terça-feira, 13 de junho de 2017

Duque do nada



Senhor das terras infinitas dos pensamentos
Fidalgo da tardia e inequívoca verdade
advinda do autoconhecimento

Vagabundo de noites a fio
passadas a maquinar o universo criado pelos homens
que faz do papel em branco
seu território, um tipo de feudo intransponível

Nesses limites que só a ele pertencem
relata suas descobertas
as emoções maquiadas que jazem solitárias
nos corações dos viventes

A ira do contrariado
a doçura do apaixonado
a revolta latina do jovem enjaulado
a confusão da confluência de informações

Relator das mazelas e dos momentos mais belos
que pôde presenciar
e nunca julgador do que não cabe a ele desentranhar

o Fidalgo sem terra material
faz do papel em branco seu feudo
no qual com uma pitada de zêlo

Dá sua ótica para quem quiser
como um monóculo de cores vivas
uma profusão das cores básicas
e dos sentimentos primitivos

O papel em branco é puro instinto

e o Fidalgo sabe disso. 

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