Pra falar de paixão todos tem seu jeito. Uns são melosos, uns gostam das frases de efeito, uns gostam da descrição , uns gostam de tudo isso junto num mix divertido, outros adoram as figuras de linguagem. Eu sou dos que gostam da descrição. Acredito que ao dissecar o sentimento conseguimos achar a chama, o sentido.
É se atendo ao efeito do sorriso da pessoa em questão que nota-se o desejo de abrir mão do mundo e do tempo-espaço, só pra continuar por mais tempo naquele momento, apenas olhando-a sorrir; ou quando longos momentos se passam sem que um som distinguível se faça, onde as respirações são a cadência dos olhos perdidos no outro, nas suas curvas e seus detalhes - suas dezenas de pintas ou aqueles sensuais furinhos no quadril; ou ainda quando acordas e tens a claridade da manhã banhando o quarto e a pele perfumada do tal alguém, de modo que a pele parece feita de matéria gasosa, como névoa ...
Estes momentos explicam a paixão no sentir, mas não a chama. Concluo então que paixão não se disseca pra achar uma soma de fatores que culminaram na combustão. Você espera acontecer ,por entre os muitos casos efêmeros - e quando acontece, se vive, sem achar raiz, já que nesse caso a chama é espontânea e alimenta-se de si...
R.C.
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