Deixem-me entender
a cidade do pecado
deixem-me nascer homem
continuamente integralizado
antes broto não-germinado
cada traço dispendiosamente retraçado
deixem-me confiar na bondade
conhecendo os mais profundos desejos não ditos
os defeitos religiosamente maquiados
pelas belas frases ornadas de recursos quebráveis
deixem-me observar o movimento
passar como o vento
arrasando cidades e arrancando árvores
acariciando faces e fazendo doces ondulações
deixem-me conhecer a cidade do pecado
onde o amor se mistura na alquimia das emoções
e as intenções se perdem no meio das multidões
por seus desejos de umbigo
ou de amor ao próximo parcial
me deixem, observar como todos caímos
tombam todos, até os ídolos
e assim todos, se queremos, ressurgimos
no vago e talvez vão improviso da vida
já que só sabe o que se deixa de bom, depois da partida
as lições serão aprendidas? as pessoas surpreendidas?
deixou você e levou de todos um pouco? respira...
talvez seja só mais um dia onde você se esquiva do mal
e o pecado não seja tão ruim, afinal
é valoração... pecado mesmo é inanição
desnutrição, má educação, agressão e desrespeito com os direitos
sucateamento dos salários de professores
sucateamento do ensino público
dinheiro comprando valores morais incalculáveis
deixe-me conhecer
o pecado que é viver
em uma sociedade onde para se ver o bem
é necessário crer que este jaz nas pequenas ações
porque nas aglomerações não se vê resquício de humanidade.
R.C.
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