ás vezes motivados por emoções
momentâneas paixões
maquiadas de sementes de amores
tornados verossímeis
fruto de ilusões
talvez pelos profundos anseios e desejos
de ter algum apego
mas não faço mandinga
não peço amor pro orixá
não peço pra ninguém me juntar
de coração não espero pelo destino
não tenho mais tal romantismo
simplesmente acontece
como por mágica
acho que me cabe construir castelos
e embarcar antes mesmo de aportar o navio
me afogo!
afogo como um marinheiro bêbado
que erra o cais
pela ânsia de dormir em seu leito
para esquecer do mundo um pouco
me deito nos braços da que escolho e faço juras
juras de um tolo que
adio mais um pouco
a partida para um voo que desconheço
no qual mudarei de asas
por um amor que talvez não me renda uma morada
somente pela estada e a chance de ser feliz
torno a solidão, segunda opção
talvez seja só mais um sonhador
que erroneamente focado no amor romântico
perde o quântico, fruto do que não se pode perceber
da elétrica no ar que há
quando se perde o ar ao encarar outro ser
Talvez deva deixar ao acaso
já que quando me empenho em amar
acabo saindo fortalecido, mas avariado
afogado!
o que há de mal em querer um bem querer
que lhe alegre e lhe devolva as cores que não consegues mais ver
outras surgiram no processo de reconstrução
mas sempre ficam algumas perdidas no limbo da cicatrização passional
afinal , sempre precisamos de alguém que nos lembre do complemento essencial.
R.C.
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