terça-feira, 16 de setembro de 2014

Como ser em tanto ter ?


Nessa história de sermos quem nos propomos a ser
nos perdermos e nos fazem perder-nos
no meio do termos coisas demais
nos tornamos nossos próprios chacais
pensando que somos tão demais
pela roupa, óculos, carro que destoa e atrai à nós
olhares comedidos de desejo contido

e o ser nessa  história?
ficou no meio das epopéias dos grandes escritores
nas filosofias de grandes pensadores
hoje somos redes de conhecer que desaguam no caos
pessoas que sofreram influências de inúmeras formas e meios
com informação pra vida inteira contida na tela virtual
hoje em dia, somos apenas pequenos atores de nós mesmos
nos disfarçando pelos pequenos grandes grupos
para não sermos taxados de arrogantemente resolutos
pois se disséssemos tudo o que sentimos e queremos falar
nos jogaríam em manicômios ou isolaríam-nos em alto-mar
ou uma vala desconhecida, cavada pela polícia seria o final destino.

então vejo meus pares sendo sinceros em mesas alheias
repletas de cervejas vazias e muitas mais a chegar
uma cena interessante e um tanto irrelevante
pois no outro dia tem que trocar de roupa e botar a máscara
de proletário bem adestrado, como ovelha feita pra rebanho de Estado,
porque cerveja não se paga com poesia e ideologia
ou mudança utópica e necessária, se paga com papel tingido e timbrado
marcado com suor ou sangue de empregado.

Sorria e luta! Pois é da meritocracia o sofrer,
ou a ilusão de que alguma mudança venha a ocorrer
com essa passividade que agonizamos solitários em humanizados anseios.

R.C.

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