sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Sobre a semana que assassinaram Mariele.

É tenebrosa
Não podemos negar
Entra ano e sai ano
Manchetes variadas pra atormentar

Povo que se entende crítico
Povo acreditando ser parte de outro ciclo
Povo maldizendo os benditos
Povo bendizendo os malditos

Guerreiros e guerreiras de pautas nossas
Doam a vida, ganham bala 
E o escárnio não demora 
Do brasileiro caolho a mando das cobras

De onde você vem e onde vai? 
Esse futuro presente é o que prega? 
Olha à tua volta, a gente se mexe
Não só na internet se faz voz

Presentes, todos os assassinados e desaparecidos
Nunca esquecidos 
Por quem lhes toma como exemplo
Não nos curvaremos à exceção

Não seremos humanos 
Se permitirmos essa degradação 
Essa desvalorização da vida.
Todas essas pessoas tinham sonhos.

O Amarildo não apareceu 
O Braga nunca mais comprará Pinho sol
A Marielle nos deixou um vácuo no cumprimento do dever de cuidado com a sociedade
E todos os outros calados sem a repercussão midiática

Nos farão falta.

Centenas, milhares nascem todos os dias
Mas vida não é matemática
Quem vai faz falta

Pra família, pro amigo
Pro contexto social
Pra um mundo do que precisa de respiro
Lembra de quando você ainda era humano?

Retoma. Não dá mais tempo, mano. 
É esse o momento
Para de engolir merda ,salivar veneno
Toma pra ti esse apelo.

R.C.

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