terça-feira, 13 de junho de 2017

Mas que coisa, não é?


Somos seres de uma imensidão, oriundos de passados cheios dos sentimentos e conceitos que nos permeiam também no agora, amor, raiva, competição, ódio etc. E o que me deixa perplexo é que, quereremos que o mundo seja melhor ou coisa que o valha, sem ao menos nos conectarmos com a natureza, deixarmos de agredi-la. Não me venha utilizar informações que nos tiram a responsabilidade do tipo a culpa é do governo que não despolui os rios, que não incentiva um modelo econômico mais sustentável e afins, porque também temos nossas corrupções diárias nesse tocante, sendo também nossa responsabilidade agir melhor para com nosso meio ambiente.

Mas falávamos de querer que o mundo seja melhor... 

Temos uma sociedade competitiva. Acordamos cedo. Estudamos e trabalhamos em algum lugar, nosso ou de alguém. Para conseguir um pedaço de papel que, por meio de valoração ideológica, rege nossas vidas. Com ele compramos comida, compramos roupas, compramos utensílios domésticos e mobília. Compramos algo que nos satisfaça. Queremos algo que nos caiba. Que nos permita (sobre)viver no presente. Tudo consegue ser monetarizado, isto é, valorado de forma que mesmo algo não físico (ideias, pensamentos, dores d'alma) possa ter seu correspondente em verdinhas, aliás, é assim que são pagas as indenizações.

Mas há quanto tempo, você não pensa em você? Quanto tempo você não repensa em quem você é?  Quem você se torna quando está perto de outras pessoas, se se torna outra pessoa ? Quanto tempo não revê seus erros, não se analisa, não coloca seus ditos "valores" n'uma balança, esses que adora tanto ressaltar. Há quanto tempo não se apercebe do ambiente que vive, que tem contato com a natureza, que se permite gentileza?

Incrivelmente, não importando a situação, você continua reclamando, mas eu duvido muito que você esteja fazendo algo para mudar a situação de alguém senão você mesmo. Reclama da corrupção, mas uma fila mais curta já consegue flexibilizar sua inabalável moral.
Há quanto tempo você não pensa em Deus, força criadora, ou de onde veio e pra onde vai?
Aceitamos a vida como ela é!  E o agora é importante demais, não sobra tempo para acrescentar algo a mais!
Não questionamos mais o universo, não questionamos mais quem somos e se somos. Não queremos saber mais, já temos explicações racionais demais para qualificar nossa existência. Mas sabemos para que, efetivamente, vivemos? Sabemos outra explicação senão a do médico quando adoecemos? Sabemos ?

Sabemos alguma coisa? Pra que é usado nosso conhecimento? Já pensou, em toda sua existência, nos porquês das coisas? Por que as pessoas passam fome? Por que existem crimes ? Por que existem Guerras? Por que existem (complete aqui)? 

Todos fomo ensinados que é bom nos individualizar, diferenciarmo-nos dos outros para sermos melhores – lendo mais, estudando mais, tendo mais cultura - e isso acarreta individualismo (lembrando que a busca do conhecimento fora da vaidade é algo que enriquece o ser, a mente).

 E o individualismo não tem empatia, não se coloca no lugar do outro, nunca. E com todo tipo de diferenciação hoje em dia, nos falta algo que nos una, que nos horizontalize. Você é gay, você é japonês, você é adepto do Islã, é macumbeiro, você é católico, você é lésbica, você é de esquerda, você é de direita, você acha que bandido bom é bandido morto, você é ateu, você fala mal da globo, você quer o carro do ano, você gosta de chocolate, você faz a sua parte, você fica na sua, você tem medo da viatura, você tem verdade no peito, você chora no leito, você inveja, você odeia, você permeia, você se acha o dono da terra, você esquece o índio da aldeia, você não fala de escola, você adora a cólera, você é cheio de opiniões, demais.


Eu não vim trazer a solução eu vim trazer o questionamento, você realmente é feliz com tudo o que tem? Você realmente precisa de tudo o que quer ? Você precisa se igualar ? Você precisa ter sucesso? Você precisa ter tanto dinheiro? Mas como é que alguém vive de salário mínimo? Não lhe parece que haja solução, é bom ter o carro, a televisão. É bom ter tudo o que sempre sonhou  - mas olha amigo, saiu aquela geladeira nova... 

R.C.

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