quarta-feira, 11 de abril de 2012

Animais

Noite feliz, noite de amor - mas sem senhor, sem senhor e a felicidade, não está lá ao contrário do que acham. Não nasce ninguém, mas poderia daqui nove meses. Sem dor ou rancor - dor só em razão da fricção.

No vai e vem mecanizado  -pautado por arranhões e gritos selvagens- não são um e sim dois indivíduos longínquos que se embatem em um cruzamento quase herege. Sem carinho ou apreço, quase que famintos por uma carne que preencha um vazio que fluido algum irá fazer, apesar do que esperam.

Não hão de encontrar realização onde nada mais se espalha além da podridão, o mal cheiro das paredes mofadas e da cama abarrotada de outros corpos. Não sabem os nomes um do outro, nem de onde vieram, suas histórias. De que importa? Se os seios estão no lugar e o pau é grande.

Onde a carne clama o amor não alcança.  Só dois buscando êxtase, sem amor ou transcendência, após, trocarão.

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