sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Carna(e)val.

Chegou e foi 
o carnaval de muitos reis e rainhas 
onde os demônios de cada um 
tomam suas caipirinhas
acompanham os blocos 
e extravasam na pista

ora, não me leve a mal 
demônio é só alguém fora do status quo 
da ilusão do papel social 
da sexta à quarta de cinzas 
o que você menos precisa é de máscaras
e tudo o que mais se vê

é que somos feitos mais de alegrias do que de desgraças 
e que o papel social, bom... ele não serve pra nada 
uma festa que iguala os foliões 
na pista independente das razões 
é respeito às diferenças e sem maiores delongas 
um carnaval é torpor de multidão

ligeiro na calada, sempre 
mas vê se no sorriso de quem está do lado 
há algum esgar de maldade 
há alguma solução para o escárnio 
há apenas a vontade de ser tudo e nada 
pois depois o mundo voltará a lhes pesar todos 
em uma balança nunca equilibrada 
nunca benéfica para a sanidade mental

ora, porque ser apenas poucos dias do ano
quando podemos ser sempre carnaval ? 
jogar as conveniências e convenções pro ar 
esquecer de manismos e nojentas rotinas por um tempo 
sejamos compromisso e responsabilidade 
mas não algo que nos tolha a liberdade 
de ser, de expressar, de viver como quem só quer amar 
sem condições, amarras, cláusulas e afins .

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