Vivemos tempos curiosos
nada módicos
o mundo está a ver a volta de seus filhos pródigos
das bruxas queimadas
dos poetas sombrios
das almas quebradas que voltaram para suprir
o que antes lhe atormentava
o que antes não os fazia enquadrar-se
o que antes não havia chance de mudarem
Ainda hoje
tais almas vagam com uma sensação de que não são daqui
trazem lembranças de uma sociedade não-terrena
e seus atos e tormentos, espelham sua diferenciação
mas encontram seus pares por onde passam
que hoje vem aos montes
para quebrar os paradigmas
os muros, as insígnias
queimar as bandeiras
reabrir fronteiras
Viver à uma nova maneira
sem medo, sem amarras inúteis
provando que a liberdade que dizemos ter inexiste
que há muito mais a ser buscado
não precisando ser rebuscado
renovando o modo de ocupar os espaços
de olhar o outro, reconectando-se com a natureza
preservando as boas certezas
renegando o que é desprovido de beleza
rindo da ganância e cumulatividade inútil
tendo empatia e sendo útil
levantando-se como onda
contra um Estado e um regime que envergonha
Rachando as jaulas mentais
rechaçando cada vez mais
tudo o que não é compreensão
nem que pra isso seja preciso derramar o próprio sangue
É uma guerra pela paz
uma Cruzada sagaz
por valores há muito esquecidos
propagados por Buda, Oxalá e Cristo
o verdadeiro Universalismo.
R.C.
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