quinta-feira, 23 de julho de 2015

Reciclo(ado)


As vezes eu flutuo
as vezes fico de cama
pelo sentir
em uma proporção tamanha
que me tira a atenção
da posição tacanha
dos homens
da política assanhada
da malemolência forjada
pra enganar multidões

me joga no abismo
com um elástico preso à cintura
como um cinto
sinto
de formas diferentes
em dias ausentes
em dias presentes
de corpo e alma
falta de calma
vontade de mudar o mundo
vontade de fechar a janela
a dualidade
em  cada linha
em cada quebra
mas
a vida segue

a humanidade caminha
rumo ao abismo
mesquinha

 eu aqui
com meus amores
findados e em curso
remanescências de um subúrbio
do amar

 meu ninho
fumando meu cigarro
sozinho
prefiro compor sobre o sentimento que tenho
sobre o escárnio que vejo
do que sobre as razões que possuo
pois minha vida é mais que racionalização
ás vezes é preciso um pouco mais de coração
senão
adormece a visão
perde-se a audição
a vida passa a ser cinza
e a cidade vira rotina
melancolia travestida de dia a dia
prefiro então ressurgir !
como lagarta do casulo
borboleta se faz
pra ganhar o mundo
e morrer logo mais

nesses ciclos de morrer e ascender
criar e transcender
digo, à rotina de ser eu mesmo
jamais me laçará
andando sem direção
à esmo
porque na lapidação que me proponho
morrer é matar o estorvo
que jaz em meu peito

e pro leigo
mato o meu medo
renasço destemido
confiante e temido
de olhar feroz e comedido
sendo um melhor amigo
uma pessoa diferente
sem deixar, em essência,
de ser eu
o jocoso
o sério
o direto
o adorno
aquele que o pão que caiu no chão
sorridente comeu,
Rômulo, o plebeu.


R.C.

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