Somos seres de uma imensidão, oriundos de passados cheios dos
sentimentos e conceitos que nos permeiam também no agora, amor, raiva,
competição, ódio etc. E o que me deixa perplexo é que, quereremos que o mundo
seja melhor ou coisa que o valha, sem ao menos nos conectarmos com a natureza,
deixarmos de agredi-la. Não me venha utilizar informações que nos tiram a
responsabilidade do tipo a culpa é do governo que não despolui os rios, que
não incentiva um modelo econômico mais sustentável e afins, porque também
temos nossas corrupções diárias nesse tocante, sendo também nossa
responsabilidade agir melhor para com nosso meio ambiente.
Mas falávamos de querer que o mundo seja melhor...
Temos uma sociedade competitiva. Acordamos cedo. Estudamos e trabalhamos
em algum lugar, nosso ou de alguém. Para conseguir um pedaço de papel que, por
meio de valoração ideológica, rege nossas vidas. Com ele compramos comida,
compramos roupas, compramos utensílios domésticos e mobília. Compramos algo que
nos satisfaça. Queremos algo que nos caiba. Que nos permita (sobre)viver no
presente. Tudo consegue ser monetarizado, isto é, valorado de forma que mesmo
algo não físico (ideias, pensamentos, dores d'alma) possa ter seu
correspondente em verdinhas, aliás, é assim que são pagas as indenizações.
Mas há quanto tempo, você não pensa em você? Quanto tempo você não
repensa em quem você é? Quem você se
torna quando está perto de outras pessoas, se se torna outra pessoa ? Quanto
tempo não revê seus erros, não se analisa, não coloca seus ditos
"valores" n'uma balança, esses que adora tanto ressaltar. Há quanto
tempo não se apercebe do ambiente que vive, que tem contato com a natureza, que
se permite gentileza?
Incrivelmente, não importando a situação, você continua reclamando, mas
eu duvido muito que você esteja fazendo algo para mudar a situação de alguém
senão você mesmo. Reclama da corrupção, mas uma fila mais curta já consegue
flexibilizar sua inabalável moral.
Há quanto tempo você não pensa em Deus, força criadora, ou de onde veio
e pra onde vai?
Aceitamos a vida como ela é! E o
agora é importante demais, não sobra tempo para acrescentar algo a mais!
Não questionamos mais o universo, não questionamos mais quem somos e se
somos. Não queremos saber mais, já temos explicações racionais demais para
qualificar nossa existência. Mas sabemos para que, efetivamente, vivemos?
Sabemos outra explicação senão a do médico quando adoecemos? Sabemos ?
Sabemos alguma coisa? Pra que é usado nosso conhecimento? Já pensou, em
toda sua existência, nos porquês das coisas? Por que as pessoas passam fome?
Por que existem crimes ? Por que existem Guerras? Por que existem (complete
aqui)?
Todos fomo ensinados que é bom nos individualizar, diferenciarmo-nos dos
outros para sermos melhores – lendo mais, estudando mais, tendo mais cultura -
e isso acarreta individualismo (lembrando que a busca do conhecimento fora da
vaidade é algo que enriquece o ser, a mente).
E o individualismo não tem
empatia, não se coloca no lugar do outro, nunca. E com todo tipo de
diferenciação hoje em dia, nos falta algo que nos una, que nos horizontalize.
Você é gay, você é japonês, você é adepto do Islã, é macumbeiro, você é
católico, você é lésbica, você é de esquerda, você é de direita, você acha que
bandido bom é bandido morto, você é ateu, você fala mal da globo, você quer o
carro do ano, você gosta de chocolate, você faz a sua parte, você fica na sua,
você tem medo da viatura, você tem verdade no peito, você chora no leito, você
inveja, você odeia, você permeia, você se acha o dono da terra, você esquece o
índio da aldeia, você não fala de escola, você adora a cólera, você é cheio de
opiniões, demais.
Eu não vim trazer a solução eu vim trazer o questionamento, você
realmente é feliz com tudo o que tem? Você realmente precisa de tudo o que quer
? Você precisa se igualar ? Você precisa ter sucesso? Você precisa ter tanto
dinheiro? Mas como é que alguém vive de salário mínimo? Não lhe parece que haja
solução, é bom ter o carro, a televisão. É bom ter tudo o que sempre sonhou - mas olha amigo, saiu aquela geladeira
nova...
R.C.
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