Na sala desarrumada
perfumada pelo cheiro amadeirado
do violão cansado, deixado de lado
apoiado no sofá, cena de se admirar
Sentindo a lua como sua amante
energia de vida constante
mutação de tristeza pra leveza
raro de se notar que alegria é conhecida
Pula e abraça a noite
conecta-se, sente a relva orvalhada
seus pés são raízes de mogno
é um velho num corpo jovem, pula!
Pula para alcançar as mãos da lua
que com sua eletrecidade branca o tem
quase constrói um foguete para alcançá-la
mas lembra que a idéia é mais aconchegante
[que a realidade com outrem
Ainda assim mantém sua admiração
olhos fechados e peito aberto
uiva como lobo que busca sua matilha
mas essa já se foi, assim como seus pares e suas cantigas
Mas a solidão é boa pra manutenção
deste coração incessante no viver
amar é muito mais que prazer
hoje está em falta alguém que mereça tal querer
Mas noites são curtas e pesadelos longos
guiando por entre vielas e pesados troncos
bloqueando a vida deixando no breu
mas é ele quem conduz, traz consigo no cajado, a luz
É mais um semeador de vida, de alegria
quer ser companheiro,parceiro de uma outra vida
quer um amor eterno, todavia não existem contos
tudo tem um findar, o que resta é amar, aproveitar, viver e desejar.
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