. Não me venha utilizar informações que nos tiram a
responsabilidade do tipo a culpa é do governo que não despolui os rios, que
não incentiva um modelo econômico mais sustentável e afins, porque também
temos nossas corrupções diárias nesse tocante, sendo também nossa
responsabilidade agir melhor para com nosso meio ambiente.
Mas falávamos de querer que o mundo seja melhor...
Temos uma sociedade competitiva. Acordamos cedo. Estudamos e trabalhamos
em algum lugar, nosso ou de alguém. Para conseguir um pedaço de papel que, por
meio de valoração ideológica, rege nossas vidas. Com ele compramos comida,
compramos roupas, compramos utensílios domésticos e mobília. Compramos algo que
nos satisfaça. Queremos algo que nos caiba. Que nos permita (sobre)viver no
presente. Tudo consegue ser monetarizado, isto é, valorado de forma que mesmo
algo não físico (ideias, pensamentos, dores d'alma) possa ter seu
correspondente em verdinhas, aliás, é assim que são pagas as indenizações.
Mas há quanto tempo, você não pensa em você? Quanto tempo você não
repensa em quem você é? Quem você se
torna quando está perto de outras pessoas, se se torna outra pessoa ? Quanto
tempo não revê seus erros, não se analisa, não coloca seus ditos
"valores" n'uma balança, esses que adora tanto ressaltar. Há quanto
tempo não se apercebe do ambiente que vive, que tem contato com a natureza, que
se permite gentileza?
Incrivelmente, não importando a situação, você continua reclamando, mas
eu duvido muito que você esteja fazendo algo para mudar a situação de alguém
senão você mesmo. Reclama da corrupção, mas uma fila mais curta já consegue
flexibilizar sua inabalável moral.
Há quanto tempo você não pensa em Deus, força criadora, ou de onde veio
e pra onde vai?
Aceitamos a vida como ela é! E o
agora é importante demais, não sobra tempo para acrescentar algo a mais!
Não questionamos mais o universo, não questionamos mais quem somos e se
somos. Não queremos saber mais, já temos explicações racionais demais para
qualificar nossa existência. Mas sabemos para que, efetivamente, vivemos?
Sabemos outra explicação senão a do médico quando adoecemos? Sabemos ?
Sabemos alguma coisa? Pra que é usado nosso conhecimento? Já pensou, em
toda sua existência, nos porquês das coisas? Por que as pessoas passam fome?
Por que existem crimes ? Por que existem Guerras? Por que existem (complete
aqui)?
Todos fomo ensinados que é bom nos individualizar, diferenciarmo-nos dos
outros para sermos melhores – lendo mais, estudando mais, tendo mais cultura -
e isso acarreta individualismo (lembrando que a busca do conhecimento fora da
vaidade é algo que enriquece o ser, a mente).
E o individualismo não tem
empatia, não se coloca no lugar do outro, nunca. E com todo tipo de
diferenciação hoje em dia, nos falta algo que nos una, que nos horizontalize.
Você é gay, você é japonês, você é adepto do Islã, é macumbeiro, você é
católico, você é lésbica, você é de esquerda, você é de direita, você acha que
bandido bom é bandido morto, você é ateu, você fala mal da globo, você quer o
carro do ano, você gosta de chocolate, você faz a sua parte, você fica na sua,
você tem medo da viatura, você tem verdade no peito, você chora no leito, você
inveja, você odeia, você permeia, você se acha o dono da terra, você esquece o
índio da aldeia, você não fala de escola, você adora a cólera, você é cheio de
opiniões, demais.
Eu não vim trazer a solução eu vim trazer o questionamento, você
realmente é feliz com tudo o que tem? Você realmente precisa de tudo o que quer
? Você precisa se igualar ? Você precisa ter sucesso? Você precisa ter tanto
dinheiro? Mas como é que alguém vive de salário mínimo? Não lhe parece que haja
solução, é bom ter o carro, a televisão. É bom ter tudo o que sempre sonhou - mas olha amigo, saiu aquela geladeira
nova...
R.C.
Para o poeta.
Vou acender um cigarro
por ora, para ser fogo
pelo menos um pouco
Ser água, ar e fogo
é ter em si a identidade e o intento
mas não o firmamento para efetivar
Então temos nossos remédios
nossas mandingas
nossos terços e nossas guias
Saravá!
Não perdemos a esperança
não somos crianças
nem adultos
somos a centelha negra do universo
o esplendor da escuridão
o caos criador
da vida, do louvor, da certeza do amor
a dúvida, a loucura, a violenta amargura
que nos assola por ser esplendor
a centelha que deus esqueceu em nós
germina e espalha, mistura-se com a herança dos antepassados
de nossas vidas passadas, a herança que não perece
que não tem cheiro nem identidade terrena
é energia que permeia toda célula do teu corpo
Abençoa esse tempo em que o caos é tua morada
é tão bela essa dúvida engatilhada
pronta para atirar certezas perenes
sem saber se são, sem querer, as verdades eternas.
(Saravá)
R.C.
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