terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sobre o que todos procuramos.

o que é o amor?
é o querer desmedido ?
é o toque que incendeia?
é o beijo que adormece os problemas?
é o calor dos corpos que cala o mundo?
é o riso que mareja os olhos?
são os teus olhos de lua cheia?
são os meus encantos com teu olhar?
é o querer viver do lado para todo sempre?
é o nutrir para brotar árvore que perpetua
com frutos que correm pela casa desengonçados?
é o se libertar de todo o conceito pré -estabelecido
e se abrir para um novo sol que entra pela janela?

ou é simplesmente
o amor?
pacífico e maleável
a chama que acende
e consome o ser
a cisão com as pragas humanas
e ascensão para o céu
sendo apenas luz
em meio à escuridão?

ou é simplesmente
o amor?
indescritível, indefinível
querência interminável
de corpos que se contraem
em dor que tanto se sente
que queima se tanto ressente?
infindável quando entregamos
amor...

Descrição


O combustível do poeta , do escritor
dentre outras coisas
é a dúvida, a vivência
o desamor
as anedotas da cidade grande
as grandes epopeias
dos humildes viajantes

uma tarde ensolarada n'uma praça verdejante
um pôr do sol com uma família hippie itinerante
uma mesa de bar carteando e falando de vida
e adiante
uma garrafa de vinho acompanhada de haxixe
como em conflito com o mundo que muito exige
a cara limpa para que a mente processe
o que a boemia tratou de em fogo gravar
no peito do poeta
há uma vida para se amar

há uma menina para se apreciar
se descobrir e deslumbrar
com a mulher que vem a se mostrar
há no homem alguém para também beijar
se apaixonando pela voz doce e rouca
há na noite uma amizade que nunca mais verá
uma companhia findável n'uma rua de luar

tudo vira verso
desde sentimento até stress impresso
o xingamento da metrópole
a indignação com os estábulos dos prédios
a repulsa com os navios negreiros sobre rodas
que não diferem mais cor e discricionam para quem abrem portas

o poeta é a cisão com o imaginário popular
o que percebe a podridão e se dói com o mundo
carregando nas costas , essa marca do absurdo
esse grito calado , que nos dedos se perde
e vira verso bem rimado
ou nem tanto dependendo do estrago

tudo é inspiração
só cabe o poeta , acertar na descrição.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Escrevo...



Escrevo , pra ver se me deixo no eixo
pra ver se desse mundo me esqueço
pra ver se alguém que eu conheço
em mim se reconhece
e concorda com algumas ideias aleatórias
que brotam em consonância com as memórias
derivadas das histórias e ideologias teóricas
filosofias de vanguarda
sou também o que vigia a retaguarda

vigia!

pra ver se o mundo se toca do que cria
crianças violentadas pelo veneno da mídia
adolescentes tocando sua vida em monotonia
se adequando a estereótipos que só se veem na telinha
plim plim! moldando sua vida!
e aí, o que cê me diz minha filha?

escrevo, pra ver se algo muda
se alguma alma se salva junto com a minha
como se minha semente fosse também minha salvação
tenho a impressão de que a humanidade precisa de orientação
relembrar do que já foi falado
ao invés pregar na cruz quem prega o amor
e não o ódio do diabo, que sorri com tanto rancor

eu só dou o alerta, santidade pra mim tá longe
to na busca do pão pra seguir adiante

olhar pra si antes de olhar o sapato
olhar pra si antes de olhar pro carro
olhar pra criança sem comida no prato
olhar pra vida sem tanto apego com o tato

sem tanto apego com o bem fungível
acabamos por perder a vida no fogo do dirigível
o ar quente que nosso suor exala nos ônibus
- o chicote do século vinte e um
nos escravos anônimos

cada eleição  cava a sepultura de mais alguns
 pretos periféricos
 trajados de ecko ou marcas afins
que por se enquadrarem no tipo
são alvo do homicídio
triste fim
assistido e ordenado pela classe dominante
esses que só se importam com os diamantes no final
afinal
a conta bancária alta espanta o mal
os muros altos da cidade fazem o seu papel
mostrando o que não se pode ter
sem abrir mão do céu.

escrevo, pra ver se muda alguma coisa
pra que eu não seja mais uma alma agoniada
nessa imagem-ditadura
e talvez se juntem alguns verdadeiros nessa luta
que tenham a visão de que de uma mudança se precisa
e de uma reação pelos poderosos imprevista
o pleito é
por paz na jornada
e igualdade de oportunidades
nessa meritocracia mentirosa que de verdade
 só tem alarde.

R.C.