domingo, 20 de janeiro de 2013

Longa observação


Uma tarde, duas pessoas num sofá. Um casal, ou seriam apenas grandes amigos ? Não sei, mas pelo jeito que as pernas dela se enlaçam na cintura dele, acredito que sejam um casal.  O jeito que se olham também é um fator denunciante. Na verdade nesta cena existem inúmeros indícios de que sejam um casal, mas será que eles sabem disso ? Não sei, cheguei agora e estou só observando, estudando como a interação entre essas duas pessoas se parece muito com o que nos é descrito como química, como nas histórias antigas...

Estão conversando algum assunto sem importância, só pra passar o tempo, e falando algumas besteiras fazendo jus à juventude que esbanjam. Ali parados, como se o tempo fosse irrelevante e os problemas fossem apenas causos de uma vida distante.

Dizem que eu que criei os sentimentos, mas eles se manifestam de formas diferentes, fazendo com que fique difícil de identificá-los, portanto, é sempre um prazer observar minhas criações. Dizem que eu também sei dos destinos, saber, sei, entretanto não me lembro da maioria. Mas meu sexto sentido (sim, também tenho sexto sentido, sou uma parte da criação, já que foram criados a minha imagem, tenho algumas veias humanas) me diz que estão destinados à grandeza. Não sei se juntos, mas os dois carregam uma luz rara.

E sim, eles ainda estão no sofá e parece que o garoto está um pouco alto, porém não consigo dizer do quê, seus olhos fitam os dela por muito tempo, muito mais do que seria o normal, e eles se beijam novamente. Talvez seja apenas paixão, dizem que é uma droga mesmo. E eles estão vendo um programa de televisão bem idiota, no qual eu nem tenho certeza se estão prestando atenção, parecem estar mais preocupados um com o outro, isolados do mundo, perdidos um no outro. Como num rio que você só se deixa levar, é uma analogia interessante pra um casal apaixonado. É , eu decidi que eles estão apaixonados, só podem estar, não há outra explicação para tais olhares e tardes à toa.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Apenas sonhos



Se envolve nos lençóis como a criança que não larga seu brinquedo preferido. Aquele ambiente de solidão total é onde as nômades epopeias alçam voo, e onde os mais tristes baques se concretizam.
Sonhos são o refúgio mais intenso e longínquo que ele pode ter, seu ser almeja por isso a cada manhã que seus olhos semicerrados veem que o sol está a pino, tenta relembrar a sensação de estar pleno ao acordar, irremediavelmente não consegue achar as memórias do que acabou de pensar.

Divagou por entre os flashes que apareciam nas tórridas e queimadas lembranças:

Aquele embate entre dois cavalheiros provenientes da era das luzes, se desfez. Aquela linda mulher idealizada sumiu por entre outros mil devaneios. O Egito antigo foi sua casa durante muito tempo, e quando eras se passaram, somente algumas horas haviam se passado nesta dimensão inútil e desprezível.

E quanto à mais linda história de amor já vivida por um subconsciente ?" Essa sim é memorável. Os detalhes daqueles dias, daquelas noites que jamais serão esquecidas, das carícias trocadas frente à um muro de lamentações."

" O amor impossível que se perpetuou por entre catacumbas outrora usadas pra celebrar o nascimento de uma nova religião. Dois lados que viviam divididos n'uma guerra que só traria sofrimento. A inocência por ele perdida quando o sangue do inimigo jorrou enquanto à quilômetros dali ela suturava um pulmão perfurado por uma granada que seu amor jogara. A lealdade à pátria posta em cheque quando o sentimento mais profundo jorrou como o sangue do homem que necessitava de um torniquete. A mistura explosiva de dogmas diferenciados e de olhares apaixonados. O impossível que se tornou possível. Os esconderijos por entre becos históricos, os beijos apaixonados embalados pelos sons rasantes de foguetes. A verdade escondida nos olhos de dois amantes da noite, de si mesmos. Um amor real. Vencendo nações e outras idiotices segmentadoras."

Uma das muitas encantadoras histórias que um sonho trouxe, e os detalhes com ele foram. Ele pensa que precisa de um caderno para anotar os sonhos. Mas se nega a deixar que entrem no que é o mais íntimo de seus pensamentos, então deixa estar, os detalhes que ficam não há de renegar, mas também não procurará gravar.



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Platônico




Platônico remontando épocas remotas
ressurgindo de tempos em tempos
na razão de um olhar apenas
o que estava longe e escondido, brota, avassalador;

Enebria com o sal do mar
encanta quando reflete a luz do sol forte
surpreende quando ri com a leveza de uma criança
e apaixona quando está por perto

 Mãos procuram carícias sob luzes desencontradas
em uma serra veloz circundada de telhas monocromáticas
palavras não ditas em momentos oportunos
o que foi, o que não deveria ter sido, o talvez, a dúvida


Platônico. Sangue.