Chegou e foi
o carnaval de muitos reis e rainhas
onde os demônios de cada um
tomam suas caipirinhas
acompanham os blocos
e extravasam na pista
ora, não me leve a mal
demônio é só alguém fora do status quo
da ilusão do papel social
da sexta à quarta de cinzas
o que você menos precisa é de máscaras
e tudo o que mais se vê
é que somos feitos mais de alegrias do que de desgraças
e que o papel social, bom... ele não serve pra nada
uma festa que iguala os foliões
na pista independente das razões
é respeito às diferenças e sem maiores delongas
um carnaval é torpor de multidão
ligeiro na calada, sempre
mas vê se no sorriso de quem está do lado
há algum esgar de maldade
há alguma solução para o escárnio
há apenas a vontade de ser tudo e nada
pois depois o mundo voltará a lhes pesar todos
em uma balança nunca equilibrada
nunca benéfica para a sanidade mental
ora, porque ser apenas poucos dias do ano
quando podemos ser sempre carnaval ?
jogar as conveniências e convenções pro ar
esquecer de manismos e nojentas rotinas por um tempo
sejamos compromisso e responsabilidade
mas não algo que nos tolha a liberdade
de ser, de expressar, de viver como quem só quer amar
sem condições, amarras, cláusulas e afins .
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