Passamos muito tempo
esperando que a conjunção dos astros
venha a preparar o encontro
que avivará o fogo que transcende a carne e a razão
Acreditamos achar esse sentimento
quando tudo o que possuímos é dado de bom grado
em um momento atemporal
- esses momentos que duram por uma vida .
Após isso passamos o tempo tentando resgatar
e integrar à atemporalidade
as expectativas que insistimos em - infantilmente - criar.
Em dado momento a verdade nos atinge
irrefutável em sua majestosa capa de luto
dizendo - o amor acabou
Resistimos, fazemos disso uma luta
quando cada característica que antes nos encantava
hoje faz parte da loucura da adequação
Esperamos do veneno, a cura
quando não há medicina para o amor
e somente o curandeirismo do tempo
fará de nós mais belos, pacientes e sábios
Por enquanto, jovens e precipitados
vivemos dando topadas com dedo mindinho do pé
nas quinas dos tijolos de construção do amor verdadeiro
este que tanto buscamos e juramos tratar com zêlo
quando chegar
- sem levar em conta o medo que nos toma
quando sabemos que o outro nos vê desnudo
e inseguros, não deixamos a vida tomar cargo da história
antecipamos e refugiamo-nos em manismos narcisistas
de modo à assegurar a autoestima.
Tolos!
Após isso não adianta insistir...
ou deixamos, de pronto
tudo para trás e nos jogamos
no mar de intenções positivas
e sentimentos altruistamente egoístas
sem levar em conta as expectativas pautadas em nossos pontos de vista
de modo à preservar o momento que nos fez deuses
e manter o encantamento perante às peculiaridades que se apresentarão
em cada inesperado momento
ou
em súbita luminosidade, a verdade nos atingirá
irrefutável em sua capa preta de luto, dizendo que
- o amor acabou.
R.C.
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