quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Esperança

Estou olhando pra lá, longe ao horizonte
me sinto impelido a algo
não consigo discernir o que é
logo me encontro, acho a voz

No fundo ouço um clamor
é um de meus prisioneiros
chamando meu nome, "solte-me" grita
grito de volta " não posso, não devo"

Não devo por orgulho
nada de perdão para algo que condenei
penso como um agente prisional
esperança de mudança não pode se manter real.

E ainda assim, não calo esse detento
que grita, quebra a sua cela, e na transferência foge
corre para tão longe que o perco
não faço questão de procurar

Depois de algum tempo me fala enquanto sonhador
volta a se manifestar, mas não diz sua posição
está em paz, não há motivos para persegui-lo
esqueci de seu nome, que um dia registrei como "bondade"

"Persiga-o","deixe-o, governe a si mesmo"
conselhos diversos de urubus
grasnam como corvos animados
vêem minha aflição e dela tiram diversão

Logo descubro que meu fugitivo
fundou um estado independente que vem crescendo
e agregando muitos outros fugitivos
todos querem uma mesma coisa. O nome do lugar?

Esperança.


 De onde viria essa esperança
sentimento tal que nunca existiu
ou será que coexistiu, sempre com a dor?
sempre na alma minha, a mesma de seu criador?

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