Morto e enterrado em mim mesmo
vivendo dias como se fossem filmes de uma vida antiga
observando o mundo como quem não é daqui
onde tudo parece atuado de tão absurdamente descompassado.
Andando e respirando automaticamente, sem rumo
como que possuidor de exoesqueleto,
a poeira que resseca a pele é a mesma que torna infértil'alma.
Não deixa brotarem nem os fungos do ódio.
Teorias e informação de modo à trazer significado
distraindo-me do problema que trago pela simples existência
o próprio viver me incomoda, a rotina sufoca
e o que alivia são as margens e minorias
costumeiramente reunidas em bares, ruas do centro e periferias
o que alivia são as conversas das margens
comumente divididas entre amaldiçoar a dominação explícita
e cuspir no chão ao falar da PM homicida.
Falta ação pra se ter ideologia.
Uma busca sem razão pelas tantas razões que existem no mundo
deveras complicado e fatigante, essa coisa de ser incessante.
Mas do gelo infértil que me tornei, morri.
Morto e enterrado em mim mesmo
só razão,um corpo(oco).
R.C.
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