terça-feira, 13 de junho de 2017

Para o poeta.


Vou acender um cigarro
por ora, para ser fogo
pelo menos um pouco

Ser água, ar e fogo
é ter em si a identidade e o intento
mas não o firmamento para efetivar

Então temos nossos remédios
nossas mandingas
nossos terços e nossas guias

Saravá!

Não perdemos a esperança
não somos crianças
nem adultos

somos a centelha negra do universo
o esplendor da escuridão
o caos criador
da vida, do louvor, da certeza do amor
a dúvida, a loucura, a violenta amargura
que nos assola por ser esplendor

a centelha que deus esqueceu em nós
germina e espalha, mistura-se com a herança dos antepassados
de nossas vidas passadas, a herança que não perece
que não tem cheiro nem identidade terrena
é energia que permeia toda célula do teu corpo

Abençoa esse tempo em que o caos é tua morada
é tão bela essa dúvida engatilhada
pronta para atirar certezas perenes
sem saber se são, sem querer, as verdades eternas.


(Saravá) 

R.C.

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